quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Categorias:
,

HQs de super-heróis são complicados e contraditórios

Marvel Comics

Eu nunca tive um interesse em ler as HQs (quadrinhos) de super-heróis. Mas, como estamos numa época em que existem cada vez mais filmes de super-heróis estreando nos cinemas, comecei a ficar com algumas curiosidades sobre as histórias originais, se a história dos filmes segue a original e o que foi adaptado, especialmente com os heróis da Marvel, que já têm o universo cinematográfico produzido. Também porque muitas vezes existem discussões mais profundas nos filmes, que só quem entende é quem lê as HQs. Eu não ia ler os quadrinhos de todos os heróis e grupos, é claro, porque são muitos, e levaria uma eternidade até ler tudo, sem contar que é bem difícil acha-los na internet em português.

Então fui pesquisar no Wikipédia e comecei a ler algumas coisas a respeito do Homem-Aranha, SHIELD, Os Vingadores, etc. e descobri que as histórias originais dos quadrinhos são bem mais complexas do que os dos filmes. As histórias são complicadas e contraditórias.

A história dos Vingadores, por exemplo, começa com um grupo de heróis, e depois esses heróis saem, entram outros, depois os que saíram voltam, é formado um novo grupo de Vingadores… é sempre esse círculo sem fim.

E ainda tem a história dos “universos”. Um personagem pode ser de um universo, mas pode aparecer e se comunicar com outro personagem do outro universo. Tudo muito louco. O Homem-Aranha é um verdadeiro exemplo disso: ele morre numa guerra que participa junto com os Vingadores, e quem assume o lugar de Peter Parker é outro cara, que é latino e negro. Mas eu li uma notícia que no desenho animado (e provavelmente nos quadrinhos também) Peter Parker e o outro Homem-Aranha se encontram e se falam (!). Não dá para entender.

Outra coisa complicada nos quadrinhos é que quando a franquia das histórias acaba, se inicia outra com outros roteiristas, que escrevem à vontade a história do herói de acordo com a sua visão. Isso deixa o herói com muitas histórias, muitas faces, muitos vilões diferentes. O Homem-Aranha já passou por “Homem-Aranha”, “O Espetacular Homem-Aranha”, “Homem-Aranha Ultimate”, e muitos outros. Tem história de clones do Homem-Aranha e de outros personagens com as mesmas habilidades dele. Aí termina um contradizendo o outro. Não existe uma história original (a não ser a primeira escrita), para que os novos roteiristas tenham que se basear. Eles simplesmente escrevem como querem e pronto.

Nos quadrinhos, os heróis formam grupos, brigam uns com os outros, saem do grupo, fundam outro, saem de novo, voltam pro antigo, matam, morrem e depois revivem em outro universo ou em um reboot dos quadrinhos, como se nada tivesse acontecido antes, como se todas as outras histórias contadas fossem descartáveis e agora chegou a vez delas de ir pro lixo. Infelizmente isso acontece para que a Marvel continue lucrando com os heróis, sempre contando novas histórias deles, não importando a história original.

Uma consequência ruim disso é a criação de tantos outros heróis de forma desnecessária, porque muitas vezes eles têm poderes tão parecidos que é até difícil dizer quem é quem e qual a sua utilidade. Às vezes o herói é tão repetitivo que termina não se destacando perto dos outros, como a Mulher-Hulk, por exemplo, que não tem o mesmo destaque de Hulk. Enquanto eu pesquisava sobre os heróis na Wikipédia descobri que a Marvel tem várias heroínas e eu não consegui ver diferença entre algumas delas, como a Mulher-Aranha e Garota Aranha.

Os filmes, apesar de se basear muito nos quadrinhos e fazer citações deles, excluem essas complicações e contradições para deixar tudo entendível e lógico, até porque ninguém vai querer acompanhar uma franquia de filmes de um herói que muda tanto o pensamento, que briga tanto com os outros heróis, e que faz tantas coisas inúteis. Por isso os roteiristas dos filmes fazem a adaptação, para que as pessoas consigam acompanhar e entender a história. E, claro, isso é ótimo.

Uma prova disso é o filme Os Vingadores, que na história original dos quadrinhos era formado por outros heróis que não tinham nada a ver com o filme, e Hulk sai logo no início por causa da sua instabilidade emocional. Mas no filme, a composição dos heróis é outra e apesar das discordâncias eles continuam juntos, inclusive o Hulk. No filme tem que ser assim, pelo bem de todos (dos expectadores, produtores, diretores, roteiristas e da própria Marvel, que irá lucrar mais com um filme bem feito).

Acho que os roteiristas dos filmes tentam pegar as melhores histórias de todas as franquias de quadrinhos existentes para criar uma história só e bem feita, sendo que sem a complicação existente neles.

Sobre as franquias de quadrinhos mais atuais, ninguém sabe se um dia veremos em um filme Peter Parker sendo morto e sendo substituído por outro. Apenas uma coisa é certa: os quadrinhos não devem ser levados a sério, porque entre eles e suas muitas versões, existem muitas contradições e complicações.

No cinema, o ideal é que continue do jeito que está, seguindo uma história lógica e com final feliz, e sem muito entra e sai de personagens daqui e dali.