segunda-feira, 2 de novembro de 2015

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Resenha: Batman e Robin (Os Novos 52)

 

Gostei muito de Batman e Robin. O roteiro escrito por Peter J. Tomasi é muito bom e apresenta o relacionamento dos dois personagens como heróis e como pai e filho. A vida pessoal deles é algo inevitável e que deve ser contado, chegando a ser assemelhar aos quadrinhos da Marvel, que dá esse destaque aos seus personagens.

Damian foi criado para ser uma máquina de matar, e quando passa a ficar com Bruce existe um choque. Deve ter sido muito difícil para Damian se adaptar à sua nova vida, porque tudo o que ele aprendeu desde criança estava sendo contrariado pelo seu pai. Bruce lhe ensinou que ele não devia matar (apesar dele desobedecer isso às vezes) e lhe ensinou novos valores.

Damian não faz muita cerimônia na hora de matar. Ele é frio, e é um menino arrogante com as pessoas. Mas tudo isso é só uma fachada, porque no fundo ele é só uma criança comum, que gosta de brincar e se divertir. No fundo no fundo, ele sabe que o jeito que foi criado foi errado, e por isso se inspira no seu pai. Ele quer desesperadamente ser igual a ele, mesmo que não demonstre isso na prática. Mesmo que ele não demonstre ter compaixão e não se importar com a vida das pessoas que lhe cercam, ele na verdade se importa, e isso é mostrado na HQ.


Ao mesmo tempo, ele sente a necessidade de ser querido, de se sentir importante e melhor que os ex-Robins, talvez por uma falta de reconhecimento de Bruce, coisa que chega a ser discutida em uma das edições.

Eu não sei como eram os outros Robins, mas eu gostei de Damian. A parte da ação dele é muito boa, e ele é um ótimo personagem. Ele é carismático, porque conquista o leitor, mesmo com todo aquele seu jeito durão e rebelde.


Eu gosto dos desenhos de Patrick Gleason, principalmente a figura de Damian. Chega a ser fofo a cara fechada e carrancuda dele, sendo que ele é apenas um menino de 10 anos!


Quando você chega à edição 18 começa a ter a sensação de que perdeu alguma coisa. E sim, perdeu. Para entender o que se passa a partir dessa edição, é necessário ler antes todas as edições de Corporação Batman.

A revista é boa até a edição 18. Depois fica ruim. Batman fica chato, e os personagens secundários que entram para ficar no lugar de Robin não colaboram em muita coisa. Parece até que esses personagens entram só para que a HQ continue sendo produzida e vendida até que a solução apareça (que acontece a partir da edição 29), porque aquilo não é mais Batman e Robin.

Da edição 24 à 28, a revista fica com o título “Batman e Duas Caras”, que não passa de uma história comum do Batman, mas que pelo menos é boa (apesar de mais uma vez não ter nada a ver com Batman e Robin).

Da edição 29 a 37 vemos o arco Robin Ressurge, e agora sim o título da revista não está mais sendo usado só para enrolar e vender.

Outro ponto negativo que essa mudança trouxe, é que mesmo o roteirista tendo sido mantido, a quantidade de palavrões aumenta muito, e isso incomoda.

Mas de modo geral Batman e Robin é uma ótima revista. A relação entre pai e filho é discutida, talvez não tão profundamente como seria uma revista da Marvel, mas, com certeza, mais que os outros títulos da DC. A dinâmica de Robin com os outros personagens é muito boa, e ele logo conquista o leitor com o seu jeito e sua personalidade.

Nota: