terça-feira, 5 de junho de 2018

Fim do blog

Olá leitores!

Já faz um tempo que não posto aqui, venho estado desanimado com os meus blogs de modo geral, porque as visitas vem caindo e as coisas já não são mais como eram antes. Em relação ao Mundo Geek, faz 3 anos e meio que criei esse blog, com o objetivo de postar minhas resenhas de filmes, séries, livros e quadrinhos, e ele teve bons momentos, com boas visitas, mas que depois começaram a cair sem explicação. E mesmo na época desses bons momentos, o resultado não eram o que eu esperava ao criar o blog. Isso foi me desanimando aos poucos, até que decidi fechá-lo em breve.

As resenhas já publicadas aqui foram migradas para o meu blog pessoal, e eu vou continuar postando novas resenhas por lá. Então se quiserem continuar me acompanhando, acessem meu blog. Mas lá é o meu blog pessoal, então você não vai encontrar apenas resenhas, mas também outros textos de diversos temas que posto lá. Resolvi fazer isso porque fica mais fácil para mim cuidar de um blog só, do que de dois que dão poucos resultados.

Por enquanto vou deixar o Mundo Geek online, até que as visitas dele redirecionem completamente para o outro blog. As postagens continuarão sendo compartilhadas nas redes sociais do blog também.

Agradeço a todos que me acompanharam até aqui. Se você gosta dos meus textos, continue me acompanhando no meu outro blog.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Resenha: Projeto Flórida

Projeto Flórida - pôster nacionalTítulo Original: The Florida Project

Título Nacional: Projeto Flórida

Direção: Sean Baker

Gênero: Drama

Duração: 1h51min

Estreia: 1 de março de 2018









Projeto Flórida é um daqueles filmes que não contam a história da maneira convencional, e mostra apenas várias cenas que parecem avulsas sobre a vida de crianças pobres que vivem numa pensão ao lado de um parque da Disney. Junto ao dia a dia das crianças é também mostrado a vida difícil dos adultos que vivem com essas crianças. Assim, de cena em cena a narrativa vai sendo construída, os personagens vão sendo apresentados, o ambiente em que todos estão vai sendo mostrado.

Logo de início o que surpreende é como as crianças do filme falam tantos palavrões e fazem gestos obscenos com as mãos. Por serem crianças pequenas isso choca, mas mostra uma realidade das pessoas mais pobres, em que os pais não são os mais preocupados nesse tipo de educação dos seus filhos. Os atores mirins são muito bons, eles conseguem agir com naturalidade, como se realmente estivessem vivendo aquilo. É como se tudo fosse brincadeira para eles. Olhando os atores mirins que participam das novelas e filmes brasileiros, vemos que quanto menores são, mais difícil são de trazerem uma atuação convincente, mas você releva por serem crianças pequenas. Mas em Projeto Flórida as crianças foram muito bem selecionadas e treinadas, elas atuam muito bem, com destaque para Brooklynn Prince, a menina que faz Moonee, a criança principal. Isso mostra que sim, é possível que crianças pequenas atuem bem, basta encontrar esses talentos.

Outra atuação que gostei foi a de Bria Vinaite, que faz Halley, a mãe de Moonee. Ela está ótima em todo o momento. Trabalha para o seu próprio sustento e para o da sua filha, faz coisas que não erradas, deixa Moonee solta na rua, mas ao mesmo tempo brinca com ela, lhe faz feliz, lhe alimenta, cuida dela, lhe ama.

O final é surpreendente e rompe com o clima que o filme vinha mostrando até então. Ele passa a ser mais dramático. Uma das reflexões que o filme deixa é sobre o que seria considerado uma boa criação, sobre o que seria considerado uma criança feliz. Moonee certamente é feliz com sua vida e com sua mãe. Não tem o melhor exemplo, não tem uma casa de verdade, e desde pequena já aprendeu a fazer e falar coisas erradas através do exemplo da sua mãe. Por outro lado, ela tem uma vida de risco solta na rua, andando e atravessando pistas sozinha, aprendendo a ter uma vida de marginal com sua mãe, o que com certeza fará ela ter menos oportunidades na vida quando crescer do que teria se estivesse numa família estruturada e que oferecesse todo apoio possível para que no futuro ela pudesse ter uma vida correta. Essa é apenas uma das mensagens e reflexões do filme, que ainda conta com outros questionamentos, como o que é uma infância feliz de verdade? Até onde a situação social e economia dos pais afeta no desenvolvimento de uma criança? Até onde isso lhe influencia? O filme também mostra as diferenças de classes sociais. Enquanto uns estão se divertindo na Disney, outros têm uma vida pacata e sofrida bem ali ao lado, numa realidade que todos ignoram.

Nota:



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha: The Post – A Guerra Secreta

The Post - A Guerra Secreta - Pôster nacionalTítulo Original: The Post

Título Nacional: The Post – A Guerra Secreta

Direção: Steven Spielberg

Gênero: Drama, biografia, história

Duração: 1h57min

Estreia: 25 de janeiro de 2018









The Post começa como se fosse uma história já embalada, não se preocupando muito em apresentar os personagens, o ambiente e a situação. Ele vai apresentando tudo isso ao longo da narrativa. É um jeito parecido com um dos filmes anteriores de Spielberg, Ponte dos Espiões. No começo pode parecer chato e arrastado, mas se você tiver um pouco de paciência e insistir no filme, na continuação ele vai conseguindo envolver o espectador. Spielberg usa essa abordagem séria e direta, com cores predominantemente cinza, azul claro e amarelo mostarda para deixar todo o clima ainda mais sério, com o intuito de passar ao espectador um clima de realidade.

O filme trata de uma investigação jornalística sobre um fato passado, um fato polêmico sobre como os Estados Unidos insistia na guerra do Vietnã mesmo sabendo que estava perdendo, e mesmo sabendo que os soldados enviados iriam morrer. Tudo isso foi feito por debaixo dos panos, apenas pelo poder dos presidentes ao longo do tempo, sem que o povo e nem o Congresso ficassem sabendo.

A história de uma investigação jornalística sobre um tema que irá mexer com a sociedade e mudar a realidade de um jornal também foi mostrada em Spotlight: Segredos Revelados, que falou sobre padres que abusavam de crianças, mas que foram acobertados. No caso de Spotlight, a narrativa é melhor que a de The Post, porque consegue envolver mais facilmente e passar a seriedade do tema e da situação sem precisar ser tão impessoal e direto. Mas eu não diria que esse é um defeito de The Post, mas apenas uma característica do diretor, que quis abordar o tema dessa maneira. O filme não é ruim – longe disso, mas, particularmente acho que uma narrativa melhor construída no início poderia fisgar o espectador mais facilmente. The Post é ótimo, e no final, com todas as indecisões e complicações que a publicação da matéria pode trazer a todos, faz o filme ficar com ótimo ritmo e bem interessante. Mas não é o tipo de filme que muita gente perseveraria em continuar assistindo depois do seu início lento e sério demais. Não é um filme para qualquer pessoa assistir, mas para quem gosta de filmes de investigação jornalística, para quem gosta de filmes mais sérios, para quem é fã de Spielberg ou para quem gosta de cinema e quer ver esses filmes que não necessariamente são sucesso de bilheteria, mas estão entre os melhores do ano e passam a concorrer em premiações, como é o caso desse filme.

SPOILER: Sobre a personagem Katherine, também chamada de Kay, que é a dona do jornal, acompanhamos uma evolução dela ao longo do filme que acho pouco factível. O editor chefe reconhece no início do filme que ela é a chefe dele, mas na mesma hora é ele quem decide que não vai enviar outro repórter para o casamento da filha do presidente, e é ele quem decide outros assuntos. Ele é insubordinado, e Kay, apesar de ser a dona, não tem autoridade. Tem um momento que Ben diz a Kay: “Se esses papeis chegarem nas minhas mãos, o que você vai fazer?”. E depois, do nada, Kay começa a ter importância, sua palavra passa a valer, ela passa a ser respeitada e até admirada por Ben. De repente ela deixa para trás o legado do seu pai e marido e diz: “a empresa agora é minha”. E depois o filme a mostra como uma heroína anônima da liberdade de imprensa.

Mas The Post é um ótimo filme. Para quem gosta de filmes desse tipo e com as características faladas nesse texto, certamente irá gostar, porque é um filme muito bem feito. Mas para quem prefere filmes de drama convencionais, talvez estranhe o estilo de The Post.

Nota:



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Está difícil acompanhar as séries de heróis da DC

Séries DC-CW

Atenção: este texto contém spoilers das atuais temporadas de Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow.

Está difícil acompanhar as séries de heróis da DC/CW. No começo elas eram boas, mas ao longo do tempo vêm se tornando repetitivas e arrastadas, e seguem uma fórmula previsível. Por exemplo, a partir da 3ª temporada Arrow se descaracterizou e passou a ser bem mais dramática que o comum. Esse marco da 3ª temporada também aconteceu com The Flash e também está acontecendo com Supergirl.

Supergirl, aliás, já desisti desde o episódio 9 da 3ª temporada. Kara mudou, está se sentindo superior só porque não é humana, está mais dramática (como já era de se esperar, já que essa é a 3ª temporada, e essa é a forma como a CW faz suas séries) por causa de Mon-El... E ainda tem aquele romance chato de Alex e Maggie, que estão dando tanto destaque. Essa não é mais a mesma Supergirl do começo, que era alegre, leve e otimista. De drama já basta Arrow, então chega.

Arrow eu já tinha decidido que ia parar de assistir na temporada passada, mas como a temporada tinha acabado com um suspense, fui olhar o primeiro episódio da 6ª temporada para saber o que aconteceu, e terminei continuando assistindo. Os primeiros episódios, como sempre estavam muito bons, mas depois as coisas começaram a desandar (como é de costume). Cayden James é um vilão interessante, mas estava ficando arrastado todas aquelas ameaças dele, e com Oliver sem conseguir fazer nada. Mas o primeiro problema foi aquele negócio de Diggle se tornar o novo Arqueiro Verde, que foi ridículo. Isso é bem coisa de quadrinhos, e é algo mais comum do que se imagina, mas acho que não caiu bem na série. Isso não me incomodou tanto quanto incomodou outras pessoas, porque eu sabia que Oliver iria voltar mais cedo ou mais tarde. Mas é chato ver que isso foi feito como um recurso do roteiro para ter o que contar nos episódios. É aí que vemos como séries de 24 episódios, que é o padrão da TV americana, muitas vezes prejudica na qualidade da série. Esse é um problema que não temos nas séries da Netflix, por exemplo, que contam toda a narrativa em poucos episódios, entre 8 e 13.

Depois tem William, o filho de Oliver, que aparece com uma postura de chato, o que dificulta muitas vezes o trabalho do pai. Quiseram colocar um drama de responsabilidade para Oliver, que agora é pai, mas desde quando ele tem essa responsabilidade com sua família e seus amigos? Ele já perdeu a sua mãe, que foi morta na sua frente, perdeu Laurel, e quase perdeu sua irmã duas vezes, e mesmo assim continuou sendo o Arqueiro Verde. Não é agora só porque tem um filho que ele vai mudar. William além de chato ainda atrapalha Oliver, como no episódio 13 da 6ª temporada, em que ele resolve ir atrás do pai no campo de batalha.

Ainda tem a divisão da equipe. Oliver começou trabalhando sozinho e conseguia fazer tudo (e fazia bem melhor que agora). Depois apareceu Felicity e Diggle, e já eram o time perfeito. E por que agora ele tem tanta necessidade de uma equipe? Desde a temporada passada, quando esses novos personagens surgiram, que colocaram essa necessidade em Oliver. O pior é que esses outros personagens não são interessantes ou indispensáveis. Depois que eles se separaram da equipe principal ficou pior ainda.

E outro drama da série, que me incomoda muito, é o de Quentin com Laurel. Entra temporada e sai temporada e Quentin perde suas filhas e ele nunca sabe como lidar com isso. Entra temporada e sai temporada e Quentin está sempre sendo um alcoólatra. E agora ele colocou na cabeça que deve correr atrás da Laurel da Terra 2 e trata-la como se fosse sua filha de verdade, e pelo jeito vai ser assim até o final da temporada. Esses roteiristas de Arrow não cansam de sempre escrever as mesmas histórias? Porque eu já cansei de assistir.

Ainda assim, mesmo estando ruim, eu estava aguentando Arrow, já decidido de que essa seria a última temporada que eu iria assistir, e que dessa vez não iria voltar. Mas então chega o episódio 13, onde apesar de ter uma virada interessante com Cayden James, surge um novo vilão, que quer dominar a cidade. Já vi isso antes em algum lugar... Ah, foi mesmo, foi só nas últimas 5 temporadas de Arrow!

Chega dessa repetição, não vou concluir a 6ª temporada de Arrow, vou abandonar por aqui mesmo. Não dá mais para continuar.

Legends of Tomorrow eu assisti só a 1ª temporada e não voltei mais porque não gostei da proposta. Eles iam de um lugar para outro, e os episódios ficavam praticamente como episódios independentes, com pouca conexão entre si. O vilão Vandal Savage era péssimo e a relação entre todos da equipe não fluía bem. A impressão que tenho é que Legends of Tomorrow foi criada para ser a lixeira das séries da CW. É para lá que mandam os personagens secundários das séries principais que não têm mais utilidade. O último a ir para lá foi o Kid Flash. Foi bom para The Flash, que se livrou de um personagem chato, que só queria aparecer, agia como criança e precisava que Barry agisse com babá para consertar a bagunça que ele fez. Pelo menos entrou no lugar dele Ralph, o Homem-Elástico, que foi uma ótima adição à equipe e à série. Mas uma série como Legends of Tomorrow e com os personagens que ela tem, não me dá vontade nenhuma de assistir.

Também não assisti a série nova, Black Lightning, sobre o Raio Negro, porque o que posso esperar dessa série? Uma 1ª temporada boa, uma 2ª temporada com algumas melhorias, uma 3ª temporada dramática, uma 4ª temporada com adição de novos personagens (além dos que surgiram nas temporadas anteriores)... Essa é a fórmula CW de fazer séries de super-heróis. Não vou perder meu tempo com séries que já sei que vão andar pelo mesmo caminho das outras, porque foi isso o que aconteceu com as demais.

A única série da DC/CW que vou continuar acompanhando, pelo menos por enquanto, é The Flash, que ainda é minimamente interessante. Apesar de ter passado por maus momentos na 3ª temporada, e apesar dessa 4ª temporada estar sendo criticada por várias pessoas, eu ainda gosto. Mas não tenho nada me prendendo a ela. Se começar a ficar ruim em algum momento, seja nessa temporada ou nas próximas, eu abandono também. Não vou ficar me obrigando a assistir séries ruins, arrastadas e repetitivas só porque são da moda. Existem outras séries sem ser de super-heróis que eu não conheço ainda, e que são de ótima qualidade. Vou dar uma chance para elas e assim passar a assistir ótimas séries, séries que realmente valem a pena.

Tudo isso é uma pena. Como eu disse, no começo as séries da DC eram ótimas. A mais prejudicada foi sem dúvidas Arrow, que passou por vários momentos e vários estilos. É uma série que já está cansada pelo tempo que tem. Mas não dá para continuar assim, principalmente quando você compara com as séries da Marvel/Netflix (nem falo das séries da Marvel na TV, porque delas eu não gosto), que são de excelente qualidade. Mas você pode dizer: “a Netflix dá liberdade e as séries são com classificação de 16 e 18 anos”. É verdade, mas durante um bom tempo eu não tinha uma preferência entre séries da Marvel/Netflix e séries da DC/CW. Eu gostava das duas, porque elas tinham estilos e públicos diferentes. Cada uma tinha algo diferente a oferecer e fazia isso bem. Mas agora as séries da DC estão em decadência. Se a Warner fosse esperta (nem falo da DC, porque quem manda em tudo é a Warner), fechava o acordo com algum serviço de streaming para fazer séries de super-heróis no estilo da Netflix. Isso seria bom de ver. Mas enquanto continuarem insistindo em fazer apenas essas séries básicas para a televisão nada vai mudar, infelizmente.



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Resenha: A Estranha Vida de Timothy Green

A Estranha Vida de Timothy Green - Pôster nacionalTítulo Original: The Odd Life of Timothy Green

Título Nacional: A Estranha Vida de Timothy Green

Direção: Peter Hedges

Gênero: Comédia, drama, família, fantasia

Duração: 1h45min

Estreia: 7 de setembro de 2012









Atenção: esta resenha contém spoilers!

A Estranha Vida de Timothy Green conta a história de um casal que queria ter filhos, mas não podia, e então surge Timothy Green, um filho do jeito que os dois imaginavam. Apesar de Timothy ser do jeito que seus pais lhe imaginaram, ele tem suas estranhezas, e as suas cenas passam isso muito bem, como quando ele para tudo o que está fazendo para abrir os braços e receber a luz do sol. Às vezes essa estranheza chega a nos soar ridículo e sem noção. Não é à toa que o filme recebeu esse nome, porque é exatamente isso o que ele quis mostrar, um menino que surgiu de forma estranha e que se comporta de maneira estranha. Se quando eu via essas cenas pensava, “mas que sem noção” ou “que bizarro” é porque o filme conseguiu passar isso bem, pois essa é a mesma sensação que os outros personagens estão sentindo ao verem Timothy fazendo aquelas coisas. Isso revela uma direção acertada e uma atuação convincente do ator CJ Adams, que fez bem o papel.

O elenco adulto não é isso tudo, mas você ignora porque é um filme infantil, ou melhor, um filme para a família, já que toda a história e carga dramática dele também serve para os pais assistirem com seus filhos.

Timothy é um menino fofo e meigo. Ele é perfeito, porque se formou a partir das ideias de seus pais. Como não sentir vontade de ter um filho como ele depois de ter assistido ao filme? kkkk Eu já tinha visto outro filme que tinha uma ideia parecida com essa e que também tratava sobre o tema da adoção, que é O Menino de Ouro, um ótimo filme aliás. Se você gostou de A Estranha Vida de Timothy Green recomendo que assista esse outro filme também.

Acima de tudo, A Estranha Vida de Timothy Green é um filme sentimental. A trilha sonora escolhida é daquelas que dá um clima dramático para te fazer chorar. No meio do filme você já percebe tudo e já é previsível o que acontecerá no final, mas mesmo assim você se emociona. É um filme simples, mas bonitinho.

Nota:



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resenha: Quarto de Guerra

Quarto de Guerra - Capa DVDTítulo Original: War Room

Título Nacional: Quarto de Guerra

Direção: Alex Kendrick

Gênero: Drama

Duração: 2h

Estreia: 3 de dezembro de 2015

Comprar (DVD)







Depois de ter assistido a dois ótimos filmes evangélicos (Deus Não Está Morto e Você Acredita?), eu esperava que Quarto de Guerra fosse um filme do mesmo nível. Apesar de minha mãe ter assistido na igreja e ter gostado bastante (e pelo visto as outras irmãs da igreja também), quando eu fui assistir com o meu pai, não gostei tanto (mas ele gostou muito também). O filme começa estabelecendo a relação entre a Senhora Clara e Elizabeth de forma meio forçada, porque as duas não se conheciam, e de repente meio que já trocavam confidências. A Senhora Clara fala muito alto, e até mesmo numa simples conversa ela fala de forma muito incisiva. Isso foi uma característica da personagem que me incomodou.

A direção e a montagem das cenas são ruins. Às vezes elas parecem desconexas, quase como vários pequenos episódios de uma série, que têm início, meio e fim e que foram juntadas para virar um filme. As atuações são razoáveis, mas não conseguem salvar o roteiro fraco. Às vezes os diálogos eram tão fracos e as cenas tão clichês, que eu me peguei desconcentrado do filme, perdido nos pensamentos. Mas logo voltava, então não perdi muito.

Mas, num filme evangélico, o que realmente importa é a mensagem que é trazida, e nesse quesito, Quarto de Guerra cumpre seu objetivo, porque nos ensina sobre o poder da oração, sobre a confiança em Deus e o relacionamento com Ele. O filme também mostra que problemas no casamento existem, mas que devemos lutar por ele e pedir ajuda a Deus. Mas apesar do filme falar sobre casamento, esse tema é só um pano de fundo. A mensagem principal é que qualquer que seja o problema que você está enfrentando, você deve confiar em Deus e orar. O filme mostra como é importante ser próximo de Deus e ter um relacionamento com Ele, e como isso pode mudar nossas vidas. Outra coisa que o filme ensina é que devemos ensinar as pessoas aquilo que aprendemos na fé, devemos ajudá-las a superar suas dificuldades, lhes oferecer apoio. Todos esses são valores cristãos, que parece que vêm sido esquecidos na vida das pessoas, cada vez mais agitadas, corridas e individualistas. Mas eles devem ser lembrados e colocados em prática, porque são pilares importantes da fé. Uma parte que me chamou atenção foi quando a Senhora Clara dá café morno para Elizabeth, que reclama. Então a Senhora Clara diz: “Elizabeth, as pessoas bebem café quente ou frio, mas ninguém gosta de morno, nem mesmo o Senhor”. E essa era a situação de Elizabeth e de tantos outros cristãos de hoje: estão mornos. Isso lembra o que é dito em Apocalipse 3:16: “Assim, porque você é morno, e não é nem quente nem frio, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” (versículo que deve ter inspirado essa parte do filme). Você só se torna quente quando tem uma vida em Deus.

Mas tirando a mensagem, o filme, tecnicamente falando, não é dos melhores. Ainda mais quando me lembro do excelente trabalho que foi feito em Você Acredita?, que conectou várias histórias e personagens diferentes num filme só de uma maneira esplêndida. Mas essa é uma opinião pessoal minha, tanto que meus pais e as irmãs da igreja que assistiram gostaram bem mais do que eu. Também vi muitos elogios na internet, e o filme ainda tem melhor avaliação no IMDB do que os outros dois filmes evangélicos que eu citei aqui. Achei a informação que na semana de estreia nos Estados Unidos, Quarto de Guerra chegou a ficar em segundo lugar nas bilheterias. Foi um feito e tanto. Assista ao filme, talvez você goste dele e até se identifique com os personagens.

Nota:



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Resenha: Bright

Bright - PôsterTítulo Original: Bright

Título Nacional: Bright

Direção: David Ayer

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 1h57min

Estreia: 22 de dezembro de 2017











Atenção: esta resenha contém spoilers!

Bright tem uma ideia interessante. É um blockbuster que quer passar uma mensagem sobre racismo e segregação racial, se utilizando da fantasia para mostrar o que acontece ou já aconteceu no nosso mundo. E justamente um negro (Will Smith) é que está no papel principal, também sendo um dos que têm preconceito com os orcs (chamados pejorativamente de “pele de porco”), sendo que o que o filme quis representar é o preconceito com os negros e a antiga segregação racial que existiu nos Estados Unidos. Uma cena que me chamou bastante atenção, ainda no início do filme é quando aparece os policiais batendo com muita violência num orc. Ser orc é sinônimo de ser bandido, e por isso são caçados como animais e apanham dos policiais. Situação muito parecida com a que encontramos até hoje nas polícias americanas e brasileiras em relação aos negros. A escolha da fantasia para mostrar essa crítica social foi válida, porque fez de forma não convencional e ainda conseguiu deixar a crítica social clara.

O filme é também uma boa aventura e uma boa ação. Mas quanto ao mundo de fantasia criado, ele não consegue se aprofundar muito. No final é que vemos um aprofundamento nessa área, mas ele destoa do que vimos do filme até então, porque no começo o filme é sobre preconceito, depois vira uma aventura de fuga (que é a melhor parte do filme), e depois entra de vez no universo da magia. A cena em que o “Senhor das Trevas” é invocado é ruim, porque dá um ar grotesco e diabólico que não tinha antes. Seria mais uniforme se o universo da fantasia se limitasse aos diferentes seres que vivem no mundo, sem precisar de magia nenhuma. Essa magia é o ponto fraco do filme, assim como todo o seu terceiro ato. Mas agora que esse universo já está criado, e um segundo filme já está por vir, eles vão ter que continuar contando essa história, continuar usando a magia e continuar com o cumprimento da tal profecia. Mas Bright seria um filme bem melhor se não tivesse pretensão de criar um universo ou de ser uma franquia. Se ele fosse um filme único de perseguição e fuga, e que ainda trouxesse essa mensagem sobre o preconceito, com aquele final com Ward e Jakoby ganhando as medalhas de honra, já estaria ótimo e teria passado mais consistência e objetividade. Ele já teria cumprido o seu objetivo.

Nota: