sábado, 26 de setembro de 2015

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Resenha: Que Horas Ela Volta?

Título: Que Horas Ela Volta?

Direção: Anna Muylaert

Gênero: Drama

Duração: 1h51min

Estreia: 27 de agosto de 2015











Que Horas Ela Volta? estreou primeiro em festivais e em cinemas do exterior para depois chegar a ser exibido nacionalmente. Lá fora, ele ganhou dois prêmios, e aqui no Brasil foi escolhido para nos representar na disputa ao Oscar.

Por ser estrelado por Regina Casé, muita gente dá pouco valor, por se lembrar da sua imagem popular no programa Esquenta!. Mas é esse seu apelo popular que faz nos identificarmos com sua personagem no filme. Não é o mesmo apelo popularesco do programa, e sim porque ela interpreta a empregada doméstica Val muito bem.

Uma coisa que eu senti falta em Que Horas Ela Volta? e também sinto na maioria dos filmes brasileiros de drama é a falta de uma trilha sonora ao longo do filme. As músicas aparecem só uma vez ou outra, e o filme inteiro é feito apenas de cenas com o áudio dos diálogos, mas nenhuma trilha de fundo. É importante uma trilha para dar o tom às cenas, e para lhes deixar dramáticas, sérias ou leves.

Apesar de ser feito de várias cenas do dia a dia, ele não é chato como acontece em Quando Meus Pais Não Estão em Casa e em Samba. A diferença é que aqui cada cena não é mostrada à toa, e sim tendo o objetivo de fazer uma crítica social. É isso que deixa o filme interessante e que lhe prende do início ao fim.

A principal crítica do filme (e é a quem se refere o “ela” do nome) é da falta de presença da mãe na criação de um filho. Ele apresenta duas histórias: a de uma família rica, e outra de uma família pobre, mas as duas com o mesmo problema. A mãe da família rica só quer saber de sua carreira e status. Ela tem pouca aproximação com o filho, que não se sente à vontade perto dela. Quem cuida do menino de verdade é a empregada, por quem ele é realmente próximo, e tem mais afeto. Aí sim existe uma relação de mãe e filho. Essa empregada, por sua vez, deixou a sua filha em outro estado, aos cuidados de outra pessoa, enquanto trabalhava para ter condições de sustentá-la, mesmo que de longe. A filha se mostra fria e interesseira com a mãe. Não lhe considera sua mãe e não lhe respeita.

Essa crítica (de algo que vem acontecendo cada vez mais na nossa sociedade moderna) é interessante e é algo a se pensar por todos os pais e mães. Será que vale a pena trabalhar o dia todo e ficar longe do filho para lhe sustentar, e ao mesmo tempo perder o contato com ele? Será que vale a pena deixar o filho ao cuidado de outras pessoas e fazê-lo perder o carinho que sente pela mãe e transferir para as pessoas que cuidam dele? O filme mostra que a verdadeira mãe é aquela que cria e cuida. A crítica do filme é bem clara, só não vê e não entende quem não quiser.

Gostei de Que Horas Ela Volta?. O filme tem boas atuações, um bom roteiro, e uma grande mensagem. Talvez a direção pudesse ser melhor na forma que as cenas são passadas de uma para outra (às vezes bruscamente, às vezes de forma normal). Uma trilha sonora durante as cenas também cairia bem. Como falado, nada está ali por acaso. Tudo serve para construir a história ou fazer uma crítica.

Nota: