terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Resenha: Ben-Hur (1959)

Benu-Hur - 1959 - Pôster nacionalTítulo Original: Ben-Hur

Título Nacional: Ben-Hur

Direção: William Wyler

Gênero: Drama, aventura

Duração: 3h42min

Estreia: 29 de janeiro de 1960

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Geralmente filmes mais antigos que os da década de 80 não me animam muito, porque eles têm um estilo próprio, que é bem diferente do estilo de hoje, e sua narrativa costuma ser mais arrastada e focada demais nos diálogos. Mas existem exceções de grandes filmes, que se tornam clássicos e atemporais, de tão bom que são. Um deles é Quo Vadis de 1951, e outro que tive o prazer de assistir (apesar de certa relutância) foi Ben-Hur de 1959 (lançado no Brasil em 1960).

O filme, que se passa nos dias de Jesus, conta uma história fictícia de um homem que foi príncipe da Judeia antes dela ser dominada pelos romanos, e por não apoiar o novo regime é preso junto com sua família. Mas durante seu castigo ele consegue dar a volta por cima através de oportunidades que surgem, e no final conhece o poder de Jesus e o que ele pode fazer por nós. Não se trata de um filme evangélico/cristão propriamente dizendo, já que apesar de mostrar Jesus em determinados momentos e de falar do seu poder, esse não é o seu foco, e sim contar a história de Judas Ben-Hur, que tem um arco grande de ganhos, perdas, renúncia, luta consigo mesmo, reconhecimento e outros. É por isso que o filme é longo, porque o seu personagem principal passa por diversas situações, sendo um personagem complexo e muito bem trabalhado.

SPOILER: No início do filme, no encontro de Judas e Messala, deu para perceber um ar de romance homossexual entre os dois. Depois ele não aparece mais, por causa do afastamento dos dois e por Judas ter se apaixonado por Esther. Depois vi uma curiosidade do AdoroCinema que mostrou que essa não foi só uma impressão minha, mas que foi feito propositalmente.

A duração do filme, de 3h42min era outro motivo que me desmotivava a querer assisti-lo. Enquanto assistia deu para ver o porquê dele ser tão longo: ele perde tempo com diálogos menos importantes, que são longos, e que talvez caíssem melhor numa série ou novela do que num filme. Se por um lado isso faz nós termos uma ideia maior de quem são os personagens, por outro, são essas cenas que vão enchendo o filme. Às vezes as cenas mostram coisas que não são tão úteis para o desenvolvimento do filme em si, mas serve apenas como mais um indicativo para o desenvolvimento mais completo possível dos personagens.

SPOILER: Exemplos: na cena em que Judas se encontra com Messala e eles conversam, brincam, se lembram do passado e jogam lanças na parede. Essa cena é longa, mas serve para mostrar a grande amizade entre Judas e Messala. A parte da lança em específico serve para que uma cena no final do filme, em que Judas pega uma lança daquele mesmo lugar, possa fazer referência. Outra cena é a conversa enquanto Judas e sua família comem. Essa cena serve para mostrar a relação de Judas com sua mãe e irmã, o quanto Messala era querido por elas, e também serve para mostrar a riqueza de Judas. E também as cenas longas das conversas e romance de Judas e Esther. A cena de Judas remando o barco é também bem longa.

Outras partes longas é a parte em que o nome “Ben-Hur” aparece, que fica vários minutos lá apenas o nome com uma trilha de fundo, e logo depois começam os créditos (sendo que o filme já tinha começado). São 6 minutos assim. E quando começa a parte 2, também passam alguns minutos só aparecendo um nome. Isso também termina contando na duração total do filme.

Se esse filme tivesse sido feito originalmente nos dias de hoje, ele teria entre 2h e 2h30min, que é o tempo médio de um filme atualmente, e muitas dessas cenas ou deixariam de existir, ou seriam mais condensadas e dinâmicas, para que não ficassem tão paradas e longas. De fato, o cinema antigo tinha uma linguagem e um ritmo diferente do atual, o que não necessariamente é ruim, quando o filme é tão bom e bem feito quanto este.

Um ponto positivo desses filmes antigos é que existia uma preocupação maior para a construção de cenários e cuidado com os detalhes. Hoje em dia tudo é computadorizado e o filme é todo rodado dentro do estúdio com a parede verde, o que dependendo do tipo da cena, dá um bom realismo, mas quando você vê um filme em que os cenários foram construídos, tudo parece mais real e mais palpável. Existem algumas cenas desse filme que foram gravadas em chroma key, e dá para perceber claramente quando são elas, porque soam artificiais (geralmente são as cenas que mostram o mar ou o céu).

Assisti uma versão em 720p, que estava com a imagem excelente.

O figurino ficou muito bonito, mas achei sofisticado demais para a época, principalmente os das mulheres. A mesma coisa em relação aos instrumentos usados, que são claramente adaptações dos instrumentos de hoje. A cena dos cavalos na arena ficou surpreendente porque todos os cavalos andavam ao mesmo tempo, e para fazer aquilo deve ter precisado de muito treinamento e tentativas. A trilha sonora também ficou ótima, me lembrando muitas vezes a trilha de Star Wars, por causa da predominância de sons feitos por instrumentos de sopro (coisa, aliás, que faz falta nos filmes de hoje, onde as músicas em filmes de ação e aventura geralmente têm ares mais eletrônicos).

Ben-Hur foi um filme que me surpreendeu. Dado a época em que foi feito, o estilo de fazer filmes daquele tempo, as limitações tecnológicas, o esforço em se realizar um filme de grande porte como esse, e a ótima história que conta, é um excelente filme. Depois de assisti-lo descobri que ganhou 11 Oscar. Foi merecido.

Nota:



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Resenha: Star Wars: Os Últimos Jedi

Star Wars - Os Últimos Jedi - Pôster nacional 500pxTítulo Original: Star Wars: The Last Jedi

Título Nacional: Star Wars: Os Últimos Jedi

Direção: Rian Johnson

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h32min

Estreia: 14 de dezembro de 2017









Não sou fã de Star Wars, por isso as partes do filme que mais gosto são as de ação e as de fantasia, e não as que aprofundam a mitologia (e por isso gostei mais de Rogue One: Uma História Star Wars do que de Star Wars: O Despertar da Força). Em Star Wars: Os Últimos Jedi, nós somos surpreendidos de várias formas. O filme nos leva a caminhos inimagináveis e foge do comum. Quem está no centro disso é Luke, que devido a fatos passados já não é mais aquele jovem herói e otimista que conhecíamos. Suas atitudes são as que mais surpreendem (muitas vezes negativamente). E acho que seja justamente essa construção do novo Luke que mais gerou polêmica sobre este filme. Apesar desse Luke não ser o que esperávamos de início, gostei da forma como o trataram, porque nos pegou de surpresa e saiu do que seria o óbvio. Também foi uma boa decisão porque faz o personagem ser mais complexo, tendo que lutar com seus problemas internos, com sua culpa, e lhe dá uma nova visão sobre a Força e os Jedi.

Um ponto negativo nesse filme, mas que já posso dizer que é também dessa trilogia, é a forma que ele trata os antigos personagens. Leia participa mais desse filme do que do anterior, mas mesmo assim tem um momento que ela fica ausente, o que achei desnecessário. Da mesma forma, personagens que sempre tiveram forte presença na primeira trilogia, como Chewbacca e C3PO, estão ali só para dizer que ainda existem, mas não são aproveitados. Tudo isso para dar espaço aos novos personagens. Tem momentos que Poe é quem toma a liderança da Resistência, mesmo ele não sendo o chefe (que é Leia). Luke é mostrado a maior parte do tempo como um velho que já está cansado da vida e desesperançado, e no lugar dele fica Rey, a protagonista do filme (com Kylo Ren sendo o vilão, naturalmente). Finn e Rose (uma nova personagem) tomam um bom espaço do filme, recebendo muita importância, mas depois que o filme acaba você vê que tudo o que eles fizeram foi inútil e não ajudou em nada. É o velho time cedendo espaço ao novo time, o que é claro que tinha que acontecer, mas não esperava que fosse dessa forma, onde os personagens antigos são desprezados, quase não têm importância na trama, e vão aos poucos perdendo importância e espaço para os personagens novos, que também nem sempre são bem resolvidos, como no caso de Finn e Rose. Esses são para mim os maiores problemas de Star Wars: Os Últimos Jedi.

Voltando a falar sobre Luke, apesar de eu ter achado a abordagem que deram a ele interessante, dá para entender as críticas dos fãs por ele ser mostrado como um velho cansado da vida, que não quer fazer nada para ajudar, até porque pelo final do filme passado, o que esperávamos era que ele treinasse Rey para que ela se tornasse uma Jedi completa e para que ela aprender a usar a Força (o que não acontece, propriamente dizendo). Essa expectativa quebrada, juntada com a desconstrução do personagem e o fim que ele teve deu essa reação em alguns fãs, deixando todos divididos entre o filme ser bom ou não. A minha opinião sobre Luke já foi dita, mas mesmo assim é um erro que essa renovação da franquia queira acabar com todos os antigos personagens importantes dessa forma. Star Wars surgiu com eles, e foram eles que sustentaram a trilogia principal, e agora são menosprezados a meros coadjuvantes sem destaque algum, com um final heroico para dizer que a história dele acabou ali em alto estilo. Foi essa abordagem que usaram para Han Solo no filme passado, e foi essa também que usaram com Luke (com a diferença de que Luke foi mais presente no filme). Os outros, como já dito, aparecem só para dizer que ainda existem, mas aparecem pouco e não têm nenhuma importância, nem para o filme em si, e nem para os personagens ali presentes (isso fica bem claro com C3PO, que praticamente fala sozinho). Isso é realmente uma pena. (Mas, para ser justo, apesar de Leia ficar em segundo plano numa parte do filme, ela tem uma excelente cena, que é de ficar de boca aberta).

Sobre o filme em si, a primeira metade é só de conversas sobre a situação atual da guerra e um aprofundamento da mitologia Jedi. É uma longa introdução, que dura mais de uma hora, e tirando as partes de interação entre Rey e Ben/Kylo Ren, que ficaram muito boas, o resto é bem parado e desinteressante. A segunda metade, que é a 1h restante, foi a que ficou boa, com excelentes cenas de ação, tanto com as naves quanto com as de sabre de luz. Tanto Rey quanto Kylo Ren estão bem melhores nesse filme do que no anterior, dando para ver a evolução dos dois. Destaque para a evolução de Kylo Ren, que passa o filme com conflitos internos, e agora já não parece ser só um jovem mimado que começa a quebrar tudo quando está com raiva. Agora ele está mais dramático e aprofundado. As atuações de Daisy Ridley e Adam Driver estão excelentes, transmitindo essa profundidade aos seus personagens. Todo o visual também está melhor. E a trilha sonora clássica está mais presente que no filme anterior, o que é ótimo.

Existem ainda algumas partes engraçadas que estão na fala dos próprios personagens, que são poucas e rápidas, o que é legal para deixar o filme menos sério, mas isso não é usado como uma necessidade de alívio cômico  e usada a todo o momento, como vemos nos filmes da Marvel, o que exagerado pode mais prejudicar do que ajudar o filme. Os fofos porgs são parte desses alívios. Rey e Finn, que estavam mais engraçados no filme anterior, neste filme estão mais sérios.

O que posso dizer sobre Star Wars: Os Últimos Jedi é que ele tem sim as suas falhas, mas que não é um filme ruim. Eu estava querendo assistir e tinha certa ansiedade, o seja, eu tinha certa expectativa para o filme, apesar de não saber o que poderia acontecer nele. Se tiveram coisas que me desagradaram no filme, em compensação ele como um todo me surpreendeu positivamente, principalmente por causa da última metade, que deu um ótimo desfecho. O que poderia ter sido melhor é o final, que deixou mais uma vez cortado o que irá acontecer. Queria que ele fosse um pouco mais fechado, com um final mais conclusivo, para mostrar que apesar desse filme ser parte de uma grande história, e por isso precisar ter uma continuação, essa história em específico teve um filme aqui.

SPOILER: Mas a última cena ficou muito boa, ficou demais, mostrando através daquele menino, que uma nova geração de guerreiros e de Jedi poderá surgir no futuro. A conversa de Rey e Leia também sugere que Rey poderá ser a próxima Mestre Jedi, que treinará a próxima geração de crianças para se tornarem Jedi (adoraria ver isso no próximo filme). Também já foi dito que a próxima trilogia de Star Wars será com personagens diferentes, que não terão nada a ver com os atuais, o que abre muitas possibilidades. De repente ele pode se passar no futuro, com uma nova geração de Jedi e guerreiros continuando a luta e levando para frente o legado deixado pelas gerações anteriores.

Nota:



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Resenha: Liga da Justiça

Título Original: Justice League

Título Nacional: Liga da Justiça

Direção: Zack Snyder

Gênero: Ação, aventura

Duração: 2h

Estreia: 16 de novembro de 2017








O universo da DC nos cinemas tem vários problemas. Um deles é que a Warner quis chegar ao ponto da Marvel mais rápido, sem passar por todo o processo que a Marvel passou até chegar ao sucesso. Já comecei falando de Marvel no primeiro parágrafo porque é impossível não comparar. O primeiro filme da Marvel a fazer absoluto sucesso foi Os Vingadores, mas antes disso ela já tinha feito outros 4 filmes apresentando os personagens. A Warner querendo partilhar desse sucesso fez correndo apenas dois filmes solos de personagens e um para juntar eles já começando com uma briga obscura, escura, pesada e dramática ao extremo. E agora veio Liga da Justiça, que teve que apresentar o Aquaman, o Flash e o Ciborgue, além de trazer o Superman de volta de um jeito renovado. Todos eles são apresentados devidamente, mas é tudo muito rápido e é como se faltasse profundidade aos personagens. Se a Warner tivesse paciência e tivesse feito o filme solo de cada um deles antes de juntarem para fazer a Liga da Justiça teríamos mais simpatia com os personagens. Em compensação, se tentassem aprofundar os personagens nesse filme, eles ficariam dramáticos ao extremo. E parece que só é assim que Zack Snyder sabe trabalhar, ou com 8 ou com 80. Liga da Justiça não é tão dramático, forte e deprimente quanto Batman vs Superman. Ele é leve, tem muitas piadas (sendo Barry o personagem de alívio cômico, o que funciona bem no filme inteiro), mas fica superficial demais.

O Batman está muito diferente do que vimos em Batman vs Superman. Enquanto lá ele era sério e com cara de triste, e tinha a vida atormentada, aqui ele está mais leve, mais simpático, mais aberto e com mais bom humor. É difícil aceitar que só porque o Superman morreu tentando salvar o mundo e ele se sentiu culpado por isso, o fez mudar tanto de uma hora para outra, até porque o seu tormento em relação à morte dos pais acontece há anos, desde que era uma criança, e nada conseguiu mudar isso de lá para cá. Para quem quer assistir ao filme descompromissadamente, essa mudança é ótima, porque ter que lidar com aquele Batman que vimos antes é complicado e é difícil para o espectador digerir. O Batman de Liga da Justiça funciona dentro do filme, no clima em que é feito e no que ele se propõe. O problema é quando você lembra que isso é um universo compartilhado, e então vê essa mudança tão grande de personalidade entre um filme e outro.

Outra impressão que tive é que esse Bruce Wayne está mais cansado. Não sei se é porque tinha muita gente poderosa nesse filme, mas esse Batman não pareceu tão ativo quanto no outro filme. Não podemos nem mesmo dizer que ele funciona como o líder e a mente pensante, porque esse posto é dividido entre ele e Diana, e até mesmo Victor. Os três têm ideias e informações, e por isso terminam dando as ordens, enquanto que para Barry e Arthur só sobra a execução (mas os outros também participam das lutas). Ele termina ficando meio que em segundo plano algumas vezes, participando mais do momento do planejamento do que da luta em si. Ele também é mostrado como o cara do dinheiro, algo que poderíamos comparar com Tony Stark, mas com a diferença de que Tony tem um status de herói bem maior nos filmes que aparece. Esse Batman ficou sobrando, foi mal trabalhado. Ele tem uma boa cena inicial, mas depois o que vemos são apenas saltos e ele usando aquela pistola que atira uma corda. Aqueles óculos escuros que ele usa com a armadura no final do filme, que já vimos nos trailers, é horrível.

A Mulher-Maravilha tem uma ótima cena inicial, que é incrível, mas ao longo do filme ela vai se tornando mais fraca. Ela ainda é a mais forte do grupo, mas quando o vilão chega ela não é capaz de detê-lo, mas de apenas continuar combatendo durante um tempo. Tudo bem o vilão ser mais forte que todos da Liga, mas acho que isso foi feito de maneira proposital para mostrar o quanto o Superman era necessário.

Falando em Superman, eu esperava mais da volta dele. Teve uma luta dele com um dos heróis (que eu até torcia para que acontecesse), mas que não é tão boa quanto eu imaginava. Ela é "seca" e acaba rápido. Acho até que a luta de Superman e Batman em Batman vs Superman, mesmo sendo rápida, ainda assim foi melhor que essa que foi mostrada em Liga da Justiça.

SPOILER: A primeira cena do filme é uma filmagem do Superman e ele está sorrindo. Aquilo já mostra o que devemos esperar do Superman. Essa foi uma cena que eu gostei, porque ver o Superman sorrindo e inspirando esperança de um jeito positivo nas pessoas foi algo que a gente não viu ainda nesse universo da DC. Quando ele volta, ele realmente está mudado e isso é bom.

Mas não gostei da cena da volta dele, porque primeiro ele estava parecendo confuso e sem memória, mas depois lembrou do Batman como inimigo, e lhe atacou fazendo referência ao filme anterior (e não se lembrando que eles já tinham feito as pazes e lutado juntos). Mas o que lhe trouxe de volta à consciência foi ver Lois Lane. Foi um jeito tosco porque de uma hora para outra ele mudou. Como é que em um momento ele parece confuso, em outro ele parece saber quem é o Batman, mas só quando Lois chega é que ele lembra de tudo e já está de bom humor? Isso foi muito rápido e repentino. Se a fase em que ele fica confuso fosse um pouco mais longa, assim como uma melhor cena de luta dele com os outros heróis, e se nessa parte ele realmente estivesse confuso e sem se lembrar de nada (ao invés de se lembrar de uma coisa, mas outra não), a volta da consciência dele através de Lois Lane seria mais convincente.


Aquaman e Ciborgue não têm tempo suficiente para se desenvolverem bem. Eles são apenas introduzidos e ainda não me convenceram. Aquaman tem algumas cenas legais, mas são poucas. Se os filmes solo dos dois já tivesse sido feito seria melhor, porque ao invés de perder tempo apresentando eles, o ambiente onde vivem e seus dramas (no caso do Ciborgue), eles poderiam ter cenas em que fossem mais úteis, tanto na ação quanto no desenvolvimento e entrosamento entre os personagens, que é algo que vemos ser bem trabalhado em Os Vingadores. Se todos os personagens já tivessem os seus filmes solo, Liga da Justiça poderia ser realmente um filme da Liga da Justiça, e não um filme de origem superficial do Flash, do Ciborgue e do Aquaman e um filme sobre a ressurreição do Superman, misturado a uma historinha básica e rápida da equipe.

O vilão é forte, é poderoso, mas é mal desenvolvido. Ele só está ali como motivo para juntar os heróis e formar a Liga da Justiça, porque ele em si é totalmente dispensável. É o típico vilão que quer dominar a Terra sem nenhum motivo e então começa uma guerra. É uma ameaça iminente usada para justificar as cenas de ação, mas que não nos faz sentir que a Terra está mesmo sendo ameaçada. Lembra Ultron, mas só que pior, porque em Vingadores: Era de Ultron pelo menos vemos as pessoas sendo ameaçadas e com medo, enquanto que em Liga da Justiça apenas uma família é usada no filme inteiro para mostrar a ameaça do "grande" vilão que quer acabar com a Terra. Isso mesmo, apenas uma família. Os ataques que o Lobo da Estepe faz realmente são em Themyscira e Atlantis, sendo que só o de Themyscira é algo que realmente parece ameaçador e grande (numa cena no início do filme), porque todo o resto é só ele juntando as caixas maternas (de um jeito bem fácil) e tentando impedir que a Liga da Justiça atrapalhe os seus planos. Aliás, as melhores cenas de ação estão no início do filme. E para piorar, a cena final, como já era de se esperar, é escura. E os efeitos também são bem ruins, parece filme barato.

Até mesmo uma discussão que os heróis têm entre si é rápida e não aprofundada, diferente do que vimos nos dois filmes dos Vingadores anteriores, em que as discussões entre os personagens é mais aprofundada, tanto em relação às conversas científicas quanto às brigas em si.

O filme é bom, mas não surpreende. Não chega a ser ruim, mas não é ótimo. Ele ainda sofre com a indecisão da Warner em não saber como fazer esses filmes. O maior problema, como já mencionado, é querer chegar ao ponto que a Marvel chegou sem passar por todo o processo. Outro problema foi querer ser diferente demais e não ter agradado o público e nem a crítica. E agora estão tentando correr atrás do prejuízo fazendo filmes mais leves, mas ainda não acharam o tom certo. Se os filmes são dramáticos, eles são dramáticos demais. Se o filme é mais leve, termina ficando superficial demais. E mesmo que desde o começo o objetivo de Liga da Justiça era ser mais leve e engraçado, ele ainda mantém o visual e alguns vícios de Zack Snyder, em querer fazer cenas com menos cores e uma cena escura no final. A Warner tem nas mãos os maiores heróis. Os heróis da DC sempre foram mais populares que os da Marvel, mas está óbvio desde anos atrás que eles não estão fazendo do jeito certo e estão estragando tudo cada vez mais. Quando o objetivo não era fazer um universo (e consequentemente não precisavam imitar a Marvel ou querer ser diferente para se destacar) eles conseguiram, de maneira mais despretensiosa, fazer uma trilogia de filmes do Batman que foi memorável, que foi a trilogia de Nolan. Não precisa imitar ninguém e não precisa fazer tão diferente. É só olhar para trás, para a sua própria história, ver o que deu certo e tentar fazer igual.

Eu não estava com expectativas altas para Liga da Justiça, e esperava que fosse mediano como os filmes de heróis (da Marvel e DC) vêm sido ultimamente, mas mesmo assim é desanimador você ver o filme e saber que ele poderia ter sido melhor.

Nota:




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Resenha: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Título Original: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Título Nacional: Spider-Man: Homecoming

Direção: Jon Watts

Gênero: Ação, aventura

Duração: 2h14min

Estreia: 6 de julho de 2017

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar cumpre a sua promessa de se inspirar nos filmes de John Hughes. Boa parte do filme se parece muito com um filme de John Hughes e tem muitas das suas características, mas não chega a se aprofundar nas relações entre os personagens, até porque esse ainda é um filme de super-herói e tem outras coisas para mostrar. O problema é que ele terminou não mostrando nenhum dos dois lados de forma completa. Toda a parte de Peter na escola é boa e tem boas piadas (apesar de não ter me feito morrer de rir). Algumas outras partes são mais caricatas (como o Homem-Aranha sair esbarrando em tudo enquanto está com a teia presa a um carro em movimento) lembrando muito um desenho animado.

SPOILER: Apesar das piadas serem boas, tem algumas que achei forçadas, tentando fazer graça de adolescente, como dizer: “Pinto Parker”, “sei que o seu corpo está mudando”, “estava assistindo pornô” e o “que p. é essa?!” no fim do filme. Achei que ficaram discrepantes em relação ao resto. Tentei pensar em algum motivo para isso até que me lembrei que estão entre os roteiristas desse filme Jonathan M. Goldstein e John Francis Daley, os mesmos de Férias Frustradas, que é um filme divertidíssimo, mas que tem uma classificação indicativa e um público-alvo diferente desse filme. Olhando o todo acho que eles souberam se conter, mas ainda tiveram essas piadas. É bom para o público adolescente, mas não sei se é bom para as crianças ou para quem vai assistir em família.

O filme funciona bem com toda essa parte escolar e de adolescente apaixonado, mas quando você se lembra que está assistindo a um filme de super-herói percebe que ele fica devendo. A ação demora para acontecer e só depois de 1h30min de duração é que você sente que ela está mais consistente e com boas cenas. Até então o que você vê é o Homem-Aranha sendo subaproveitado pegando pequenos ladrões, fazendo piadas e ajudando as pessoas do seu bairro, fazendo jus ao título “o amigão da vizinhança”.

Outro problema é que ele parece fraco. Você sabe que o Homem-Aranha é forte, mas ele não mostra a sua força. Está sempre apanhando, sempre sendo jogado, sempre se metendo em trapalhadas.

SPOILER: Ter que chegar ao ponto do Homem de Ferro ter que aparecer para salvar o dia é uma vergonha e uma decepção. Aquilo meio que quebra toda a expectativa de melhora que você tinha em relação ao resto do filme.

A justificativa para todos os defeitos do Homem-Aranha falados até aqui é por ele ser iniciante e ainda estar aprendendo. Isso é bom porque conta a história do Homem-Aranha realmente do começo, mostra ele cometendo erros, coisas que as duas franquias de filmes anteriores não tiveram paciência de mostrar, e também mostra o Homem-Aranha adolescente de verdade, com os seus desafios e problemas na escola e no amor. Isso é legal. O problema é que isso é feito em detrimento do super-herói. Se esse fosse o primeiro filme do Homem-Aranha a ser feito seria mais fácil aceitar o estilo que a Marvel fez, por ser mais baseado nos quadrinhos de quando o Homem-Aranha surgiu e era um adolescente. Seria um bom filme assim como o Homem-Formiga foi com o seu estilo leve e cômico. O problema é que já tivemos 5 filmes do Homem-Aranha e conhecemos todo o seu potencial heroico. Você pode gostar de Homem-Aranha de Sam Raimi ou de O Espetacular Homem-Aranha, mas uma coisa é certa: as cenas de ação dos dois são melhores que as desse filme (particularmente prefiro O Espetacular Homem-Aranha). Se essas duas franquias anteriores não mostraram mais esse lado do Peter Parker adolescente e encurtaram o seu início para que ele virasse logo de cara um super-herói pronto e completo, por outro lado, entregaram o que se espera ao ir ver um filme de super-herói.

E tem mais um detalhe: a Marvel e Sony disseram e cumpriram que não iriam mostrar a origem do Homem-Aranha de novo, e nem a morte de Tio Ben. O máximo que eles fazem é falar bem rapidamente da aranha que picou Peter. Mas se por um lado essa origem não foi mostrada, evitando ter que apresentar o Homem-Aranha a todo mundo novamente, eles perderam tempo apresentando “o novo Homem-Aranha”, com todos os recursos e funções do seu uniforme feito por Tony Stark. E são várias cenas desse tipo que levam tempo do filme. O uniforme é legal e suas funções também, mas eles descaracterizam o personagem.

SPOILER: Chega ao ponto dele dizer: “sem o uniforme eu não sou nada”. O quê? Quer dizer que só por causa de um visor, teias diferentes e uma assistente de inteligência artificial ele se torna um “grande” herói e depois não pode mais nada sem ele? Já vimos Homens-Aranhas melhores no cinema. Esse Homem-Aranha aqui teve que se provar (e com esforço) que era bom sem o uniforme para poder merecê-lo de volta. E pelo que vimos no final, ainda vai ter o Aranha de Ferro vindo por aí. Mais Homem-Aranha artificial e altamente dependente de um uniforme, ao invés de depender das suas habilidades e poderes em si. É quase uma nova versão do Homem de Ferro.

Até aqui falei apenas dos defeitos desse Homem-Aranha, mas ele tem um ponto positivo: a sua maior qualidade está em ser um super-herói na mais pura definição dessa palavra. Ele é realmente uma pessoa bondosa, que não quer acabar com o vilão, e sim apenas com o mal que ele faz. Ele tem sonhos de se tornar um membro dos Vingadores e de ser reconhecido por Tony Stark, mas quer mesmo é cuidar do seu bairro, do “povão”. Ele realmente tem uma preocupação em salvar as pessoas, que é algo que não vemos em nenhum dos outros super-heróis apresentados até aqui, nem da Marvel e nem da DC. Os outros heróis sempre estão envolvidos em suas próprias histórias e tentando resolver seus problemas, enquanto que o Homem-Aranha sempre pensa nos outros.

SPOILER: Tony Stark faz poucas e rápidas aparições, o que é bom porque não rouba a cena do filme (rouba só uma vez). Ele não é um mentor de Peter, ele se torna no meio do filme. No começo ele não está nem aí para Peter, provando que só lhe procurou para lhe usar na Guerra Civil (aliás, o início do filme nos ambienta em relação ao tempo que se passou entre Guerra Civil e De Volta ao Lar). Depois ele se torna o mentor, fazendo sempre o que é necessário. Gostei da postura de Tony em todas as suas aparições. Ele fez a coisa certa, tomou boas decisões, e se esforçou para ser um bom mentor, como quando ligou para Peter para elogiá-lo, coisa que seu pai não fazia.

Michael Keaton foi um grande acerto nesse filme. Grande ator, está muito bem aqui, como vem mostrado estar em todos os seus trabalhos recentes. O vilão que ele faz, o Abutre, é bom, mas não achei nada tão espetacular como ouvir dizer por aí. Ele é bem desenvolvido, o que em se tratando de Marvel já é motivo suficiente para comemorar, mas não tão bem desenvolvido assim. Ele é bem introduzido, tem sua história do passado e suas motivações bem contados, mostra do que é capaz de fazer e tem o seu visual muito bom. Mas acho que ele termina sendo prejudicado pelas decisões que foram tomadas para o filme e para o Homem-Aranha. Isso prejudica ele, porque ele poderia ter um pouco mais de espaço para se consolidar como um grande vilão (faltou pouco!) e para ter melhores cenas de ação.

Tom Holland está muito bem como o Peter Parker/Homem-Aranha na forma que ele foi feito nesse reboot. Ele é talentoso, mas teve pouca oportunidade de mostrar isso em trabalhos passados. Aqui podemos ver melhor o seu potencial e talento. Também foi uma escolha acertada.

Gostei também da trilha sonora. Algumas delas me lembraram as músicas clássicas de Star Wars.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um bom filme? É sim, sem dúvidas. É divertido? Sim. Mas se você tinha outras expectativas, se você esperava um ótimo filme de ação feito pela Marvel talvez se decepcione. E para as pessoas mais velhas, talvez a decepção seja maior ainda, pela falta de identificação com o personagem e sua falta de maturidade. Eu, como já sabia que o filme teria uma abordagem diferente, mostrando mais a escola e o romance, adequei as minhas expectativas, e gostei dessa parte específica, mas mesmo assim senti falta do Homem-Aranha herói de verdade, como aqueles que vimos nos outros filmes. Espero que isso melhore nos próximos filmes. O Homem-Aranha é um herói forte, e o maior da Marvel. Ele tem potencial de fazer e de ser muito mais que isso. E espero também que os próximos filmes dos Vingadores não seja uma zona de piadistas, porque esse Homem-Aranha ficou próximo do tom do Homem-Formiga, e ainda tem os heróis coadjuvantes que também fazem piadas. Isso é algo que os roteiristas e os Irmãos Russo vão ter que saber trabalhar para que não fique exagerado e não prejudique o tom dos filmes.

Nota:




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Resenha: Mulher-Maravilha

Título Original: Wonder Woman

Título Nacional: Mulher-Maravilha

Direção: Patty Jenkins

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h21min

Estreia: 1 de junho de 2017

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Não achei Mulher-Maravilha isso tudo o que disseram. O filme começa bem, contando a origem de Diana e mostrando a sua infância em Themyscira, mas depois meio que se perde. A Mulher-Maravilha apenas mostra o que sabe fazer, mas parece não fazer nada. Mesmo depois dela chegar ao mundo dos homens demora até que o filme saia dessa parte introdutória e realmente comece a engrenar. Até aí ainda existem muitas cenas com comentários e diálogos ruins, como as que falam sobre reprodução, sexo e prazer.

As primeiras cenas de ação são muito boas, mas abusam do slow motion, característica até bem parecida com as dos filmes de Zack Snyder. Tudo para mostrar cada rebater de balas e cada giro no ar que a Mulher-Maravilha dá. Mostrar isso na primeira vez é ok, mas ficar mostrando isso sempre cansa. Mas pelo menos dá para ver exatamente como se desenrolou a ação, ao contrário de alguns filmes de ação em que tudo acontece tão rápido e num ritmo tão frenético que não dá para acompanhar e saber tudo o que aconteceu.

Em compensação, essas mesmas primeiras cenas de ação já estavam nos trailers, e eu já tinha visto (e olhe que eu só assisti ao primeiro trailer). Isso porque o filme todo tem poucas cenas de ação. Ele se concentra muito no desenvolvimento e pela busca do vilão, o que termina deixando a ação de lado.

Falando em Zack Snyder, ele não teve muita influência nesse filme (ainda bem). Ele apenas criou a história, e o roteiro foi desenvolvido por Geoff Johns. Como resultado disso você vê algumas piadinhas e um tom mais leve do que você veria num filme típico de Snyder. As piadinhas não são tão engraçadas e muitas vezes não funcionam. A secretária de Steve Trevor poderia ser mais bem aproveitada nesse sentido. Por outro lado, o filme não precisava de piadas nenhuma, já que ele se passa durante a Primeira Guerra Mundial e o humor de todos é de seriedade e apreensão. Mesmo assim, o fato do filme se passar durante a Primeira Guerra Mundial não foi usado como justificativa para fazer um filme super sério e super dramático, como Zack Snyder faria.

A paleta de cores do filme é um pouco escura, mas não tão escura quanto as de outros filmes da DC. A fotografia e o figurino estão muito bons. As cenas e o visual de Themyscira são ótimos e muito bonitos. É nessas partes de Themyscira que vemos um pouco mais de cor. As cenas que se passam em Londres foram muito bem retratadas por mostrar como estava o ambiente por causa da guerra, com cara de tristeza e desolação, com cores predominantemente cinza.

Sobre Diana, ela se mostra inocente e inexperiente, mas esse era o objetivo do filme. A Mulher-Maravilha que veremos em Liga da Justiça estará mais forte e experiente, conhecendo melhor o mundo, seus costumes, os pontos positivos e negativos das pessoas, e sabendo usar melhor os seus poderes. Foi ótimo finalmente ver uma heroína da DC no cinema que é otimista, que acredita nas pessoas e que vê o melhor nelas. Foi ótimo ver uma heroína que acredita no amor. Isso é o que todos esperavam ver no Superman, mas a Warner e Zack Snyder resolveram deixar ele dramático além da conta (principalmente em Batman vs Superman).

Sobre o filme se tratar de uma heroína mulher, muita gente o elogiou como um filme que traz empoderamento para as mulheres e que mostra que elas são capazes. Eu acho que o filme mostra isso, mas apenas pelo fato de retratar no cinema uma super heroína forte, poderosa e independente, como ela tem que ser. Mas não percebi no filme um estímulo ou diálogo claro que dissessem “as mulheres podem” ou “as mulheres são fortes”. Talvez com exceção de uma cena, não vi um ativismo ou discurso feminista, o que achei ótimo, porque um filme de super-herói é para entreter, e não para passar mensagens desse tipo.

Na luta final a qualidade cai em relação às primeiras cenas de ação de Diana lutando na guerra como a Mulher-Maravilha. Quiseram fazer um super-vilão poderoso (que parece ser o que todos os filmes de super-herói querem fazer atualmente), mas só mostraram ele de última hora e não o desenvolveram corretamente. Sabíamos quem era o vilão, a sua história e o que ele estava fazendo com a humanidade através da guerra, mas isso não fez com que ele parecesse ameaçador. O que vimos foi nada mais que uma briga de luzes, raios e voos nessa luta final.

No fim o que vi foi mais um filme de super-herói ok, que é como todos os outros (herói tentando destruir o vilão, e uma simples luta do bem contra o mal) e que está contribuindo para deixar esse gênero repetitivo e enjoativo. O filme tem suas qualidades, e em até certo momento ele é bom. O que faltou foi mais cenas de ação, menos slow motion, a não forçação de piadinhas e diálogos de cunho sexual, que são bem desnecessários, um melhor desenvolvimento para o vilão e um melhor desenvolvimento geral para o filme, que ficou durante muito tempo como uma grande introdução dos acontecimentos. É um filme bom, mas só isso. Ele é esforçado em certos pontos, mas fica devendo em vários outros. Mas se considerarmos que esse foi o primeiro filme de uma grande heroína, e que por isso ele estará na história, ele foi correto, e por isso não passará vergonha.

Nota:




quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Resenha: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Título Original: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Título Nacional: Guardians of the Galaxy Vol. 2

Direção: James Gunn

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h16min

Estreia: 27 de abril de 2017

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James Gunn inovou no primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, criando um universo espacial para a Marvel e fugindo do estilo dos filmes de super-heróis já criados até então. Ele se mostrou surpreendente e descompromissado com qualquer reação considerada normal pelos personagens e pela trama. É por isso que o filme fez tanto sucesso, tanto de bilheteria quanto de crítica. Mas este segundo filme não foi tão bom assim. Nós já sabíamos o que esperar, e pelo visto James Gunn já sabia o que fazer. Ele fez o filme como o primeiro, e claro, ele deveria ter sido feito assim, para manter a identidade do primeiro filme. Mas não foi só a identidade que foi mantida, mas sim a fórmula. Se o primeiro Guardiões da Galáxia rompeu com a fórmula dos outros filmes da Marvel e nos surpreendeu, em Guardiões da Galáxia Vol. 2 percebemos que outra fórmula foi criada no primeiro filme, e que neste segundo, foi seguida. Isso tira um pouco o fator surpresa. Você não sabe o que os personagens vão falar, como vão reagir ou o que vão fazer, é claro, mas depois que acontece, você percebe que é uma situação bem parecida com outra mostrada no primeiro filme.

O filme é visualmente bonito e bem colorido. As cores são fortes e vivas, então você não vê nada de paleta de cores escuras, sóbrias e que deixe tudo meio acinzentado, como é tendência nos filmes da DC e como também esteve presente em filmes da Marvel como Homem de Ferro 3, Vingadores: Era de Ultron, Capitão América: Guerra Civil e outros. Isso é bom, sabe? É bonito, é vivo, é mais alegre, mais real e não cansa o espectador. Apesar de bem colorido, algumas cores predominam: azul, marrom, vermelho escuro, vermelho e amarelo.

O filme é mais dramático que o primeiro, e tenta várias vezes criar emoção no espectador. Os personagens conseguem ser desenvolvidos, cada um à sua maneira, se comparado ao ponto em que eles estavam no filme anterior. A exceção é Gamora, que dessa vez foi pouco usada, e só a vimos sendo aproveitada como interesse amoroso de Peter Quill e para resolver seus problemas com sua irmã. Quanto à relação de Gamora e Nebula, foi bom a forma que fizeram, porque já prepara terreno para Vingadores: Guerra Infinita. Mas mesmo assim esperava ver mais de Gamora em ação no filme.

O vilão, é o tipo de vilão genérico da Marvel. Acredito que de todos os que já foram apresentados até aqui ele é o mais poderoso, mas isso não garantiu que o filme fosse o melhor de todos. Se em todos os filmes os vilões só subirem de nível e ficarem cada vez mais poderosos, onde chegaremos? Não vai adiantar colocar Hela e Thanos, se os filmes não forem bons o suficiente. Não adianta usar super-vilões poderosos se eles agem superficialmente, se não apresentarem profundidade e se não tiverem motivação. Foi isso o que aconteceu com o vilão de Guardiões da Galáxia Vol. 2.

SPOILER: Ego é o típico vilão que quer dominar tudo sem ter nenhuma motivação. Lembrou de alguma coisa? Sim, já vimos isso antes. Tivemos o Monge de Ferro, que queria dominar as Indústrias Stark, em Homem de Ferro, Ultron, que queria dominar o mundo, Jaqueta Amarela, que queria dominar a Pym Technologies e a tecnologia de diminuição em Homem-Formiga... Os nomes de Monge de Ferro e Jaqueta Amarela tive até que pesquisar, porque eles foram tão genéricos que nem lembrava dos nomes deles.

Um exemplo de como o filme segue a fórmula e de como o vilão é sem motivação é a cena em que Ego está explicando as coisas a Peter Quill e revela que ele colocou o tumor no cérebro da mãe de Peter. No mesmo instante Peter puxa a arma e começa a atirar. E assim que recebe os tiros, Ego aprisiona Peter, e a partir daí começa a ação que inicia a parte final. Não teve um diálogo sequer. Não teve um momento da maturação dessa descoberta. Literalmente de um segundo para o outro, tudo muda e o cara até então bom passa a ser o vilão e ele e Peter Quill começam a lutar. De um segundo para o outro eles deixam de ser pai e filho que se reencontraram e passam a ser herói e vilão que querem destruir um ao outro. Tudo aconteceu muito rápido, porque simplesmente tinha que acontecer e pronto.


Pelo menos o vilão foi bem introduzido, e através dele muitas das perguntas que tínhamos no primeiro filme, e até as que não tínhamos, aqui foram respondidas. Ego pode não ter sido um bom vilão em si, pode não ter sido bem desenvolvido, mas pelo menos serviu como meio para trazer explicações sobre a origem de Peter e as respostas para a sua abdução no início do filme anterior.

Mesmo assim, depois que o filme acaba, você sente que ele não foi tão bem feito quanto o anterior, justamente por não ter sido surpreendente, e por ser mais do mesmo. É por isso que estou enjoado dos filmes de super-heróis, não só da Marvel, mas de todos, porque é sempre a mesma história, só que com vilões, personagens e situações diferentes. Tudo se torna muito simples e óbvio. Como eu disse anteriormente, você pode não saber o que um personagem irá falar, fazer ou como irá reagir, mas no fundo no fundo, o filme é o mesmo que os outros já feitos.

Isso quer dizer que Guardiões da Galáxia Vol. 2 é ruim? Não, ele é um ótimo filme. Ele é divertido e dá para passar o tempo. As piadas, tirando uma ou outra, são todas boas. Elas não te fazem morrer de rir, mas são bem sacadas e divertem. O filme como um todo, apesar de ter seguido a chamada “Fórmula Marvel”, é um bom filme. A decepção fica apenas por ser mais do mesmo, quando eu esperava no mínimo um filme do mesmo nível que o primeiro. Ah, e as músicas não ficaram tão boas e marcantes quanto as do primeiro filme.

Nota:




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Resenha: Kingsman: O Círculo Dourado

Título Original: Kingsman: O Círculo Dourado

Título Nacional: Kingsman: The Golden Circle

Direção: Matthew Vaughn

Gênero: Ação, aventura, comédia

Duração: 2h21min

Estreia: 28 de setembro de 2017






Kingsman: O Círculo Dourado é um filme que segue a fórmula do anterior, repetindo tudo o que deu certo: a ação rápida, desenfreada e sem muito sentido, mas que é bonita e incrível, as cores, o estilo das vestimentas e dos locais, o tom cômico e as piadas. É realmente um filme divertido. O seu único problema é que tem muito palavrão, e assim como no filme anterior, tem uma cena apelativa de cunho sexual. Não sei qual a necessidade do filme em ter uma cena assim (a cena final do filme anterior inclusive foi criticada), mas parece que eles insistem nesse tipo de cena e de apelação para dizer que faz parte da identidade de Kingsman. A franquia foi concebida assim, então nem dá para dizer que poderia ser daquele jeito ou de outro, até porque não temos um referencial. Mas acho que se não tivesse esse tipo de cena e se não tivesse palavrões, esse seria um ótimo filme para se assistir em família, sem que houvesse constrangimento a ninguém, porque o filme em si é bom. Ele tem ótimo ritmo, ótimos personagens, uma boa história e ótimas cenas de ação. É diferente da maioria dos filmes de ação que vemos, porque não se preocupa em parecer um mínimo realista, nem com a quantidade de mortes que terá e nem com qual dos personagens morrerá. Sem contar aqueles acessórios, que deixa tudo melhor ainda. É um filme de ação misturado com fantasia eu diria, porque tem algo super-heroico ali. Mas por preferir ter um linguajar mais vulgar e cenas desnecessárias à história, e que ficam gratuitas, termina diminuindo o seu público-alvo e deixando de ser uma opção para se assistir em família, o que é uma pena. Não estou dizendo que Kingsman deveria ser mais leve, mas sim que poderia somente cortar o desnecessário, e isso não prejudicaria em nada o filme, que ainda manteria a sua identidade.

Temos de volta Colin Firth como Harry. Por causa do que aconteceu com ele no filme anterior, ele está com algumas implicações. Isso é uma pena, porque ele termina sendo subaproveitado nesse filme. Espero que se tiver um terceiro filme que ele esteja de volta à boa forma. Mas as cenas de ação não foram prejudicadas por isso, até porque Harry não é o único personagem que sabe lutar.

O enredo é bom, mas quando chega ao final você percebe o clichê: tudo acabou bem e com final feliz para todos porque o mal foi vencido. É um final diferente do que vimos no filme anterior porque esse resolveu ir por um caminho mais fácil e seguro, enquanto o primeiro ousou mais.

SPOILER: Exemplos de cenas clichês: quando a vilã, que até então estava indo muito bem, aparece publicamente e diz que contaminou todos com um vírus, mas que ela tem o antídoto, que será distribuído se o presidente concordar com suas condições; todos sendo salvos pelo antídoto e sendo felizes no final; a vilã morta (o bem venceu o mal); o presidente preso; a cena do casamento ("felizes para sempre"). Todas elas estão concentradas no final, terminando o filme de forma mais simples e fácil.

Mas isso não prejudica o filme, até porque ele não é um filme para você pensar, ou querer complexidade dos personagens e do ambiente em que se encontram, mas sim para você se divertir com a sua história, piadas e cenas de ação.

Mais uma vez Kingsman foi um filme bem construído e surpreendente. Foi realmente um ótimo passatempo. Como eu disse na resenha do primeiro filme, é bom ver um filme de ação assim, que não está preocupado com nada e sim apenas em ser um bom filme para divertir e que deixe as pessoas mais alegres por um momento. E se antes (na resenha do primeiro filme) eu disse que ainda preferia filmes que tinham explicação para cada ato porque deixa a história mais interessante e bem elaborada, agora eu já não tenho mais essa preferência como regra. Vai depender do filme. Quando um filme traz explicações e tem mais cuidado com essa parte, fazendo com que ela seja parte integrante e complementar à história, é bom, mas quando não, só deixa o filme cansativo (o que acontece em alguns filmes de super-heróis, por exemplo). Nesse caso, é melhor que não tenham explicações, mas que a função do filme de divertir e entreter seja levada em mais consideração.

Nota: