quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Categorias:
,

Resenha: Arqueiro Verde (Os Novos 52)

Agora eu sei porque as pessoas falam tanto que a série Arrow é mais parecida com o Batman do que com o Arqueiro Verde. O lado do Batman não conheci ainda, mas a parte do Arqueiro Verde sim. A série é totalmente diferente dos quadrinhos. A origem é diferente, a quantidade de tempo que ele passou na ilha é diferente, os vilões são diferentes, e os personagens também são diferentes. No começo eu pensei: “cadê Felicity, Diggle e Thea”? Depois de muitas edições, alguns dos personagens da série aparecem, mas são bem diferentes.

Da edição 1 ao 16 eu não gosto muito do que vejo. Não era o que eu esperava dos quadrinhos do Arqueiro Verde. Eu esperava algo mais parecido com a série, com ele combatendo o crime nas ruas. Mas o que vejo são vilões com poderes, romances bestas, coisas que tem nada a ver. Eram histórias bem mais ou menos, eu me cansava depois de ler algumas revistas, coisa que não aconteceu enquanto lia a Mulher-Maravilha.

Desenho de Dan Jurgens

As ilustrações são ótimas até a edição 5 (de Dan Jurgens). Na edição 6 os desenhos mudam um pouco, e a partir da edição 7 mudam completamente. Oliver e o Arqueiro Verde são horríveis, mas não só eles. Todo os desenhos, que são de Harvey Tolibao são feios. Preferia os que tinham sido feitos até a edição 5, que pareciam mais profissionais.

 Desenho de Harvey Tolibao

O arco Triplo Perigo (ed. 7 à 9) é bem chata porque mostra a relação do Arqueiro Verde com 3 garotas, e sai um pouco da ação. Eu gosto de quando ele está na sua cidade combatendo o crime, mas não vilões com poderes, e sim pessoas criminosas, como no arco Harrow (edições 15 e 16), que é ótimo.

A partir da edição 17 a equipe criativa muda. As histórias escritas por Jeff Lemire são muito boas, e vejo nelas o que eu esperava ver quando comecei a ler a revista. A partir daí eu estava bem mais interessado em continuar lendo e já não me cansava mais, como estava acontecendo até então. A arte de Andrea Sorrentino é um estilo diferente, que não é o meu preferido, mas é melhor do que o anterior. No começo ele é pouco detalhista, com várias sombras (partes pretas que estão em toda a arte) e que em muitos momentos nem os olhos dá para ver, mas depois melhora. Uma mudança no visual do Arqueiro é que ele deixa de usar óculos para usar máscara.

 Desenho de Andrea Sorrentino

Depois descobri que Jeff Lemire é um dos roteiristas de Arrow. É por isso que a mudança é tão perceptível. É por isso que eu passei a gostar mais das revistas do Arqueiro Verde, porque agora ele contava histórias de combate ao crime de verdade, e é isso o que uma pessoa que assiste e gosta de Arrow espera ao ler os quadrinhos do herói. Essa mudança deve ter sido uma estratégia da DC justamente para conquistar esse público da série que tem curiosidade de ler os quadrinhos. Estratégia muito acertada, por sinal.

A partir da edição 35 a equipe criativa muda de novo, dessa vez ficando mais parecida com Arrow por causa da saída da antiga equipe do Arqueiro e com a entrada de Felicity. Não gostei da desculpa esfarrapada que usaram para tirar a antiga equipe da história. Não faz sentido nenhum. E além disso, as Indústrias Queen voltam a aparecer. Mas ela não tinha falido? Me parece que nos quadrinhos tudo é permitido, e por causa disso os roteiristas terminam esquecendo que os leitores têm inteligência.

A história de Andrew Kreisberg e Ben Sokolowski é boa, mas perde muito tempo na investigação, ao invés de focar na ação. E também tem palavrões, o que é desnecessário. A arte de Daniel Sampere é muito boa, ficando lado a lado com a arte das 5 primeiras edições.

 Desenho de Daniel Sampere

Com altos e baixos, o Arqueiro Verde é bom, mas não tanto quanto deveria ser. Os roteiristas e desenhistas são trocados muitas vezes, o que atrapalha o desenvolvimento do personagem. As melhores histórias estão da edição 17 à 34, escritas por Jeff Lemire. Ele estava indo muito bem e sabia escrever histórias para o herói. Depois da saída dele as histórias voltaram a ficar medianas.

Nota: