segunda-feira, 10 de agosto de 2015

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Resenha: Quarteto Fantástico

Quarteto Fantástico - Pôster NacionalTítulo Original: Fantastic Four

Título Nacional: Quarteto Fantástico 

Direção: Josh Trank

Gênero: Ficção científica, drama, ação 

Duração: 1h41min 

Estreia: 6 de agosto de 2015

 

 

 

 

Quando a Fox chamou Josh Trank para dirigir o filme do Quarteto Fantástico depois dele ter dirigido Poder Sem Limites, já estava claro o que estava por vir. Quando a Fox fez isso foi o mesmo que dizer: “Josh, nós gostamos do seu trabalho em Poder Sem Limites, e queremos que você faça uma versão do seu filme com o Quarteto Fantástico, ou seja, nós queremos que seja um filme sério, com muita ficção científica, que os personagens não saibam o que fazer com seus poderes, que tenham problemas com eles, e que só no final tenha ação”. Essa é a descrição de Poder Sem Limites, e também de Quarteto Fantástico. A diferença entre os dois, é que Poder Sem Limites tem um tom mais adolescente, e concentra a maior parte só em besteiras, enquanto o Quarteto Fantástico tem um tom mais sério de tudo. O que eu quero dizer é que tudo isso já era de se esperar, mas mesmo assim as pessoas se “surpreenderam” e dizem que o filme é ruim. Mas será que ele é tão ruim quanto estão dizendo?

Gostei muito do elenco e da forma que cada ator interpretou o seu personagem. Eu falei nas minhas expectativas que os personagens não eram adolescentes e sim jovens. Bem, eu estava errado. Eles são sim adolescentes, e são recém-saídos do colegial, mas isso não atrapalha em nada no desenvolvimento do filme, porque essa não é uma trama de adolescente como foi Poder Sem Limites.

A relação entre os personagens é bem estabelecida, mas o ponto principal do filme é nos estudos científicos, que caminha para a parte que eles ganham os poderes. Fica claro que Reed e Ben tem uma grande amizade desde crianças, mas depois que aparece eles já grandes, com Miles Teller e Jamie Bell, não existe uma química entre eles, e parece até que eles são colegas de trabalho ao invés de amigos. Parece uma relação fria. Sem contar que Jamie Bell apareceu muito pouco antes de se tornar o Coisa.

Ainda sobre a relação entre os personagens, o romance entre Reed e Sue não é iniciado, o que eu achei ótimo, porque não é porque eles são casados nos quadrinhos que eles têm que ser no filme, ou têm que começar um namoro agora. Eles vão devagar, porque eles acabaram de se conhecer e existem muitas coisas acontecendo. Mas em uma cena fica clara a química entre os dois.

Sobre Victor, muita gente disse que ele não foi bem desenvolvido, e que a motivação dele era o ciúme de Sue. Isso não é verdade. Eu achei ele bem desenvolvido sim, porque no início vemos que ele já teve problemas com a equipe do laboratório enquanto trabalhava no seu projeto, antes da chegada de Reed. Ele mostrou que tem pensamentos diferentes acerca do mundo, e que tinha vontade de fazê-lo mudar conforme seus pensamentos, mas não tinha como fazer isso. Quando consegue os seus poderes, ele os usa para os seus ideais. Eu também gostei do visual dele. Acho que a reclamação de que ele foi um vilão mal desenvolvido é só mais uma para encher a lista de pontos negativos do filme. Existem vilões piores do que ele, como o Jaqueta Amarela, do filme do Homem-Formiga, e Ultron do segundo filme dos Vingadores.

A trilha sonora é boa, e dá o tom de coisas grandes e fantásticas acontecendo, mesmo nas partes de ciência, que querendo ou não, são coisas grandes (teletransporte para outra dimensão, o que você quer mais?!).

Gostei dos efeitos usados para o Tocha Humana e Mulher Invisível. O Coisa ficou incrível, e agora sim ele parece de pedra, e não de plástico ou isopor, como o Coisa dos outros filmes. Os efeitos do Sr. Fantástico estão ok. Está bem melhor do que os dos filmes anteriores, mas ainda soa artificial, o que dá para entender perfeitamente porque esse é um efeito difícil de tornar realista. Acho que não tem como fazer melhor do que isso, ou se tiver, a diferença deve ser pouca.

Tirando a aparência dos poderes dos personagens principais, os efeitos são muito artificiais, não sendo culpa de Josh Trank, e sim da Fox, que investiu pouco dinheiro no filme.

Uma coisa que gostei no filme é que ele introduziu a origem da tradicional frase “Tá na hora do pau!” do Coisa, assim como o nome dele, e a frase “Em chamas!” do Tocha Humana.

Por dar mais destaque à ficção científica, essa parte toma mais tempo do que a parte da ação, que é bem rápida e só acontece no final. Mas pelo menos tivemos o bom desenvolvimento dos personagens. Pare e pense: o que você faria, e como você reagiria num primeiro momento, quando descobrisse que ganhou aqueles poderes? Sejamos honestos, todos ficaríamos desesperados e sem saber o que fazer. Foi essa a intenção desse filme, que é contar de forma realista a reação de quatro adolescentes que ganharam poderes, assim como a reação do governo. Esse realismo, de pensar como reagiríamos se isso acontecesse conosco e no nosso mundo, também é a proposta dos filmes da DC.

O problema é que o Quarteto Fantástico é um grupo de super-heróis, e quem vai assistir esse tipo de filme quer ver ação. A ideia que a Fox e Josh Trank tiveram foi interessante, e ficou bem feita, mas não poderia de jeito nenhum ser o filme inteiro só nisso. O filme deveria ter duas horas de duração, ou um pouco mais que isso, e ter o tempo dividido pela metade para contar essa história de origem, que ficou muito boa, e a outra metade para a ação, com mais cenas e com o ritmo menos acelerado.

Se o filme tivesse só a ficção científica e o drama que estava sendo apresentado, ficaria bom, mas receberia críticas da mesma forma que está recebendo agora porque seria um filme de super-heróis sem ação. O filme seria assim, e a Fox tentou concertar colocando ação no final do filme, já nos últimos minutos, e esse foi o problema. A ação durou pouco tempo e começou do nada. Dá para perceber a mudança de diretor porque o tom muda, e o ritmo também. Agora os acontecimentos estavam num ritmo acelerado, como se estivesse com pressa de acabar logo. Até então Reed estava inseguro de si mesmo, e de repente dá uma de herói.

Então, para quem estava acostumado com o ritmo que o filme vinha tendo, não era esperado que a ação acontecesse de uma hora pra outra e durasse tão pouco. Se a parte da ação tivesse mais tempo de duração para que os personagens trabalhassem melhor nas suas falhas e fizessem estratégias para vencer o Dr. Destino, as coisas ficariam no mesmo ritmo que o filme vinha tendo, faria mais sentido, e agradaria a todos com um filme de tempo bem dividido entre drama, ficção científica a ação.

Mas, de modo geral, não vi isso atrapalhar tanto o filme a ponto de lhe dar uma nota tão baixa. As pessoas viram esse erro e focaram só nele, ignorando tudo o que veio antes, que foi bem feito e bem apresentado. Ele não é essa bomba toda que estão dizendo por aí. Pode não ser o melhor filme de super-herói, mas ele tem seus méritos. A culpa dos erros do filme não é só de Josh Trank, mas também da Fox, que não acredita no potencial do seu produto, e investiu uma quantia em dinheiro pequena para ele (120 milhões de dólares, orçamento menor do que outros filmes do gênero), querendo que o diretor faça milagre.

Vejo muita gente dizendo que o filme é muito ruim, e alguns chegam até a dizer que é o pior filme de super-herói já feito. Puro exagero. Todo esse ódio e negativismo em cima do filme não são de agora, mas de faz tempo, desde quando Michael B. Jordan foi escolhido para ser o Tocha Humana e o povo ficou com preconceito. Depois as polêmicas aumentaram quando todos souberam que Josh Trank teve problemas nos bastidores. Resultado: as pessoas já foram ver o filme procurando por qualquer errinho para detoná-lo e dizer “eu sabia que esse filme não ia dar certo!”. Já chega né gente? O filme tem sim suas falhas, mas está longe de ser tão ruim como estão dizendo por aí. E existem filmes de super-heróis piores que ele, ou vocês já se esqueceram do primeiro X-Men, Homem-Aranha 3, Demolidor, Elektra, os próprios filmes anteriores do Quarteto Fantástico e todos os filmes feitos na década de 80 e 90? E nem é preciso ir muito longe para achar um filme de super-herói pior que esse: o primeiro Thor e Homem de Ferro 2 estão bem recentes.

Agora só resta saber se a continuação que já estava marcada para 2017, e o crossover com os X-Men para 2018 ainda vão acontecer. Como sonhar não é demais, o ideal seria que depois dessa segunda tentativa frustrada, a Fox reconhecesse que não sabe trabalhar com o Quarteto, e faça um acordo com a Marvel, assim como a Sony fez com o Homem-Aranha. É um acordo que é bom para os dois lados, porque a Fox não deixaria de ter o direito do grupo, eles participariam tanto dos filmes da Marvel quanto dos X-Men (ou seja, seriam bem divulgados), e a Marvel co-produziria os filmes deles, aumentando as chances de serem de qualidade. Acho que nem precisaria ignorar esse filme, e poderia ficar com os mesmos atores. O filme é bom, e dá para aproveitar a história de origem que foi contada. Os fãs ganhariam no final. Mas se ela for orgulhosa demais para isso e quiser tentar mais uma vez, boa sorte, porque com o insucesso desse filme tanto de crítica quanto de público, é difícil um segundo filme decolar.

Nota: