quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha: The Post – A Guerra Secreta

The Post - A Guerra Secreta - Pôster nacionalTítulo Original: The Post

Título Nacional: The Post – A Guerra Secreta

Direção: Steven Spielberg

Gênero: Drama, biografia, história

Duração: 1h57min

Estreia: 25 de janeiro de 2018









The Post começa como se fosse uma história já embalada, não se preocupando muito em apresentar os personagens, o ambiente e a situação. Ele vai apresentando tudo isso ao longo da narrativa. É um jeito parecido com um dos filmes anteriores de Spielberg, Ponte dos Espiões. No começo pode parecer chato e arrastado, mas se você tiver um pouco de paciência e insistir no filme, na continuação ele vai conseguindo envolver o espectador. Spielberg usa essa abordagem séria e direta, com cores predominantemente cinza, azul claro e amarelo mostarda para deixar todo o clima ainda mais sério, com o intuito de passar ao espectador um clima de realidade.

O filme trata de uma investigação jornalística sobre um fato passado, um fato polêmico sobre como os Estados Unidos insistia na guerra do Vietnã mesmo sabendo que estava perdendo, e mesmo sabendo que os soldados enviados iriam morrer. Tudo isso foi feito por debaixo dos panos, apenas pelo poder dos presidentes ao longo do tempo, sem que o povo e nem o Congresso ficassem sabendo.

A história de uma investigação jornalística sobre um tema que irá mexer com a sociedade e mudar a realidade de um jornal também foi mostrada em Spotlight: Segredos Revelados, que falou sobre padres que abusavam de crianças, mas que foram acobertados. No caso de Spotlight, a narrativa é melhor que a de The Post, porque consegue envolver mais facilmente e passar a seriedade do tema e da situação sem precisar ser tão impessoal e direto. Mas eu não diria que esse é um defeito de The Post, mas apenas uma característica do diretor, que quis abordar o tema dessa maneira. O filme não é ruim – longe disso, mas, particularmente acho que uma narrativa melhor construída no início poderia fisgar o espectador mais facilmente. The Post é ótimo, e no final, com todas as indecisões e complicações que a publicação da matéria pode trazer a todos, faz o filme ficar com ótimo ritmo e bem interessante. Mas não é o tipo de filme que muita gente perseveraria em continuar assistindo depois do seu início lento e sério demais. Não é um filme para qualquer pessoa assistir, mas para quem gosta de filmes de investigação jornalística, para quem gosta de filmes mais sérios, para quem é fã de Spielberg ou para quem gosta de cinema e quer ver esses filmes que não necessariamente são sucesso de bilheteria, mas estão entre os melhores do ano e passam a concorrer em premiações, como é o caso desse filme.

SPOILER: Sobre a personagem Katherine, também chamada de Kay, que é a dona do jornal, acompanhamos uma evolução dela ao longo do filme que acho pouco factível. O editor chefe reconhece no início do filme que ela é a chefe dele, mas na mesma hora é ele quem decide que não vai enviar outro repórter para o casamento da filha do presidente, e é ele quem decide outros assuntos. Ele é insubordinado, e Kay, apesar de ser a dona, não tem autoridade. Tem um momento que Ben diz a Kay: “Se esses papeis chegarem nas minhas mãos, o que você vai fazer?”. E depois, do nada, Kay começa a ter importância, sua palavra passa a valer, ela passa a ser respeitada e até admirada por Ben. De repente ela deixa para trás o legado do seu pai e marido e diz: “a empresa agora é minha”. E depois o filme a mostra como uma heroína anônima da liberdade de imprensa.

Mas The Post é um ótimo filme. Para quem gosta de filmes desse tipo e com as características faladas nesse texto, certamente irá gostar, porque é um filme muito bem feito. Mas para quem prefere filmes de drama convencionais, talvez estranhe o estilo de The Post.

Nota:



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Está difícil acompanhar as séries de heróis da DC

Séries DC-CW

Atenção: este texto contém spoilers das atuais temporadas de Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow.

Está difícil acompanhar as séries de heróis da DC/CW. No começo elas eram boas, mas ao longo do tempo vêm se tornando repetitivas e arrastadas, e seguem uma fórmula previsível. Por exemplo, a partir da 3ª temporada Arrow se descaracterizou e passou a ser bem mais dramática que o comum. Esse marco da 3ª temporada também aconteceu com The Flash e também está acontecendo com Supergirl.

Supergirl, aliás, já desisti desde o episódio 9 da 3ª temporada. Kara mudou, está se sentindo superior só porque não é humana, está mais dramática (como já era de se esperar, já que essa é a 3ª temporada, e essa é a forma como a CW faz suas séries) por causa de Mon-El... E ainda tem aquele romance chato de Alex e Maggie, que estão dando tanto destaque. Essa não é mais a mesma Supergirl do começo, que era alegre, leve e otimista. De drama já basta Arrow, então chega.

Arrow eu já tinha decidido que ia parar de assistir na temporada passada, mas como a temporada tinha acabado com um suspense, fui olhar o primeiro episódio da 6ª temporada para saber o que aconteceu, e terminei continuando assistindo. Os primeiros episódios, como sempre estavam muito bons, mas depois as coisas começaram a desandar (como é de costume). Cayden James é um vilão interessante, mas estava ficando arrastado todas aquelas ameaças dele, e com Oliver sem conseguir fazer nada. Mas o primeiro problema foi aquele negócio de Diggle se tornar o novo Arqueiro Verde, que foi ridículo. Isso é bem coisa de quadrinhos, e é algo mais comum do que se imagina, mas acho que não caiu bem na série. Isso não me incomodou tanto quanto incomodou outras pessoas, porque eu sabia que Oliver iria voltar mais cedo ou mais tarde. Mas é chato ver que isso foi feito como um recurso do roteiro para ter o que contar nos episódios. É aí que vemos como séries de 24 episódios, que é o padrão da TV americana, muitas vezes prejudica na qualidade da série. Esse é um problema que não temos nas séries da Netflix, por exemplo, que contam toda a narrativa em poucos episódios, entre 8 e 13.

Depois tem William, o filho de Oliver, que aparece com uma postura de chato, o que dificulta muitas vezes o trabalho do pai. Quiseram colocar um drama de responsabilidade para Oliver, que agora é pai, mas desde quando ele tem essa responsabilidade com sua família e seus amigos? Ele já perdeu a sua mãe, que foi morta na sua frente, perdeu Laurel, e quase perdeu sua irmã duas vezes, e mesmo assim continuou sendo o Arqueiro Verde. Não é agora só porque tem um filho que ele vai mudar. William além de chato ainda atrapalha Oliver, como no episódio 13 da 6ª temporada, em que ele resolve ir atrás do pai no campo de batalha.

Ainda tem a divisão da equipe. Oliver começou trabalhando sozinho e conseguia fazer tudo (e fazia bem melhor que agora). Depois apareceu Felicity e Diggle, e já eram o time perfeito. E por que agora ele tem tanta necessidade de uma equipe? Desde a temporada passada, quando esses novos personagens surgiram, que colocaram essa necessidade em Oliver. O pior é que esses outros personagens não são interessantes ou indispensáveis. Depois que eles se separaram da equipe principal ficou pior ainda.

E outro drama da série, que me incomoda muito, é o de Quentin com Laurel. Entra temporada e sai temporada e Quentin perde suas filhas e ele nunca sabe como lidar com isso. Entra temporada e sai temporada e Quentin está sempre sendo um alcoólatra. E agora ele colocou na cabeça que deve correr atrás da Laurel da Terra 2 e trata-la como se fosse sua filha de verdade, e pelo jeito vai ser assim até o final da temporada. Esses roteiristas de Arrow não cansam de sempre escrever as mesmas histórias? Porque eu já cansei de assistir.

Ainda assim, mesmo estando ruim, eu estava aguentando Arrow, já decidido de que essa seria a última temporada que eu iria assistir, e que dessa vez não iria voltar. Mas então chega o episódio 13, onde apesar de ter uma virada interessante com Cayden James, surge um novo vilão, que quer dominar a cidade. Já vi isso antes em algum lugar... Ah, foi mesmo, foi só nas últimas 5 temporadas de Arrow!

Chega dessa repetição, não vou concluir a 6ª temporada de Arrow, vou abandonar por aqui mesmo. Não dá mais para continuar.

Legends of Tomorrow eu assisti só a 1ª temporada e não voltei mais porque não gostei da proposta. Eles iam de um lugar para outro, e os episódios ficavam praticamente como episódios independentes, com pouca conexão entre si. O vilão Vandal Savage era péssimo e a relação entre todos da equipe não fluía bem. A impressão que tenho é que Legends of Tomorrow foi criada para ser a lixeira das séries da CW. É para lá que mandam os personagens secundários das séries principais que não têm mais utilidade. O último a ir para lá foi o Kid Flash. Foi bom para The Flash, que se livrou de um personagem chato, que só queria aparecer, agia como criança e precisava que Barry agisse com babá para consertar a bagunça que ele fez. Pelo menos entrou no lugar dele Ralph, o Homem-Elástico, que foi uma ótima adição à equipe e à série. Mas uma série como Legends of Tomorrow e com os personagens que ela tem, não me dá vontade nenhuma de assistir.

Também não assisti a série nova, Black Lightning, sobre o Raio Negro, porque o que posso esperar dessa série? Uma 1ª temporada boa, uma 2ª temporada com algumas melhorias, uma 3ª temporada dramática, uma 4ª temporada com adição de novos personagens (além dos que surgiram nas temporadas anteriores)... Essa é a fórmula CW de fazer séries de super-heróis. Não vou perder meu tempo com séries que já sei que vão andar pelo mesmo caminho das outras, porque foi isso o que aconteceu com as demais.

A única série da DC/CW que vou continuar acompanhando, pelo menos por enquanto, é The Flash, que ainda é minimamente interessante. Apesar de ter passado por maus momentos na 3ª temporada, e apesar dessa 4ª temporada estar sendo criticada por várias pessoas, eu ainda gosto. Mas não tenho nada me prendendo a ela. Se começar a ficar ruim em algum momento, seja nessa temporada ou nas próximas, eu abandono também. Não vou ficar me obrigando a assistir séries ruins, arrastadas e repetitivas só porque são da moda. Existem outras séries sem ser de super-heróis que eu não conheço ainda, e que são de ótima qualidade. Vou dar uma chance para elas e assim passar a assistir ótimas séries, séries que realmente valem a pena.

Tudo isso é uma pena. Como eu disse, no começo as séries da DC eram ótimas. A mais prejudicada foi sem dúvidas Arrow, que passou por vários momentos e vários estilos. É uma série que já está cansada pelo tempo que tem. Mas não dá para continuar assim, principalmente quando você compara com as séries da Marvel/Netflix (nem falo das séries da Marvel na TV, porque delas eu não gosto), que são de excelente qualidade. Mas você pode dizer: “a Netflix dá liberdade e as séries são com classificação de 16 e 18 anos”. É verdade, mas durante um bom tempo eu não tinha uma preferência entre séries da Marvel/Netflix e séries da DC/CW. Eu gostava das duas, porque elas tinham estilos e públicos diferentes. Cada uma tinha algo diferente a oferecer e fazia isso bem. Mas agora as séries da DC estão em decadência. Se a Warner fosse esperta (nem falo da DC, porque quem manda em tudo é a Warner), fechava o acordo com algum serviço de streaming para fazer séries de super-heróis no estilo da Netflix. Isso seria bom de ver. Mas enquanto continuarem insistindo em fazer apenas essas séries básicas para a televisão nada vai mudar, infelizmente.



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Resenha: A Estranha Vida de Timothy Green

A Estranha Vida de Timothy Green - Pôster nacionalTítulo Original: The Odd Life of Timothy Green

Título Nacional: A Estranha Vida de Timothy Green

Direção: Peter Hedges

Gênero: Comédia, drama, família, fantasia

Duração: 1h45min

Estreia: 7 de setembro de 2012









Atenção: esta resenha contém spoilers!

A Estranha Vida de Timothy Green conta a história de um casal que queria ter filhos, mas não podia, e então surge Timothy Green, um filho do jeito que os dois imaginavam. Apesar de Timothy ser do jeito que seus pais lhe imaginaram, ele tem suas estranhezas, e as suas cenas passam isso muito bem, como quando ele para tudo o que está fazendo para abrir os braços e receber a luz do sol. Às vezes essa estranheza chega a nos soar ridículo e sem noção. Não é à toa que o filme recebeu esse nome, porque é exatamente isso o que ele quis mostrar, um menino que surgiu de forma estranha e que se comporta de maneira estranha. Se quando eu via essas cenas pensava, “mas que sem noção” ou “que bizarro” é porque o filme conseguiu passar isso bem, pois essa é a mesma sensação que os outros personagens estão sentindo ao verem Timothy fazendo aquelas coisas. Isso revela uma direção acertada e uma atuação convincente do ator CJ Adams, que fez bem o papel.

O elenco adulto não é isso tudo, mas você ignora porque é um filme infantil, ou melhor, um filme para a família, já que toda a história e carga dramática dele também serve para os pais assistirem com seus filhos.

Timothy é um menino fofo e meigo. Ele é perfeito, porque se formou a partir das ideias de seus pais. Como não sentir vontade de ter um filho como ele depois de ter assistido ao filme? kkkk Eu já tinha visto outro filme que tinha uma ideia parecida com essa e que também tratava sobre o tema da adoção, que é O Menino de Ouro, um ótimo filme aliás. Se você gostou de A Estranha Vida de Timothy Green recomendo que assista esse outro filme também.

Acima de tudo, A Estranha Vida de Timothy Green é um filme sentimental. A trilha sonora escolhida é daquelas que dá um clima dramático para te fazer chorar. No meio do filme você já percebe tudo e já é previsível o que acontecerá no final, mas mesmo assim você se emociona. É um filme simples, mas bonitinho.

Nota:



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resenha: Quarto de Guerra

Quarto de Guerra - Capa DVDTítulo Original: War Room

Título Nacional: Quarto de Guerra

Direção: Alex Kendrick

Gênero: Drama

Duração: 2h

Estreia: 3 de dezembro de 2015

Comprar (DVD)







Depois de ter assistido a dois ótimos filmes evangélicos (Deus Não Está Morto e Você Acredita?), eu esperava que Quarto de Guerra fosse um filme do mesmo nível. Apesar de minha mãe ter assistido na igreja e ter gostado bastante (e pelo visto as outras irmãs da igreja também), quando eu fui assistir com o meu pai, não gostei tanto (mas ele gostou muito também). O filme começa estabelecendo a relação entre a Senhora Clara e Elizabeth de forma meio forçada, porque as duas não se conheciam, e de repente meio que já trocavam confidências. A Senhora Clara fala muito alto, e até mesmo numa simples conversa ela fala de forma muito incisiva. Isso foi uma característica da personagem que me incomodou.

A direção e a montagem das cenas são ruins. Às vezes elas parecem desconexas, quase como vários pequenos episódios de uma série, que têm início, meio e fim e que foram juntadas para virar um filme. As atuações são razoáveis, mas não conseguem salvar o roteiro fraco. Às vezes os diálogos eram tão fracos e as cenas tão clichês, que eu me peguei desconcentrado do filme, perdido nos pensamentos. Mas logo voltava, então não perdi muito.

Mas, num filme evangélico, o que realmente importa é a mensagem que é trazida, e nesse quesito, Quarto de Guerra cumpre seu objetivo, porque nos ensina sobre o poder da oração, sobre a confiança em Deus e o relacionamento com Ele. O filme também mostra que problemas no casamento existem, mas que devemos lutar por ele e pedir ajuda a Deus. Mas apesar do filme falar sobre casamento, esse tema é só um pano de fundo. A mensagem principal é que qualquer que seja o problema que você está enfrentando, você deve confiar em Deus e orar. O filme mostra como é importante ser próximo de Deus e ter um relacionamento com Ele, e como isso pode mudar nossas vidas. Outra coisa que o filme ensina é que devemos ensinar as pessoas aquilo que aprendemos na fé, devemos ajudá-las a superar suas dificuldades, lhes oferecer apoio. Todos esses são valores cristãos, que parece que vêm sido esquecidos na vida das pessoas, cada vez mais agitadas, corridas e individualistas. Mas eles devem ser lembrados e colocados em prática, porque são pilares importantes da fé. Uma parte que me chamou atenção foi quando a Senhora Clara dá café morno para Elizabeth, que reclama. Então a Senhora Clara diz: “Elizabeth, as pessoas bebem café quente ou frio, mas ninguém gosta de morno, nem mesmo o Senhor”. E essa era a situação de Elizabeth e de tantos outros cristãos de hoje: estão mornos. Isso lembra o que é dito em Apocalipse 3:16: “Assim, porque você é morno, e não é nem quente nem frio, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” (versículo que deve ter inspirado essa parte do filme). Você só se torna quente quando tem uma vida em Deus.

Mas tirando a mensagem, o filme, tecnicamente falando, não é dos melhores. Ainda mais quando me lembro do excelente trabalho que foi feito em Você Acredita?, que conectou várias histórias e personagens diferentes num filme só de uma maneira esplêndida. Mas essa é uma opinião pessoal minha, tanto que meus pais e as irmãs da igreja que assistiram gostaram bem mais do que eu. Também vi muitos elogios na internet, e o filme ainda tem melhor avaliação no IMDB do que os outros dois filmes evangélicos que eu citei aqui. Achei a informação que na semana de estreia nos Estados Unidos, Quarto de Guerra chegou a ficar em segundo lugar nas bilheterias. Foi um feito e tanto. Assista ao filme, talvez você goste dele e até se identifique com os personagens.

Nota:



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Resenha: Bright

Bright - PôsterTítulo Original: Bright

Título Nacional: Bright

Direção: David Ayer

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 1h57min

Estreia: 22 de dezembro de 2017











Atenção: esta resenha contém spoilers!

Bright tem uma ideia interessante. É um blockbuster que quer passar uma mensagem sobre racismo e segregação racial, se utilizando da fantasia para mostrar o que acontece ou já aconteceu no nosso mundo. E justamente um negro (Will Smith) é que está no papel principal, também sendo um dos que têm preconceito com os orcs (chamados pejorativamente de “pele de porco”), sendo que o que o filme quis representar é o preconceito com os negros e a antiga segregação racial que existiu nos Estados Unidos. Uma cena que me chamou bastante atenção, ainda no início do filme é quando aparece os policiais batendo com muita violência num orc. Ser orc é sinônimo de ser bandido, e por isso são caçados como animais e apanham dos policiais. Situação muito parecida com a que encontramos até hoje nas polícias americanas e brasileiras em relação aos negros. A escolha da fantasia para mostrar essa crítica social foi válida, porque fez de forma não convencional e ainda conseguiu deixar a crítica social clara.

O filme é também uma boa aventura e uma boa ação. Mas quanto ao mundo de fantasia criado, ele não consegue se aprofundar muito. No final é que vemos um aprofundamento nessa área, mas ele destoa do que vimos do filme até então, porque no começo o filme é sobre preconceito, depois vira uma aventura de fuga (que é a melhor parte do filme), e depois entra de vez no universo da magia. A cena em que o “Senhor das Trevas” é invocado é ruim, porque dá um ar grotesco e diabólico que não tinha antes. Seria mais uniforme se o universo da fantasia se limitasse aos diferentes seres que vivem no mundo, sem precisar de magia nenhuma. Essa magia é o ponto fraco do filme, assim como todo o seu terceiro ato. Mas agora que esse universo já está criado, e um segundo filme já está por vir, eles vão ter que continuar contando essa história, continuar usando a magia e continuar com o cumprimento da tal profecia. Mas Bright seria um filme bem melhor se não tivesse pretensão de criar um universo ou de ser uma franquia. Se ele fosse um filme único de perseguição e fuga, e que ainda trouxesse essa mensagem sobre o preconceito, com aquele final com Ward e Jakoby ganhando as medalhas de honra, já estaria ótimo e teria passado mais consistência e objetividade. Ele já teria cumprido o seu objetivo.

Nota:



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Resenha: Ben-Hur (1959)

Benu-Hur - 1959 - Pôster nacionalTítulo Original: Ben-Hur

Título Nacional: Ben-Hur

Direção: William Wyler

Gênero: Drama, aventura

Duração: 3h42min

Estreia: 29 de janeiro de 1960

Comprar (DVD duplo)

Comprar (DVD Edição Especial)







Geralmente filmes mais antigos que os da década de 80 não me animam muito, porque eles têm um estilo próprio, que é bem diferente do estilo de hoje, e sua narrativa costuma ser mais arrastada e focada demais nos diálogos. Mas existem exceções de grandes filmes, que se tornam clássicos e atemporais, de tão bom que são. Um deles é Quo Vadis de 1951, e outro que tive o prazer de assistir (apesar de certa relutância) foi Ben-Hur de 1959 (lançado no Brasil em 1960).

O filme, que se passa nos dias de Jesus, conta uma história fictícia de um homem que foi príncipe da Judeia antes dela ser dominada pelos romanos, e por não apoiar o novo regime é preso junto com sua família. Mas durante seu castigo ele consegue dar a volta por cima através de oportunidades que surgem, e no final conhece o poder de Jesus e o que ele pode fazer por nós. Não se trata de um filme evangélico/cristão propriamente dizendo, já que apesar de mostrar Jesus em determinados momentos e de falar do seu poder, esse não é o seu foco, e sim contar a história de Judas Ben-Hur, que tem um arco grande de ganhos, perdas, renúncia, luta consigo mesmo, reconhecimento e outros. É por isso que o filme é longo, porque o seu personagem principal passa por diversas situações, sendo um personagem complexo e muito bem trabalhado.

SPOILER: No início do filme, no encontro de Judas e Messala, deu para perceber um ar de romance homossexual entre os dois. Depois ele não aparece mais, por causa do afastamento dos dois e por Judas ter se apaixonado por Esther. Depois vi uma curiosidade do AdoroCinema que mostrou que essa não foi só uma impressão minha, mas que foi feito propositalmente.

A duração do filme, de 3h42min era outro motivo que me desmotivava a querer assisti-lo. Enquanto assistia deu para ver o porquê dele ser tão longo: ele perde tempo com diálogos menos importantes, que são longos, e que talvez caíssem melhor numa série ou novela do que num filme. Se por um lado isso faz nós termos uma ideia maior de quem são os personagens, por outro, são essas cenas que vão enchendo o filme. Às vezes as cenas mostram coisas que não são tão úteis para o desenvolvimento do filme em si, mas serve apenas como mais um indicativo para o desenvolvimento mais completo possível dos personagens.

SPOILER: Exemplos: na cena em que Judas se encontra com Messala e eles conversam, brincam, se lembram do passado e jogam lanças na parede. Essa cena é longa, mas serve para mostrar a grande amizade entre Judas e Messala. A parte da lança em específico serve para que uma cena no final do filme, em que Judas pega uma lança daquele mesmo lugar, possa fazer referência. Outra cena é a conversa enquanto Judas e sua família comem. Essa cena serve para mostrar a relação de Judas com sua mãe e irmã, o quanto Messala era querido por elas, e também serve para mostrar a riqueza de Judas. E também as cenas longas das conversas e romance de Judas e Esther. A cena de Judas remando o barco é também bem longa.

Outras partes longas é a parte em que o nome “Ben-Hur” aparece, que fica vários minutos lá apenas o nome com uma trilha de fundo, e logo depois começam os créditos (sendo que o filme já tinha começado). São 6 minutos assim. E quando começa a parte 2, também passam alguns minutos só aparecendo um nome. Isso também termina contando na duração total do filme.

Se esse filme tivesse sido feito originalmente nos dias de hoje, ele teria entre 2h e 2h30min, que é o tempo médio de um filme atualmente, e muitas dessas cenas ou deixariam de existir, ou seriam mais condensadas e dinâmicas, para que não ficassem tão paradas e longas. De fato, o cinema antigo tinha uma linguagem e um ritmo diferente do atual, o que não necessariamente é ruim, quando o filme é tão bom e bem feito quanto este.

Um ponto positivo desses filmes antigos é que existia uma preocupação maior para a construção de cenários e cuidado com os detalhes. Hoje em dia tudo é computadorizado e o filme é todo rodado dentro do estúdio com a parede verde, o que dependendo do tipo da cena, dá um bom realismo, mas quando você vê um filme em que os cenários foram construídos, tudo parece mais real e mais palpável. Existem algumas cenas desse filme que foram gravadas em chroma key, e dá para perceber claramente quando são elas, porque soam artificiais (geralmente são as cenas que mostram o mar ou o céu).

Assisti uma versão em 720p, que estava com a imagem excelente.

O figurino ficou muito bonito, mas achei sofisticado demais para a época, principalmente os das mulheres. A mesma coisa em relação aos instrumentos usados, que são claramente adaptações dos instrumentos de hoje. A cena dos cavalos na arena ficou surpreendente porque todos os cavalos andavam ao mesmo tempo, e para fazer aquilo deve ter precisado de muito treinamento e tentativas. A trilha sonora também ficou ótima, me lembrando muitas vezes a trilha de Star Wars, por causa da predominância de sons feitos por instrumentos de sopro (coisa, aliás, que faz falta nos filmes de hoje, onde as músicas em filmes de ação e aventura geralmente têm ares mais eletrônicos).

Ben-Hur foi um filme que me surpreendeu. Dado a época em que foi feito, o estilo de fazer filmes daquele tempo, as limitações tecnológicas, o esforço em se realizar um filme de grande porte como esse, e a ótima história que conta, é um excelente filme. Depois de assisti-lo descobri que ganhou 11 Oscar. Foi merecido.

Nota:



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Resenha: Star Wars: Os Últimos Jedi

Star Wars - Os Últimos Jedi - Pôster nacional 500pxTítulo Original: Star Wars: The Last Jedi

Título Nacional: Star Wars: Os Últimos Jedi

Direção: Rian Johnson

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h32min

Estreia: 14 de dezembro de 2017









Não sou fã de Star Wars, por isso as partes do filme que mais gosto são as de ação e as de fantasia, e não as que aprofundam a mitologia (e por isso gostei mais de Rogue One: Uma História Star Wars do que de Star Wars: O Despertar da Força). Em Star Wars: Os Últimos Jedi, nós somos surpreendidos de várias formas. O filme nos leva a caminhos inimagináveis e foge do comum. Quem está no centro disso é Luke, que devido a fatos passados já não é mais aquele jovem herói e otimista que conhecíamos. Suas atitudes são as que mais surpreendem (muitas vezes negativamente). E acho que seja justamente essa construção do novo Luke que mais gerou polêmica sobre este filme. Apesar desse Luke não ser o que esperávamos de início, gostei da forma como o trataram, porque nos pegou de surpresa e saiu do que seria o óbvio. Também foi uma boa decisão porque faz o personagem ser mais complexo, tendo que lutar com seus problemas internos, com sua culpa, e lhe dá uma nova visão sobre a Força e os Jedi.

Um ponto negativo nesse filme, mas que já posso dizer que é também dessa trilogia, é a forma que ele trata os antigos personagens. Leia participa mais desse filme do que do anterior, mas mesmo assim tem um momento que ela fica ausente, o que achei desnecessário. Da mesma forma, personagens que sempre tiveram forte presença na primeira trilogia, como Chewbacca e C3PO, estão ali só para dizer que ainda existem, mas não são aproveitados. Tudo isso para dar espaço aos novos personagens. Tem momentos que Poe é quem toma a liderança da Resistência, mesmo ele não sendo o chefe (que é Leia). Luke é mostrado a maior parte do tempo como um velho que já está cansado da vida e desesperançado, e no lugar dele fica Rey, a protagonista do filme (com Kylo Ren sendo o vilão, naturalmente). Finn e Rose (uma nova personagem) tomam um bom espaço do filme, recebendo muita importância, mas depois que o filme acaba você vê que tudo o que eles fizeram foi inútil e não ajudou em nada. É o velho time cedendo espaço ao novo time, o que é claro que tinha que acontecer, mas não esperava que fosse dessa forma, onde os personagens antigos são desprezados, quase não têm importância na trama, e vão aos poucos perdendo importância e espaço para os personagens novos, que também nem sempre são bem resolvidos, como no caso de Finn e Rose. Esses são para mim os maiores problemas de Star Wars: Os Últimos Jedi.

Voltando a falar sobre Luke, apesar de eu ter achado a abordagem que deram a ele interessante, dá para entender as críticas dos fãs por ele ser mostrado como um velho cansado da vida, que não quer fazer nada para ajudar, até porque pelo final do filme passado, o que esperávamos era que ele treinasse Rey para que ela se tornasse uma Jedi completa e para que ela aprender a usar a Força (o que não acontece, propriamente dizendo). Essa expectativa quebrada, juntada com a desconstrução do personagem e o fim que ele teve deu essa reação em alguns fãs, deixando todos divididos entre o filme ser bom ou não. A minha opinião sobre Luke já foi dita, mas mesmo assim é um erro que essa renovação da franquia queira acabar com todos os antigos personagens importantes dessa forma. Star Wars surgiu com eles, e foram eles que sustentaram a trilogia principal, e agora são menosprezados a meros coadjuvantes sem destaque algum, com um final heroico para dizer que a história dele acabou ali em alto estilo. Foi essa abordagem que usaram para Han Solo no filme passado, e foi essa também que usaram com Luke (com a diferença de que Luke foi mais presente no filme). Os outros, como já dito, aparecem só para dizer que ainda existem, mas aparecem pouco e não têm nenhuma importância, nem para o filme em si, e nem para os personagens ali presentes (isso fica bem claro com C3PO, que praticamente fala sozinho). Isso é realmente uma pena. (Mas, para ser justo, apesar de Leia ficar em segundo plano numa parte do filme, ela tem uma excelente cena, que é de ficar de boca aberta).

Sobre o filme em si, a primeira metade é só de conversas sobre a situação atual da guerra e um aprofundamento da mitologia Jedi. É uma longa introdução, que dura mais de uma hora, e tirando as partes de interação entre Rey e Ben/Kylo Ren, que ficaram muito boas, o resto é bem parado e desinteressante. A segunda metade, que é a 1h restante, foi a que ficou boa, com excelentes cenas de ação, tanto com as naves quanto com as de sabre de luz. Tanto Rey quanto Kylo Ren estão bem melhores nesse filme do que no anterior, dando para ver a evolução dos dois. Destaque para a evolução de Kylo Ren, que passa o filme com conflitos internos, e agora já não parece ser só um jovem mimado que começa a quebrar tudo quando está com raiva. Agora ele está mais dramático e aprofundado. As atuações de Daisy Ridley e Adam Driver estão excelentes, transmitindo essa profundidade aos seus personagens. Todo o visual também está melhor. E a trilha sonora clássica está mais presente que no filme anterior, o que é ótimo.

Existem ainda algumas partes engraçadas que estão na fala dos próprios personagens, que são poucas e rápidas, o que é legal para deixar o filme menos sério, mas isso não é usado como uma necessidade de alívio cômico  e usada a todo o momento, como vemos nos filmes da Marvel, o que exagerado pode mais prejudicar do que ajudar o filme. Os fofos porgs são parte desses alívios. Rey e Finn, que estavam mais engraçados no filme anterior, neste filme estão mais sérios.

O que posso dizer sobre Star Wars: Os Últimos Jedi é que ele tem sim as suas falhas, mas que não é um filme ruim. Eu estava querendo assistir e tinha certa ansiedade, o seja, eu tinha certa expectativa para o filme, apesar de não saber o que poderia acontecer nele. Se tiveram coisas que me desagradaram no filme, em compensação ele como um todo me surpreendeu positivamente, principalmente por causa da última metade, que deu um ótimo desfecho. O que poderia ter sido melhor é o final, que deixou mais uma vez cortado o que irá acontecer. Queria que ele fosse um pouco mais fechado, com um final mais conclusivo, para mostrar que apesar desse filme ser parte de uma grande história, e por isso precisar ter uma continuação, essa história em específico teve um filme aqui.

SPOILER: Mas a última cena ficou muito boa, ficou demais, mostrando através daquele menino, que uma nova geração de guerreiros e de Jedi poderá surgir no futuro. A conversa de Rey e Leia também sugere que Rey poderá ser a próxima Mestre Jedi, que treinará a próxima geração de crianças para se tornarem Jedi (adoraria ver isso no próximo filme). Também já foi dito que a próxima trilogia de Star Wars será com personagens diferentes, que não terão nada a ver com os atuais, o que abre muitas possibilidades. De repente ele pode se passar no futuro, com uma nova geração de Jedi e guerreiros continuando a luta e levando para frente o legado deixado pelas gerações anteriores.

Nota: