segunda-feira, 24 de agosto de 2015

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Resenha: Mulher-Maravilha (Os Novos 52)

Mulher-Maravilha - Os Novos 52 - Cliff Chiang

A Mulher-Maravilha é a heroína mais popular que existe, e essa popularidade fica lado a lado com outros heróis famosos, como Superman, Batman e Homem-Aranha. Mas qual é a sua história, sua origem e seus poderes? Isso quase ninguém sabe. Diferente dos outros heróis citados, que todos já estão cansados de saber suas histórias de origem, a Mulher-Maravilha não tem sua história conhecida.

O que eu conhecia da Mulher-Maravilha era pelo que via nos desenhos da Liga da Justiça quando criança. Eu lhe via como uma “supermulher”, uma versão feminina do Superman, que tem a mesma força que ele e sabe voar. E acredito que essa também seja a visão que a maioria das pessoas tem sobre a heroína. Para conhecê-la de verdade é preciso ler os quadrinhos.

Nesse volume, eu divido a resenha em duas partes: a que é escrita por Brian Azzarello e ilustrada por Cliff Chiang, que vai da edição 1 até a 35; e a que é escrita por Meredith Finch e ilustrada por David Finch, que vai da edição 36 à 40.

As histórias são muito bem contadas (mérito do roteirista Brian Azzarello), apesar de as vezes parecer que ele pulou de um canto para outro sem dar muitas explicações. Ao mesmo tempo que a revista mostra a origem da Mulher-Maravilha, também mostra o lado psicológico dela em saber a verdade, e explica de forma simples e objetiva a relação das amazonas com os deuses, que é maior do que eu imaginava.

Os personagens são carismáticos e lhe conquistam rapidamente, todos eles. Muitas mortes acontecem, garantindo muitas reviravoltas e coisas totalmente inesperadas. É isso que prende o leitor, e deixa a revista tão boa.

O desenho de Cliff Chiang é muito bom, muito realista e lindo de se ver. Infelizmente, ela não aparece em todas as revistas, o que eu acho ruim porque você já está acostumado a ver aquela ilustração e depois tem que se adaptar a outra. Esses desenhos a que me refiro estão nas edições 5, 6, 9, 10 e 13.

Mulher-Maravilha - Os Novos 52 - Cliff Chiang (2)

Todas as revistas falam muito da mitologia e no começo é difícil decorar o nome dos personagens, que são estranhos, e aprender quem é parente de quem. A ação (boa mesmo), só vem na edição 12 e se repete em outras edições.

A origem dela e dos seus poderes não são contados em ordem cronológica, mas revista por revista vamos descobrindo mais sobre seu passado, e as origens dos seus poderes. Ela aprendeu a lutar com Guerra, o seu Laço, seus braceletes e espadas foram feitas por Hefesto, ela ganhou o poder de voar depois que Hemes soutou uma de suas penas nela. E acredito que, por ser uma semideusa, ela sempre teve a sua super força e habilidades com saltos.

Não sei se isso também aconteceu nas revistas anteriores aos Novos 52, mas não gostei dessa ideia da Mulher-Maravilha se tornar a deusa da guerra, porque “guerra” é algo ruim e negativo, e não combina com ela.

Confesso que me decepcionei um pouco com a força da Mulher-Maravilha. Ela sempre tem dificuldade em lutar com os inimigos, e sempre precisa de ajuda. E mesmo quando ela tira os braceletes, não consegue derrotar o Primogênito na primeira luta que tem com ele. Mesmo assim a narrativa é tão boa e envolvente, que isso não é algo que deixe a revista ruim.

Outro ponto positivo é que a história é totalmente fechada, ou seja, ela não fica se ligando aos outros heróis, e nem à Liga da Justiça. Então você consegue ler tudo tranquilamente, sem se preocupar com outras HQs.

A partir da edição 36, de janeiro desse ano (2015), a equipe criativa mudou, e as diferenças são bem visíveis. A arte de David Finch é bonita, mas não gostei da sua Mulher-Maravilha. Ela é magra, tem cara de menina e lábios exagerados. Ela pode até ser bonita, mas não tem a cara da Mulher-Maravilha. Você sente falta dos desenhos de Cliff Chiang.

Mulher-Maravilha - Os Novos 52 - David Finch

A história de Meredith Finch deixa de focar apenas na Ilha Paraíso e nos deuses e passa a focar também no vínculo que a Mulher-Maravilha tem com a Liga da Justiça. Por causa das suas muitas responsabilidades, o roteiro também foca no lado psicológico da heroína, como ela se sente e como tenta lhe dar com todos os acontecimentos. É uma diferença e tanto do que a revista vinha apresentando desde o começo desse volume até a edição 35.

Zola e o bebê foram completamente esquecidos da continuação da história, o que é um ponto negativo, porque eles foram os personagens principais da revista até então, e Diana pediu para Atena para que Zola pudesse continuar viva, porque elas eram amigas. E agora, Meredith Finch esquece totalmente disso. As únicas coisas que ainda continuam na cronologia são os irmãos vivendo na ilha, a Rainha Hipólita morta, e as consequências do Primogênito.

Não gostei de como a personalidade de Diana ficou a partir dessa edição. Ela ficou muito emotiva e sempre se autoproclama deusa da Guerra, como se realmente gostasse disso, e se sentisse poderosa. As suas participações na Liga da Justiça parece até um puxadinho da revista do grupo, com a diferença de que aqui parece que é ela quem manda. Essa sensibilidade faz ela sempre dar foras nos companheiros. Nem parece que é a mesma personagem.

E agora ninguém nuca se refere mais ao local onde as amazonas vivem como Ilha Paraíso, e sim como Themyscira, o que é estranho, já que até a edição 35 nunca tinham se referido desse jeito. Depois fui pesquisar, e sim, esse é o nome da ilha das amazonas e “Ilha Paraíso” é meio que um apelido (só para lembrar: esse foi a primeira HQ que li).

Mas mesmo eu não gostando dessa nova equipe criativa a partir da edição 36, não deixo ela atrapalhar a avaliação geral, porque o que vinha sendo apresentado antes foi muito bom, muito bom mesmo. Só espero que depois da saga Convergência, a personagem volte a ter boas histórias e pare de ser tão ligada à Liga da Justiça e que também pare de ser sensível porque isso não é a sua cara.

Nota: