sábado, 24 de outubro de 2015

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Resenha: Arrow – 2ª temporada


A segunda temporada de Arrow começa com uma mudança de visão de Oliver. Ele vê que tudo o que tinha feito até aqui foi inútil, e que ter matado todas aquelas pessoas não tinha surtido o efeito desejado. Por isso a partir de agora ele não iria mais matar, e sim apenas ir atrás dos bandidos e vilões e deixar que a polícia faça o resto.

Isso representa uma evolução para o Arqueiro, que agora caminha na direção de se tornar um herói, e não só um cara com capuz que mata todo mundo. E mesmo que tantas pessoas tenham gostado da primeira temporada justamente por isso (inclusive eu), essa mudança foi necessária porque não matar faz parte da essência do Arqueiro Verde dos quadrinhos.

Mesmo com essa mudança, a segunda temporada continua tão boa quanto a primeira, cheia de cenas de ação. Na maior parte da temporada o drama é trabalhado nos personagens na medida certa.

Uma mudança pequena entre as duas temporadas, mas que é perceptível é a entrada de fenômenos sobrenaturais. Na primeira temporada, o Arqueiro matava pessoas comuns, e procurava bandidos comuns. Nessa segunda temporada o grande vilão é o Exterminador (Slade Wilson), que tem o mirakuru, uma substância que deixa a pessoa com força sobre-humana e sentidos mais aguçados. E é o mirakuru o tema central de toda a temporada. Apesar de fugir um pouco do grande realismo que vemos na primeira temporada, isso não atrapalha essa temporada, e ela continua muito boa.

Também vemos uma introdução ao Flash, que teve sua estreia um ano depois. Achei contraditória aquela aproximação de Barry e Felicity, já que no primeiro episódio de The Flash o interesse romântico dele é Íris, e não Felicity (mas em outros episódios de The Flash isso é corrigido).

Senti falta de ver mais de Diggle. Na primeira temporada ele entrava mais em ação, mas agora parece que só é um cara que preso no escritório procurando informações. Até Felicity, que é a personagem que tem esse papel, tem mais espaço que ele.

Nos primeiros episódios Roy recebe destaque em seu treinamento, mas depois fica vários episódios sem aparecer. O que aconteceu com ele durante todo esse tempo? Só nos últimos episódios é que ele volta a aparecer. E no último episódio, Oliver diz a ele: “você se lembra de todos os nossos treinamentos?”, e ele reponde: “lembro”, e depois, pronto, Roy já está pronto para andar nas ruas com Oliver. Mas como assim? Ele tinha sido treinado durante muito tempo e não conseguia acertar o alvo com a flecha, e no último episódio, sem mais nem menos, ele já está pronto para andar com o Arqueiro, e já acerta alvos facilmente? A presença ou a falta de mirakuru no seu corpo não justifica isso. Deixaram ele de lado durante muito tempo, quando poderiam ter lhe desenvolvido melhor.

O último episódio não foi tão bom quando o da temporada anterior. O motivo é que eles quiseram abraçar tudo. Não só teve a guerra final, mas também teve muito drama dos personagens secundários. Teve o drama de Thea, de Sara, de Laurel, do Detetive Lance, de Roy, do prefeito, de Oliver, de Diggle... Todos os personagens foram desenvolvidos e deixaram pontas para a próxima temporada. O problema é que o tempo do episódio é pouco para tudo isso, e ele terminou ficando cheio demais e tirando o foco do evento principal, que é a luta final.

Sabe o que seria melhor? Se eles tivessem desenvolvido esses dramas secundários nos episódios 20, 21 e 22, e se tivessem colocado o drama do episódio 20, que ficou muito bom (bom é pouco: esse episódio foi surpreendente e chocante!), para ter ficado no último episódio, junto com a luta final. Assim ficaria mais parecido a season finale da primeira temporada, em que o grande foco foi a luta final com o drama da perda de alguém.

De modo geral a segunda temporada de Arrow ficou muito boa. Pecou no desenvolvimento dos personagens, enchendo linguiça com dramas desnecessários, e depois colocando os dramas principais de uma vez só nos últimos episódios (especialmente no último), causando uma inchação de tramas em pouco tempo.

Nota: