quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Resenha: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Título Original: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Título Nacional: Spider-Man: Homecoming

Direção: Jon Watts

Gênero: Ação, aventura

Duração: 2h14min

Estreia: 6 de julho de 2017

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar cumpre a sua promessa de se inspirar nos filmes de John Hughes. Boa parte do filme se parece muito com um filme de John Hughes e tem muitas das suas características, mas não chega a se aprofundar nas relações entre os personagens, até porque esse ainda é um filme de super-herói e tem outras coisas para mostrar. O problema é que ele terminou não mostrando nenhum dos dois lados de forma completa. Toda a parte de Peter na escola é boa e tem boas piadas (apesar de não ter me feito morrer de rir). Algumas outras partes são mais caricatas (como o Homem-Aranha sair esbarrando em tudo enquanto está com a teia presa a um carro em movimento) lembrando muito um desenho animado.

SPOILER: Apesar das piadas serem boas, tem algumas que achei forçadas, tentando fazer graça de adolescente, como dizer: “Pinto Parker”, “sei que o seu corpo está mudando”, “estava assistindo pornô” e o “que p. é essa?!” no fim do filme. Achei que ficaram discrepantes em relação ao resto. Tentei pensar em algum motivo para isso até que me lembrei que estão entre os roteiristas desse filme Jonathan M. Goldstein e John Francis Daley, os mesmos de Férias Frustradas, que é um filme divertidíssimo, mas que tem uma classificação indicativa e um público-alvo diferente desse filme. Olhando o todo acho que eles souberam se conter, mas ainda tiveram essas piadas. É bom para o público adolescente, mas não sei se é bom para as crianças ou para quem vai assistir em família.

O filme funciona bem com toda essa parte escolar e de adolescente apaixonado, mas quando você se lembra que está assistindo a um filme de super-herói percebe que ele fica devendo. A ação demora para acontecer e só depois de 1h30min de duração é que você sente que ela está mais consistente e com boas cenas. Até então o que você vê é o Homem-Aranha sendo subaproveitado pegando pequenos ladrões, fazendo piadas e ajudando as pessoas do seu bairro, fazendo jus ao título “o amigão da vizinhança”.

Outro problema é que ele parece fraco. Você sabe que o Homem-Aranha é forte, mas ele não mostra a sua força. Está sempre apanhando, sempre sendo jogado, sempre se metendo em trapalhadas.

SPOILER: Ter que chegar ao ponto do Homem de Ferro ter que aparecer para salvar o dia é uma vergonha e uma decepção. Aquilo meio que quebra toda a expectativa de melhora que você tinha em relação ao resto do filme.

A justificativa para todos os defeitos do Homem-Aranha falados até aqui é por ele ser iniciante e ainda estar aprendendo. Isso é bom porque conta a história do Homem-Aranha realmente do começo, mostra ele cometendo erros, coisas que as duas franquias de filmes anteriores não tiveram paciência de mostrar, e também mostra o Homem-Aranha adolescente de verdade, com os seus desafios e problemas na escola e no amor. Isso é legal. O problema é que isso é feito em detrimento do super-herói. Se esse fosse o primeiro filme do Homem-Aranha a ser feito seria mais fácil aceitar o estilo que a Marvel fez, por ser mais baseado nos quadrinhos de quando o Homem-Aranha surgiu e era um adolescente. Seria um bom filme assim como o Homem-Formiga foi com o seu estilo leve e cômico. O problema é que já tivemos 5 filmes do Homem-Aranha e conhecemos todo o seu potencial heroico. Você pode gostar de Homem-Aranha de Sam Raimi ou de O Espetacular Homem-Aranha, mas uma coisa é certa: as cenas de ação dos dois são melhores que as desse filme (particularmente prefiro O Espetacular Homem-Aranha). Se essas duas franquias anteriores não mostraram mais esse lado do Peter Parker adolescente e encurtaram o seu início para que ele virasse logo de cara um super-herói pronto e completo, por outro lado, entregaram o que se espera ao ir ver um filme de super-herói.

E tem mais um detalhe: a Marvel e Sony disseram e cumpriram que não iriam mostrar a origem do Homem-Aranha de novo, e nem a morte de Tio Ben. O máximo que eles fazem é falar bem rapidamente da aranha que picou Peter. Mas se por um lado essa origem não foi mostrada, evitando ter que apresentar o Homem-Aranha a todo mundo novamente, eles perderam tempo apresentando “o novo Homem-Aranha”, com todos os recursos e funções do seu uniforme feito por Tony Stark. E são várias cenas desse tipo que levam tempo do filme. O uniforme é legal e suas funções também, mas eles descaracterizam o personagem.

SPOILER: Chega ao ponto dele dizer: “sem o uniforme eu não sou nada”. O quê? Quer dizer que só por causa de um visor, teias diferentes e uma assistente de inteligência artificial ele se torna um “grande” herói e depois não pode mais nada sem ele? Já vimos Homens-Aranhas melhores no cinema. Esse Homem-Aranha aqui teve que se provar (e com esforço) que era bom sem o uniforme para poder merecê-lo de volta. E pelo que vimos no final, ainda vai ter o Aranha de Ferro vindo por aí. Mais Homem-Aranha artificial e altamente dependente de um uniforme, ao invés de depender das suas habilidades e poderes em si. É quase uma nova versão do Homem de Ferro.

Até aqui falei apenas dos defeitos desse Homem-Aranha, mas ele tem um ponto positivo: a sua maior qualidade está em ser um super-herói na mais pura definição dessa palavra. Ele é realmente uma pessoa bondosa, que não quer acabar com o vilão, e sim apenas com o mal que ele faz. Ele tem sonhos de se tornar um membro dos Vingadores e de ser reconhecido por Tony Stark, mas quer mesmo é cuidar do seu bairro, do “povão”. Ele realmente tem uma preocupação em salvar as pessoas, que é algo que não vemos em nenhum dos outros super-heróis apresentados até aqui, nem da Marvel e nem da DC. Os outros heróis sempre estão envolvidos em suas próprias histórias e tentando resolver seus problemas, enquanto que o Homem-Aranha sempre pensa nos outros.

SPOILER: Tony Stark faz poucas e rápidas aparições, o que é bom porque não rouba a cena do filme (rouba só uma vez). Ele não é um mentor de Peter, ele se torna no meio do filme. No começo ele não está nem aí para Peter, provando que só lhe procurou para lhe usar na Guerra Civil (aliás, o início do filme nos ambienta em relação ao tempo que se passou entre Guerra Civil e De Volta ao Lar). Depois ele se torna o mentor, fazendo sempre o que é necessário. Gostei da postura de Tony em todas as suas aparições. Ele fez a coisa certa, tomou boas decisões, e se esforçou para ser um bom mentor, como quando ligou para Peter para elogiá-lo, coisa que seu pai não fazia.

Michael Keaton foi um grande acerto nesse filme. Grande ator, está muito bem aqui, como vem mostrado estar em todos os seus trabalhos recentes. O vilão que ele faz, o Abutre, é bom, mas não achei nada tão espetacular como ouvir dizer por aí. Ele é bem desenvolvido, o que em se tratando de Marvel já é motivo suficiente para comemorar, mas não tão bem desenvolvido assim. Ele é bem introduzido, tem sua história do passado e suas motivações bem contados, mostra do que é capaz de fazer e tem o seu visual muito bom. Mas acho que ele termina sendo prejudicado pelas decisões que foram tomadas para o filme e para o Homem-Aranha. Isso prejudica ele, porque ele poderia ter um pouco mais de espaço para se consolidar como um grande vilão (faltou pouco!) e para ter melhores cenas de ação.

Tom Holland está muito bem como o Peter Parker/Homem-Aranha na forma que ele foi feito nesse reboot. Ele é talentoso, mas teve pouca oportunidade de mostrar isso em trabalhos passados. Aqui podemos ver melhor o seu potencial e talento. Também foi uma escolha acertada.

Gostei também da trilha sonora. Algumas delas me lembraram as músicas clássicas de Star Wars.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um bom filme? É sim, sem dúvidas. É divertido? Sim. Mas se você tinha outras expectativas, se você esperava um ótimo filme de ação feito pela Marvel talvez se decepcione. E para as pessoas mais velhas, talvez a decepção seja maior ainda, pela falta de identificação com o personagem e sua falta de maturidade. Eu, como já sabia que o filme teria uma abordagem diferente, mostrando mais a escola e o romance, adequei as minhas expectativas, e gostei dessa parte específica, mas mesmo assim senti falta do Homem-Aranha herói de verdade, como aqueles que vimos nos outros filmes. Espero que isso melhore nos próximos filmes. O Homem-Aranha é um herói forte, e o maior da Marvel. Ele tem potencial de fazer e de ser muito mais que isso. E espero também que os próximos filmes dos Vingadores não seja uma zona de piadistas, porque esse Homem-Aranha ficou próximo do tom do Homem-Formiga, e ainda tem os heróis coadjuvantes que também fazem piadas. Isso é algo que os roteiristas e os Irmãos Russo vão ter que saber trabalhar para que não fique exagerado e não prejudique o tom dos filmes.

Nota:




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Resenha: Mulher-Maravilha

Título Original: Wonder Woman

Título Nacional: Mulher-Maravilha

Direção: Patty Jenkins

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h21min

Estreia: 1 de junho de 2017

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Não achei Mulher-Maravilha isso tudo o que disseram. O filme começa bem, contando a origem de Diana e mostrando a sua infância em Themyscira, mas depois meio que se perde. A Mulher-Maravilha apenas mostra o que sabe fazer, mas parece não fazer nada. Mesmo depois dela chegar ao mundo dos homens demora até que o filme saia dessa parte introdutória e realmente comece a engrenar. Até aí ainda existem muitas cenas com comentários e diálogos ruins, como as que falam sobre reprodução, sexo e prazer.

As primeiras cenas de ação são muito boas, mas abusam do slow motion, característica até bem parecida com as dos filmes de Zack Snyder. Tudo para mostrar cada rebater de balas e cada giro no ar que a Mulher-Maravilha dá. Mostrar isso na primeira vez é ok, mas ficar mostrando isso sempre cansa. Mas pelo menos dá para ver exatamente como se desenrolou a ação, ao contrário de alguns filmes de ação em que tudo acontece tão rápido e num ritmo tão frenético que não dá para acompanhar e saber tudo o que aconteceu.

Em compensação, essas mesmas primeiras cenas de ação já estavam nos trailers, e eu já tinha visto (e olhe que eu só assisti ao primeiro trailer). Isso porque o filme todo tem poucas cenas de ação. Ele se concentra muito no desenvolvimento e pela busca do vilão, o que termina deixando a ação de lado.

Falando em Zack Snyder, ele não teve muita influência nesse filme (ainda bem). Ele apenas criou a história, e o roteiro foi desenvolvido por Geoff Johns. Como resultado disso você vê algumas piadinhas e um tom mais leve do que você veria num filme típico de Snyder. As piadinhas não são tão engraçadas e muitas vezes não funcionam. A secretária de Steve Trevor poderia ser mais bem aproveitada nesse sentido. Por outro lado, o filme não precisava de piadas nenhuma, já que ele se passa durante a Primeira Guerra Mundial e o humor de todos é de seriedade e apreensão. Mesmo assim, o fato do filme se passar durante a Primeira Guerra Mundial não foi usado como justificativa para fazer um filme super sério e super dramático, como Zack Snyder faria.

A paleta de cores do filme é um pouco escura, mas não tão escura quanto as de outros filmes da DC. A fotografia e o figurino estão muito bons. As cenas e o visual de Themyscira são ótimos e muito bonitos. É nessas partes de Themyscira que vemos um pouco mais de cor. As cenas que se passam em Londres foram muito bem retratadas por mostrar como estava o ambiente por causa da guerra, com cara de tristeza e desolação, com cores predominantemente cinza.

Sobre Diana, ela se mostra inocente e inexperiente, mas esse era o objetivo do filme. A Mulher-Maravilha que veremos em Liga da Justiça estará mais forte e experiente, conhecendo melhor o mundo, seus costumes, os pontos positivos e negativos das pessoas, e sabendo usar melhor os seus poderes. Foi ótimo finalmente ver uma heroína da DC no cinema que é otimista, que acredita nas pessoas e que vê o melhor nelas. Foi ótimo ver uma heroína que acredita no amor. Isso é o que todos esperavam ver no Superman, mas a Warner e Zack Snyder resolveram deixar ele dramático além da conta (principalmente em Batman vs Superman).

Sobre o filme se tratar de uma heroína mulher, muita gente o elogiou como um filme que traz empoderamento para as mulheres e que mostra que elas são capazes. Eu acho que o filme mostra isso, mas apenas pelo fato de retratar no cinema uma super heroína forte, poderosa e independente, como ela tem que ser. Mas não percebi no filme um estímulo ou diálogo claro que dissessem “as mulheres podem” ou “as mulheres são fortes”. Talvez com exceção de uma cena, não vi um ativismo ou discurso feminista, o que achei ótimo, porque um filme de super-herói é para entreter, e não para passar mensagens desse tipo.

Na luta final a qualidade cai em relação às primeiras cenas de ação de Diana lutando na guerra como a Mulher-Maravilha. Quiseram fazer um super-vilão poderoso (que parece ser o que todos os filmes de super-herói querem fazer atualmente), mas só mostraram ele de última hora e não o desenvolveram corretamente. Sabíamos quem era o vilão, a sua história e o que ele estava fazendo com a humanidade através da guerra, mas isso não fez com que ele parecesse ameaçador. O que vimos foi nada mais que uma briga de luzes, raios e voos nessa luta final.

No fim o que vi foi mais um filme de super-herói ok, que é como todos os outros (herói tentando destruir o vilão, e uma simples luta do bem contra o mal) e que está contribuindo para deixar esse gênero repetitivo e enjoativo. O filme tem suas qualidades, e em até certo momento ele é bom. O que faltou foi mais cenas de ação, menos slow motion, a não forçação de piadinhas e diálogos de cunho sexual, que são bem desnecessários, um melhor desenvolvimento para o vilão e um melhor desenvolvimento geral para o filme, que ficou durante muito tempo como uma grande introdução dos acontecimentos. É um filme bom, mas só isso. Ele é esforçado em certos pontos, mas fica devendo em vários outros. Mas se considerarmos que esse foi o primeiro filme de uma grande heroína, e que por isso ele estará na história, ele foi correto, e por isso não passará vergonha.

Nota:




quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Resenha: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Título Original: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Título Nacional: Guardians of the Galaxy Vol. 2

Direção: James Gunn

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h16min

Estreia: 27 de abril de 2017

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James Gunn inovou no primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, criando um universo espacial para a Marvel e fugindo do estilo dos filmes de super-heróis já criados até então. Ele se mostrou surpreendente e descompromissado com qualquer reação considerada normal pelos personagens e pela trama. É por isso que o filme fez tanto sucesso, tanto de bilheteria quanto de crítica. Mas este segundo filme não foi tão bom assim. Nós já sabíamos o que esperar, e pelo visto James Gunn já sabia o que fazer. Ele fez o filme como o primeiro, e claro, ele deveria ter sido feito assim, para manter a identidade do primeiro filme. Mas não foi só a identidade que foi mantida, mas sim a fórmula. Se o primeiro Guardiões da Galáxia rompeu com a fórmula dos outros filmes da Marvel e nos surpreendeu, em Guardiões da Galáxia Vol. 2 percebemos que outra fórmula foi criada no primeiro filme, e que neste segundo, foi seguida. Isso tira um pouco o fator surpresa. Você não sabe o que os personagens vão falar, como vão reagir ou o que vão fazer, é claro, mas depois que acontece, você percebe que é uma situação bem parecida com outra mostrada no primeiro filme.

O filme é visualmente bonito e bem colorido. As cores são fortes e vivas, então você não vê nada de paleta de cores escuras, sóbrias e que deixe tudo meio acinzentado, como é tendência nos filmes da DC e como também esteve presente em filmes da Marvel como Homem de Ferro 3, Vingadores: Era de Ultron, Capitão América: Guerra Civil e outros. Isso é bom, sabe? É bonito, é vivo, é mais alegre, mais real e não cansa o espectador. Apesar de bem colorido, algumas cores predominam: azul, marrom, vermelho escuro, vermelho e amarelo.

O filme é mais dramático que o primeiro, e tenta várias vezes criar emoção no espectador. Os personagens conseguem ser desenvolvidos, cada um à sua maneira, se comparado ao ponto em que eles estavam no filme anterior. A exceção é Gamora, que dessa vez foi pouco usada, e só a vimos sendo aproveitada como interesse amoroso de Peter Quill e para resolver seus problemas com sua irmã. Quanto à relação de Gamora e Nebula, foi bom a forma que fizeram, porque já prepara terreno para Vingadores: Guerra Infinita. Mas mesmo assim esperava ver mais de Gamora em ação no filme.

O vilão, é o tipo de vilão genérico da Marvel. Acredito que de todos os que já foram apresentados até aqui ele é o mais poderoso, mas isso não garantiu que o filme fosse o melhor de todos. Se em todos os filmes os vilões só subirem de nível e ficarem cada vez mais poderosos, onde chegaremos? Não vai adiantar colocar Hela e Thanos, se os filmes não forem bons o suficiente. Não adianta usar super-vilões poderosos se eles agem superficialmente, se não apresentarem profundidade e se não tiverem motivação. Foi isso o que aconteceu com o vilão de Guardiões da Galáxia Vol. 2.

SPOILER: Ego é o típico vilão que quer dominar tudo sem ter nenhuma motivação. Lembrou de alguma coisa? Sim, já vimos isso antes. Tivemos o Monge de Ferro, que queria dominar as Indústrias Stark, em Homem de Ferro, Ultron, que queria dominar o mundo, Jaqueta Amarela, que queria dominar a Pym Technologies e a tecnologia de diminuição em Homem-Formiga... Os nomes de Monge de Ferro e Jaqueta Amarela tive até que pesquisar, porque eles foram tão genéricos que nem lembrava dos nomes deles.

Um exemplo de como o filme segue a fórmula e de como o vilão é sem motivação é a cena em que Ego está explicando as coisas a Peter Quill e revela que ele colocou o tumor no cérebro da mãe de Peter. No mesmo instante Peter puxa a arma e começa a atirar. E assim que recebe os tiros, Ego aprisiona Peter, e a partir daí começa a ação que inicia a parte final. Não teve um diálogo sequer. Não teve um momento da maturação dessa descoberta. Literalmente de um segundo para o outro, tudo muda e o cara até então bom passa a ser o vilão e ele e Peter Quill começam a lutar. De um segundo para o outro eles deixam de ser pai e filho que se reencontraram e passam a ser herói e vilão que querem destruir um ao outro. Tudo aconteceu muito rápido, porque simplesmente tinha que acontecer e pronto.


Pelo menos o vilão foi bem introduzido, e através dele muitas das perguntas que tínhamos no primeiro filme, e até as que não tínhamos, aqui foram respondidas. Ego pode não ter sido um bom vilão em si, pode não ter sido bem desenvolvido, mas pelo menos serviu como meio para trazer explicações sobre a origem de Peter e as respostas para a sua abdução no início do filme anterior.

Mesmo assim, depois que o filme acaba, você sente que ele não foi tão bem feito quanto o anterior, justamente por não ter sido surpreendente, e por ser mais do mesmo. É por isso que estou enjoado dos filmes de super-heróis, não só da Marvel, mas de todos, porque é sempre a mesma história, só que com vilões, personagens e situações diferentes. Tudo se torna muito simples e óbvio. Como eu disse anteriormente, você pode não saber o que um personagem irá falar, fazer ou como irá reagir, mas no fundo no fundo, o filme é o mesmo que os outros já feitos.

Isso quer dizer que Guardiões da Galáxia Vol. 2 é ruim? Não, ele é um ótimo filme. Ele é divertido e dá para passar o tempo. As piadas, tirando uma ou outra, são todas boas. Elas não te fazem morrer de rir, mas são bem sacadas e divertem. O filme como um todo, apesar de ter seguido a chamada “Fórmula Marvel”, é um bom filme. A decepção fica apenas por ser mais do mesmo, quando eu esperava no mínimo um filme do mesmo nível que o primeiro. Ah, e as músicas não ficaram tão boas e marcantes quanto as do primeiro filme.

Nota:




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Resenha: Kingsman: O Círculo Dourado

Título Original: Kingsman: O Círculo Dourado

Título Nacional: Kingsman: The Golden Circle

Direção: Matthew Vaughn

Gênero: Ação, aventura, comédia

Duração: 2h21min

Estreia: 28 de setembro de 2017






Kingsman: O Círculo Dourado é um filme que segue a fórmula do anterior, repetindo tudo o que deu certo: a ação rápida, desenfreada e sem muito sentido, mas que é bonita e incrível, as cores, o estilo das vestimentas e dos locais, o tom cômico e as piadas. É realmente um filme divertido. O seu único problema é que tem muito palavrão, e assim como no filme anterior, tem uma cena apelativa de cunho sexual. Não sei qual a necessidade do filme em ter uma cena assim (a cena final do filme anterior inclusive foi criticada), mas parece que eles insistem nesse tipo de cena e de apelação para dizer que faz parte da identidade de Kingsman. A franquia foi concebida assim, então nem dá para dizer que poderia ser daquele jeito ou de outro, até porque não temos um referencial. Mas acho que se não tivesse esse tipo de cena e se não tivesse palavrões, esse seria um ótimo filme para se assistir em família, sem que houvesse constrangimento a ninguém, porque o filme em si é bom. Ele tem ótimo ritmo, ótimos personagens, uma boa história e ótimas cenas de ação. É diferente da maioria dos filmes de ação que vemos, porque não se preocupa em parecer um mínimo realista, nem com a quantidade de mortes que terá e nem com qual dos personagens morrerá. Sem contar aqueles acessórios, que deixa tudo melhor ainda. É um filme de ação misturado com fantasia eu diria, porque tem algo super-heroico ali. Mas por preferir ter um linguajar mais vulgar e cenas desnecessárias à história, e que ficam gratuitas, termina diminuindo o seu público-alvo e deixando de ser uma opção para se assistir em família, o que é uma pena. Não estou dizendo que Kingsman deveria ser mais leve, mas sim que poderia somente cortar o desnecessário, e isso não prejudicaria em nada o filme, que ainda manteria a sua identidade.

Temos de volta Colin Firth como Harry. Por causa do que aconteceu com ele no filme anterior, ele está com algumas implicações. Isso é uma pena, porque ele termina sendo subaproveitado nesse filme. Espero que se tiver um terceiro filme que ele esteja de volta à boa forma. Mas as cenas de ação não foram prejudicadas por isso, até porque Harry não é o único personagem que sabe lutar.

O enredo é bom, mas quando chega ao final você percebe o clichê: tudo acabou bem e com final feliz para todos porque o mal foi vencido. É um final diferente do que vimos no filme anterior porque esse resolveu ir por um caminho mais fácil e seguro, enquanto o primeiro ousou mais.

SPOILER: Exemplos de cenas clichês: quando a vilã, que até então estava indo muito bem, aparece publicamente e diz que contaminou todos com um vírus, mas que ela tem o antídoto, que será distribuído se o presidente concordar com suas condições; todos sendo salvos pelo antídoto e sendo felizes no final; a vilã morta (o bem venceu o mal); o presidente preso; a cena do casamento ("felizes para sempre"). Todas elas estão concentradas no final, terminando o filme de forma mais simples e fácil.

Mas isso não prejudica o filme, até porque ele não é um filme para você pensar, ou querer complexidade dos personagens e do ambiente em que se encontram, mas sim para você se divertir com a sua história, piadas e cenas de ação.

Mais uma vez Kingsman foi um filme bem construído e surpreendente. Foi realmente um ótimo passatempo. Como eu disse na resenha do primeiro filme, é bom ver um filme de ação assim, que não está preocupado com nada e sim apenas em ser um bom filme para divertir e que deixe as pessoas mais alegres por um momento. E se antes (na resenha do primeiro filme) eu disse que ainda preferia filmes que tinham explicação para cada ato porque deixa a história mais interessante e bem elaborada, agora eu já não tenho mais essa preferência como regra. Vai depender do filme. Quando um filme traz explicações e tem mais cuidado com essa parte, fazendo com que ela seja parte integrante e complementar à história, é bom, mas quando não, só deixa o filme cansativo (o que acontece em alguns filmes de super-heróis, por exemplo). Nesse caso, é melhor que não tenham explicações, mas que a função do filme de divertir e entreter seja levada em mais consideração.

Nota:




quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Resenha: Planeta dos Macacos: A Guerra

Título Original: War For The Planet Of The Apes

Título Nacional: Planeta dos Macacos: A Guerra

Direção: Matt Reeves

Gênero: Ação, aventura, drama

Duração: 2h20min

Estreia: 3 de agosto de 2017

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Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

São raras as trilogias e franquias que mantém o nível nos três filmes. O que vemos geralmente é um primeiro filme introdutório, um segundo filme muito bom e um terceiro decadente (ou então, um primeiro filme introdutório, mas muito bom, um segundo filme bom, mas não tanto, e um terceiro filme não tão bom assim). Mas essa trilogia de Planeta dos Macacos conseguiu. É a exceção da regra, com certeza. Num momento em que os estúdios estão fazendo cada vez mais remakes, reboots e universos compartilhados com o intuito de lucrar cada vez mais, a qualidade dos filmes termina abaixando ou ficando apenas na média. O caso dos filmes de super-heróis, por exemplo, é bem clara: a Marvel conta sempre a mesma história, com tramas rápidas e vilões superficiais, a Warner/DC erra mais do que acerta e não sabe para onde tem que ir, e a Fox não liga para a coerência entre os filmes e se eles farão sentido ou não entre si.

Planeta dos Macacos também tinha o objetivo de ressuscitar uma antiga franquia de sucesso para trazer lucros ao estúdio (é claro, esse sempre é o objetivo, e não é errado), mas ao contrário dos outros, essa trilogia foi feita com zelo, sempre de olho no roteiro, nos efeitos, no desenvolvimento dos personagens. Essa trilogia ficou fantástica, e em nenhum momento decepcionou.

Não seria exagero dizer que essa trilogia é uma verdadeira obra-prima. Ele é o maior exemplo, de que sim, é possível fazer filmes blockbusters, filmes com apelo comercial, que sejam bem feitos, profundos e originais.

Planeta dos Macacos: A Guerra, apesar de ter “guerra” no nome não foca na guerra. Ela está acontecendo, mas o foco é o desenvolvimento dramático dos personagens, principalmente os macacos. É mostrado também o lado dos humanos, e você compreende que todos ali estão sofrendo de uma forma ou de outra. Os humanos querem achar os culpados pelos seus problemas e decidem que são os macacos. O filme mostra o sofrimento dos macacos, o desenvolvimento da história deles, e claro, César no centro de tudo, como o grande líder. É um filme que poderia ser apenas de cenas de lutas, tiros e grandes explosões, mas que escolheu mostrar que na guerra existe drama, e que muitas vezes é ele que prevalece sobre toda a destruição. Esse drama ficou tão bom, que A Guerra ficou melhor que O Confronto, que teve mais cenas de ação.

O filme mostra o começo de como os macacos chegaram ao ponto do filme de 1968, trazendo algumas referências a ele. Não existe uma entrega direta, e você percebe claramente que do final do filme até o momento em que se passa o filme de 1968 existe um bom tempo de diferença. Ninguém sabe se serão feitos outros filmes de Planeta dos Macacos, mas seria ótimo se fizessem, para pelo menos continuar a história de onde ela parou e nos levar ao ponto em que se passa o filme de 1968. Muitas coisas precisam mudar e se estabelecer para chegar naquele ponto de desenvolvimento da sociedade dos macacos.

A atuação de Andy Serkis, mesmo atuando apenas em captura de movimentos, ficou muito boa. Ele consegue mostrar bem com suas expressões faciais o que sente.

Dessa vez temos um personagem servindo como alívio cômico. Não achei que fosse necessário, já que o filme por si só não é pesado e funciona muito bem, mas o personagem pelo menos foi bom (e pode servir de indício sobre o porquê dos macacos do filme de 1968 usam roupas, enquanto os dos filmes atuais não usam).

Planeta dos Macacos: A Guerra foi um ótimo filme. Além de todo o drama e personagens bem desenvolvidos como já falado nesse texto, ele ainda conta com uma bela história, roteiro bem amarrado e não cansativo, personagens e uma trama interessantes, e linda fotografia. É um filme tecnicamente muito bem feito, e diria que ele merece aparecer no Oscar e nas outras premiações, e quem sabe, ganhar.

Nota:




segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Resenha: Planeta dos Macacos: O Confronto

Título Original: Dawn of the Planet of the Apes

Título Nacional: Planeta dos Macacos: O Confronto

Direção: Matt Reeves

Gênero: Ficção científica, ação

Duração: 2h11min

Estreia: 24 de julho de 2014

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Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

Mudando de direção, e passando a Matt Reeves, o estilo e o tom desse segundo filme de Planeta dos Macacos muda se comparado ao primeiro. A paleta de cores usada é um pouco mais escura e séria, porque enquanto o filme anterior tratava do começo de tudo, neste filme já vemos um mundo diferente, onde a maior parte da população mundial morreu com a gripe símia, causada pelo mesmo vírus que deixou os macacos mais inteligentes no primeiro filme. O mundo está acabado e abandonado, e os que restaram tentam viver em comunidade com o que têm. Por isso saíram aquelas cores coloridas e vivas, que até se assemelhavam a um filme infantil, e entraram cores mais acinzentadas, típicas de filmes distópicos ou de destruição. Apesar dessa mudança de temática e de ambiente, o filme faz referências ao filme anterior, como a casa onde César viveu e uma breve aparição de James Franco, para mostrar que esse filme, apesar de parecer diferente é uma continuação direta do anterior.

Os macacos, sob o comando de César, nunca tiveram a intenção de guerrear com os humanos e nem de tomar para eles o mundo, da mesma forma que os humanos também tentam manter a paz. Mas dos dois lados há pessoas e macacos que preferem a guerra, e então surge daí “o confronto” do título.

Nesse filme também é mostrado como se organizou a sociedade formada pelos macacos inteligentes, e como o senso de comunidade entre eles é forte. Os personagens são todos muito bem desenvolvidos. César se mostra um líder justo e piedoso, mesmo quando perde a cabeça. Já vimos isso no filme anterior, mas aqui fica ainda mais nítido. Ele é quem manda em tudo e em todos, mas mesmo assim procura atender o desejo da maioria, procura representar a maioria, como um bom líder (é isso o que um político deveria fazer, aliás). É por isso que sempre antes dele tomar uma decisão, sempre olha ao seu redor para ver a cara dos outros macacos e tenta perceber o que eles acham que ele deveria fazer. Por outro lado, Koba, o vilão do filme, que no filme anterior foi apenas introduzido, aqui mostra que tem um grande ódio pelos humanos. São seus atos que começam o confronto e a guerra que culminará no mundo que vemos em O Planeta dos Macacos de 1968.

Por fim, Planeta dos Macacos: O Confronto mudou o seu estilo nesse segundo filme, o que era necessário por causa da continuação da história e da forma como tudo se desenvolveu. Ele tem mais ação que o primeiro, mas não necessariamente é melhor do que aquele só por isso. As cenas de ação são boas, a história e o roteiro também são bons, mas como um todo, o filme anterior foi melhor, talvez por fechar a história, talvez pelo tom mais leve. Mas em nenhum momento este filme decepciona, e mesmo sendo diferente, e mesmo o filme anterior podendo ser melhor que este, ele ainda é um ótimo filme e mantém o nível do anterior.

Nota:




sábado, 21 de outubro de 2017

Resenha: Planeta dos Macacos – A Origem

Título Original: Rise of the Planet of the Apes

Título Nacional: Planeta dos Macacos – A Origem

Direção: Rupert Wyatt

Gênero: Ação, ficção científica, aventura

Duração: 1h50min

Estreia: 26 de agosto de 2011

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Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

Planeta dos Macacos – A Origem é o reboot dado no universo do Planeta dos Macacos, mas com o objetivo de contar a história do começo, de como a Terra passou a ser dominada pelos macacos, como vemos no filme de 1968.

O filme começa se apresentando como de ficção científica, e depois ganha ares mais coloridos e familiares, lembrando muito filmes infantis. Até esse momento o filme é calmo, cuidando apenas em mostrar a origem de César, o personagem principal. O seu desenvolvimento começa ainda dentro desse ambiente familiar, sendo mostrado o carinho que ele sente pela sua família, a sua tristeza pelo tratamento que é lhe dado (lhe tratam como um animal, enquanto ele se sente parte verdadeira da família, tanto na sua rotina quanto na inteligência que tem), e também o início do seu sentimento de revolta.

A partir do momento que César conhece os outros macacos é que as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes. A parte da ação é deixada apenas para o final, mas o filme não vale só por ela. Toda a história, mesmo as partes mais paradas e introdutórias, servem para o propósito do filme e são bem executadas. Você vê um filme que é bom pelo todo e não só pela ação (como outros filmes de ação por aí). A história em si é boa, o desenvolvimentos dos personagens e das situações são bons, o roteiro é bom. O filme é leve, mas consegue passar a seriedade das situações que ocorrem. A ideia de como os macacos ganharam a inteligência foi genial, por tratar de um tema que é atual e faz parte da humanidade, que é o Alzheimer. Toda essa parte da cura e dos testes científicos foi bem desenvolvida, e nos faz ficar mais próximos da realidade que o filme apresenta, diferente de filmes de ficção científica que são mais distantes da nossa realidade. A ideia de existir uma cura para o Alzheimer e dessa cura prejudicar os próprios humanos e dar inteligência aos macacos não parece absurda. Ela é palpável para o espectador.

Temos ainda referências ao filme de 1968, como o uso da coleira em César e a cena em que o cuidador dos macacos joga água forte de mangueira em César, mostrando que os macacos não conseguirão só inteligência no futuro, mas também copiarão alguns comportamentos e atitudes dos humanos.

Os efeitos dos macacos são muito bons, e os outros efeitos do filme não são artificiais. A atuação de James Franco e John Lithgow ficaram boas e são destaque do filme.

Nota: