segunda-feira, 17 de agosto de 2015

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A culpa das falhas de Quarteto Fantástico é da Fox

Quarteto Fantástico

Antes que você leia esse artigo, recomendo que leia a nossa resenha de Quarteto Fantástico:

Depois que Josh Trank, diretor do reboot de Quarteto Fantástico, postou no Twitter (e depois apagou) que a versão do filme que ele tinha idealizado não foi a lançada, muita gente ficou dizendo que ele estava tentando tirar a responsabilidade de si. Gente, vocês não sabem como é difícil fazer um filme e ter toda a responsabilidade dele nas suas costas! Ainda mais quando se trata de um filme de super-herói ou de uma franquia de filmes muito querida pelo público, como Star Wars. É muita pressão. Pressão do estúdio para que o filme seja de qualidade, para que atenda os seus requisitos, para que dê dinheiro, para que gaste pouco… e ainda tem os fãs que ficam dizendo o que querem ou não ver.

Tweet - Josh Trank

Um ano atrás eu tinha uma versão fantástica desse filme. E isso teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca o verão. Essa é a realidade.

Quem critica Josh Trank dessa maneira depois dele se defender no Twitter, certamente não se lembra das reclamações recentes que Joss Whedon, diretor de Os Vingadores e Vingadores: Era de Ultron, estava fazendo. Até a Marvel ele estava criticando. Ele dizia que tinha algumas ideias para os personagens que não podia colocar em prática porque a Marvel não deixava (ou algumas que ele teve que lutar para conseguir colocar), e tinha coisas que ele não queria colocar no filme, mas tinha que fazer, porque a Marvel estava mandando. Dá para ver que ele não tinha muita liberdade criativa e só podia trabalhar dentro dos limites que a Marvel impunha.

A mesma coisa aconteceu com James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia. Ele disse que não queria colocar Thanos, e que o filme não precisava dele lá porque diminuía o valor do real vilão, que é Ronan. Mas ele teve que colocar porque a Marvel mandou e porque essa seria a forma de integrar o filme no universo.

Não pensem vocês que esse foi um problema exclusivo de Joss Whedon e James Gunn. Todos os outros diretores de filmes da Marvel têm limites de criatividade, mas uns lhe dão melhor com isso do que outros, ou pelo menos, nem todos saem falando desses problemas nas entrevistas. O filme do Homem-Formiga, por exemplo, teve a entrada do diretor Peyton Reed já perto do filme acontecer, sendo que durante os oito anos que o filme estava sendo planejado pela Marvel, quem estava cuidando dele foi Edgar Wright. Ele saiu do projeto por diferenças criativas com a Marvel.

E falando de diferenças criativas, a Warner também teve esse problema com o filme da Mulher-Maravilha que será lançado em 2017. A primeira diretora escolhida deixou a produção porque não concordava com o que a Warner queria fazer.

Ser diretor de filmes é uma tarefa difícil e árdua. Josh Trank foi contratado pela Fox para fazer o filme do Quarteto Fantástico no seu estilo, com sua visão, e lhe deixar parecido com Poder Sem Limites, que aliás, foi o principal motivo da sua escolha para a direção do filme.

Mas a Fox lhe deu pouco dinheiro. 120 milhões é pouco para um filme que precisa de tantos efeitos especiais como o Quarteto Fantástico. A própria Fox não acreditou no potencial do seu produto, e apesar de estar fazendo sucesso com os filmes dos X-Men, não investiu mais no reboot do Quarteto. Desse jeito não tem diretor que faça milagre. A ação poderia estar presente no filme inteiro, mas seria tão mal feita e artificial que seria vergonhoso lançar um filme assim. Será que não foi melhor ter deixado a ação só para o final, já que o orçamento não permitia isso?

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Josh Trank

O que eu vejo é as pessoas criticando muito Josh Trank, e se esquecendo que a culpa desse filme ter falhas é da própria Fox. Ela escolhe um diretor porque gostou do seu último filme no estúdio, e lhe pede para fazer um filme de super-herói no mesmo estilo do outro. Depois de feito ela não gosta, e coloca outro diretor para fazer uma refilmagem. Mesmo assim, o dinheiro não aumenta, e o primeiro diretor nem sequer participa da pós-produção para acabar o trabalho que começou.

Com a contratação de Josh Trank, a proposta era fazer um filme do Quarteto no mesmo estilo de Poder Sem Limites, e isso Josh Trank fez muito bem. A proposta dele era essa, e foi entregue.

É por esses motivos que eu acredito em Josh Trank, e não acho que essa seja só uma desculpa. Ele foi competente no que fez. Eu gostei do filme do Quarteto Fantástico, porque a ficção científica é muito boa e os personagens foram bem apresentados e bem trabalhados. O problema surgiu quando a Fox tomou a frente e modificou o filme, que são aqueles últimos 20 minutos da ação rápida. Se Josh Trank tivesse terminado o seu trabalho sem interferências, talvez não tivesse ação no filme (o que também seria ruim e geraria muitas críticas), mas também não veríamos uma quebra de tom e de ritmo, como falei na resenha do filme. Mas, se a Fox investisse mais dinheiro, o filme poderia ter uma duração maior, e poderia ter efeitos mais bem acabados.

E se a Fox não quisesse mesmo que o filme fosse só ficção científica e quisesse que tivesse mais ação, não contrataria Josh Trank, e sim outro diretor.

Não estou dizendo que Josh Trank não errou na direção do filme. O que estou querendo dizer é que ele entregou o que a Fox lhe pediu, o que quer dizer que ele foi competente. A Fox tomou decisões precipitadas tanto em lhe escolher para a direção do filme, quanto em interferir no final – e apenas no final – do filme. A Fox é quem manda, e foi ela quem errou mais.

Por fim, a culpa dos problemas e falhas do filme do Quarteto Fantástico é da Fox.