segunda-feira, 25 de maio de 2015

Categorias:

Resenha: Primeiro episódio de Supergirl

O primeiro episódio de Supergirl foi vazado na internet 6 meses antes da estreia oficial. Muita gente questionou se o episódio foi mesmo vazado, porque a mesma coisa aconteceu com os pilotos das outras séries da DC, mesmo que de emissoras diferentes. Lembro que The Flash foi vazado com a qualidade ruim, enquanto Supergirl está disponível em HD e Full HD, além da qualidade normal. Parece mesmo jogada de Marketing.

Mas deixando isso de lado, vamos avaliar o episódio em si. Assim como o primeiro episódio de The Flash, a origem de Kara como heroína é contada rapidamente. Mas, diferente da outra série, ela vai rápido demais nas relações pessoais, não se importando em explicações. Kara salva a vida da sua irmã, e ela nem mesmo lhe agradece. Depois é um pouco mais aprofundada a relação entre as duas, mas tudo se resolve muito rápido. Elas brigam de uma hora para a outra, e de uma hora para outra já estão de bem de novo. Eles não se preocuparam em se aprofundar mais nessa relação. Tudo tinha que ser mostrado no primeiro episódio. Estou com a sensação de que os problemas entre as duas vão acontecer outras vezes com mais aprofundamento, mas vai ser só para encher linguiça da série.

Winn, seu amigo de trabalho, está claramente a fim dela, mas ela não dá bola (ela parece estar mais interessada em Jimmy Olsen, o fotógrafo). Mesmo assim, logo depois da sua primeira aventura ela decide confiar o seu segredo nele. Nada natural. Geralmente o herói só revela a sua identidade depois de um tempo trabalhando nisso, para ter confiança em si mesmo e depois nos outros. Mas Kara fez diferente e resolve contar. E Jimmy Olsen, que já sabia de tudo? Nem tem graça tantas pessoas saberem a identidade dela assim tão rápido.

E como qualquer série de herói que se preze, não podia faltar uma equipe de bastidores para ajudá-la. Mas em Supergirl acontece diferente de Arrow e The Flash. O grupo e Supergirl tem uma relação forçada. E com esse grupo temos ainda mais pessoas sabendo da identidade dela. Essa questão da identidade secreta deveria ser trabalhada ao longo dos episódios, e não todo mundo descobrir logo no primeiro.

E depois descobrimos que não só o primeiro vilão, mas os outros vilões que Kara deverá enfrentar no decorrer da temporada são pessoas de Kripton que odeiam ela por causa da sua mãe e querem se vingar. Mas pera aí! Porque odeiam Kara e não odeiam Clark (o Super-Homem)? Esse tempo todo o Super-Homem estava por aqui e eles sabiam disso. Não poderiam ter enfrentado ele primeiro, já que ele também pode ser um risco deles não conseguirem realizar os seus planos? O próprio Super-Homem não saberia da existência dessas pessoas e não poderia enfrentá-las?

E para quê a Terra precisa da Supergirl se já tem o Super-Homem? Ele sozinho já não é o suficiente? Tudo bem se a Supergirl tivesse um foco diferente do Super-Homem, mas essa questão fica muito confusa porque os inimigos dela deveriam ser os inimigos dele. Acho que os roteiristas não quiseram colocar vilões fracos e casos leves com medo do público reclamar de que não é porque ela é uma mulher que tem que ter casos mais leves para resolver. E concordo totalmente, mas os vilões deveriam ser outros, e não esses que deveriam ser do Super-Homem. Quando ela enfrenta eles, parece até que o Super-Homem não existe ou não liga para isso. Fica muito confuso. Não sei como é nos quadrinhos da Supergirl, mas essas são as minhas impressões da série.

E sinceramente, espero que em momento nenhum o Superman tenha que ajudá-la. Ela tem que se provar e mostrar que é capaz de enfrentar o inimigo sozinha. Pode ter ajuda de uma equipe, mas do Superman não. Nos quadrinhos até pode ser assim, mas acho que na série isso não cairia bem.

Sobre o nome “Supergirl”, a explicação foi boa e convincente, já que a atriz não é uma garota adolescente, como nos quadrinhos, e sim já uma mulher.

Os efeitos especiais são regulares, e são artificiais quando comparados com um filme. Mesmo assim não ficou ruim, até porque sabemos que uma série tem orçamento limitado (o que não quer dizer que eles precisam melhorar nisso).

De modo geral eu gostei do primeiro episódio. Só tenho medo do que pode vir pela frente. Esse primeiro episódio apresentou algumas fragilidades que foram discutidas aqui, e que só nele não fazem diferença, mas que podem afetar a série como um todo ao longo dos episódios, se continuarem assim.

Essa é uma série que tem como público-alvo as meninas, mas é importante dizer que ela não é SÓ para meninas. Vi muitos meninos/rapazes/homens dizendo por aí “essa série não é pra mim”. Acho que existe machismo nisso. Supergirl mostrou boas cenas de ação, então dá para todos assistirem tranquilamente. É claro que os dramas de Kara não serão explorados da mesma forma dos dramas de Oliver em Arrow, porque são estilos diferentes. Supergirl tem comédia romântica, que lhe deixa mais leve, mas também tem cena de ação.

A série deve continuar com essa pegada, mas também deve ter mais seriedade, e principalmente, não deve ser confundida com o Superman de modo algum, senão essa só será uma versão feminina do herói que não terá vida própria, a não ser adaptar as histórias dele para ser dela.

Nota: