sábado, 5 de dezembro de 2015

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Resenha: Arrow – 3ª temporada


O último episódio da segunda temporada de Arrow ficou ruim porque resolveu tratar de todos os personagens em pouco tempo, e ainda deixou vários ganchos. Ninguém esperava por isso, mas era daquele jeito que a 3ª temporada iria se desenvolver, dando destaque aos dramas de todos os personagens, o que acabou desfalcando a ação.

E logo no primeiro episódio já vemos essa mudança: existe ação, mas ela é mais fraca e ocupa menor tempo. As cenas realmente boas são poucas. Predomina o drama, muito drama. A trilha sonora mudou, o que ajudou a piorar as coisas.

Logo no primeiro episódio já acontece uma morte. Você não tem nem tempo de se chocar. A morte da 2ª temporada, por exemplo, pega todo mundo de surpresa, e por isso é um choque. Mas esse… se tivesse que acontecer poderia ser no meio da temporada, e não no primeiro episódio. No meio da temporada, mais perto do final tem outra morte, mas, mais uma vez não temos um choque quando vemos. Parece que o ritmo do episódio para se chegar à morte de um determinado personagem é tão rápido que você não consegue processar direito. A pessoa tá lá e depois simplesmente morre. Não tem uma história anterior para ajudar na carga dramática, não tem uma trilha sonora pesada. É como se tivessem matando um dos vilões.

A 3ª temporada de Arrow mudou muito o que estávamos acostumados a ver. Onde está aquela série tão boa, que me deixava ansioso a cada acontecimento? Que tinha uma trilha sonora incrível e que tinha mais ação do que drama? Parece até outra série. Não é à toa que as pessoas reclamaram tanto dessa temporada.

Felicity, que era o alívio cômico da série, fica sensível, chorona, e se torna mais uma personagem dramática para encher na série. No começo até gostei, para mostrar que Felicity também é uma pessoa que tem problemas, mas ela ficou assim a temporada inteira, o que ficou muito chato. Foram poucas as cenas que vimos Felicity como alívio cômico, e isso faz falta. Diggle virou um cara chato se posicionando como o “do contra” muitas vezes. Nos últimos episódios ele fica revoltado, mas nesse caso ele tem motivo. Pelo menos nessa temporada ela volta a ir para a rua com mais frequência, diferente da 2ª temporada, que ele só ficava com Felicity. Thea é uma menina mimada que está sempre reclamando de tudo e mudando de opinião. Uma hora tá super bem com Malcon, e em outra, só por causa de um segredo ela muda seu comportamento com ele. E o Detetive Lance, que agora é Capitão, quando você pensa que houve um avanço no personagem, ele volta à estaca zero com os mesmos dramas da 1ª temporada. Ray/ATOM é um personagem legal, mas a forma como ele chegou com a sua armadura não ficou boa, e não convenceu. Ele conseguiu montar a armadura que não estava conseguindo de jeito nenhum, da noite para o dia, e da mesma forma rápida que surgiu como um antagonista do Arqueiro, saiu, e ficou lá só para encher linguiça. Ele fica com Felicity e depois é jogado fora.

Logo no primeiro episódio também é estabelecido que Oliver está pobre. Ele não tem mais condições de pagar salários de ninguém, por isso Felicity arruma um emprego. Quando ele dá um presente para a filha de Diggle, ele mesmo é que faz. Mas, o contraditório é que vemos que o arco do Arqueiro está mais moderno, agora ela é pequena e “se monta” automaticamente. Isso ficou muito legal, mas não combinou com o momento. E agora eles também têm uma mesa com uma tela, bem tecnológica. Mas como Oliver conseguiu tudo aquilo? A pobreza só é lembrada nos primeiros minutos do primeiro episódio, e não mais ao longo de toda a temporada. Falando em pobreza, mesmo nessa situação, os parceiros de Oliver continuam fiéis a ele, mostrando não só se importar com a missão na cidade de Starling City, mas também mostrando serem seus amigos. Nesse momento difícil de sua vida, eles continuam do seu lado trabalhando de graça por um bem maior.

Apesar do drama do primeiro episódio, os primeiros episódios mostravam um Oliver diferente do das outras temporadas. Ele parecia mais sorridente, mais feliz e mais leve. Acho que esse foi um ensaio para ver se a série iria funcionar assim na temporada inteira. Como visto, decidiram que não iria dar certo, por causa de toda a carga dramática que já tinham estabelecido aos personagens e suas relações entre si. Esse tom mais leve é o prometido para a 4ª temporada. Querem deixar a série mais parecida com o The Flash. Sinceramente, eu não gostaria que isso acontecesse. As duas primeiras temporadas são excelentes, justamente por não ter medo de ser séria, sombria, e de ter muita ação e histórias boas. A terceira temporada errou por dar mais destaque ao drama dos personagens do que à ação. O drama faz parte e deve existir, mas não se tornar o principal ponto da série, porque essa é uma série de super-herói. Fazer uma série leve com um personagem, que apesar dos quadrinhos terem um cunho de humor, mas que na TV foi estabelecido como sério, talvez não seja uma solução boa para a série. O ideal seria continuar na pegada das duas primeiras temporadas.

Os flashbacks são sem graça até a metade da temporada. Você já está acostumado com os flashbacks sempre com muita tensão das temporadas anteriores, e nessa terceira temporada não tem isso. As coisas só vem ficar boas quando começa a fuga de Oliver, Maseo e Tatsu.

Mas, de modo geral, a 3ª temporada de Arrow não foi todo ruim quanto dizem por aí. Tudo bem, ela não é tão boa quanto a primeira e segunda temporada, tem poucas cenas de ação, e dá um destaque muito grande aos dramas dos personagens, que muitas vezes são repetitivos e ficam enrolando com a mesma conversa. O romance de Felicity e Oliver, por exemplo, é o que você torce no começo da temporada, mas quando ela realmente vem acontecer, você já nem quer mais que aconteça, porque Felicity fica chata. Apesar de todos esses erros, não dá para dizer que a 3ª temporada é ruim. Tem alguns episódios bons, mesmo que esse “bom” se refira às partes dramáticas, que a série dá destaque nessa temporada.

Eu tinha me tornado fã de Arrow, mas nessa temporada não fiquei tão animado com os episódios. Antes, quando acabava um episódio eu ficava muito ansioso, mas nessa temporada não fiquei mais. Os seis últimos episódios foram os melhores, e com eles foi que eu consegui ter alguma ansiedade, ainda que pouca, mas mesmo assim eles não podem valer pela temporada inteira. Espero poder voltar a ter essa sensação boa que tinha antes na próxima temporada.

Nota: