quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

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Resenha: Peter Pan

Título Original: Pan

Título Nacional: Peter Pan

Direção: Joe Wright

Gênero: Fantasia, aventura

Duração: 1h51min

Estreia: 08 de outubro de 2015








Peter Pan veio num bom momento. Com a alta de filmes de super-heróis não seria uma má ideia fazer um filme em que um menino é o herói, que pode voar e que derrota o cara mau. Isso chamaria muito a atenção das crianças. Quem nunca teve uma imaginação dessas quando pequeno? Quem nunca teve essa fantasia? Peter Pan traz essa fantasia em sua história, e Joe Wright lhe deixou ainda mais colorida e fantasiosa, algo para encher os olhos de qualquer criança.

Mas também temos que considerar que tudo isso não passa de um plano teórico, pois Peter Pan não foi bem nas bilheterias. Qual seria o motivo? Provavelmente as crianças de hoje não conhecem o personagem. Os filmes são um pouco antigos, e não são mais produzidos novos. As crianças assistem desenhos de super-heróis, e é por isso que ficam mais ansiosas para assistir aos filmes da Marvel e DC quando eles lançam, mesmo que a classificação indicativa seja de 12 anos. O personagem também não deve ter sido apresentado pelos pais às crianças dessa nova geração. Isso deve explicar a falta de sucesso do filme.

Os trailers de Peter Pan me deixaram muito animado, porque prometeram essa ideia do herói criança que foi falado no primeiro parágrafo.




Mas no filme não é bem assim. Os destaques ficam o tempo todo para Gancho (Garrett Hedlund), Princesa Tigrinha (Rooney Mara) e Barba Negra (Hugh Jackman). Levi Miller é um bom ator e mostra isso em algumas cenas em que Peter tem um aprofundamento dramático, mas o roteiro não ajuda. O tempo todo Peter é só um menino que tem medo de altura, que fica gritando e que precisa ser protegido. Tudo bem, isso se trata de um filme de origem, e o Peter Pan que conhecemos não precisaria ser o mesmo antes de ser conhecido por esse nome. Mas o roteiro poderia ser feito de outra forma. O filme deixou Peter muito superficial e repetitivo com seus medos.

SPOILER: Só no final é que temos uma ideia de quem é Peter Pan, mas mesmo assim ele não é o herói propriamente dito, já que é as fadas que fazem o trabalho, e ele apenas as lidera. Nesse final, Peter se torna o herói quase de uma hora para outra, mas essa passagem não é feita de forma brusca. Ele tem um motivo, e no meio do caos ele toma a decisão de salvar seus amigos. É diferente da forma brusca que os personagens de Quarteto Fantástico mudaram de ideia, literalmente de um minuto pro outro e com conversas clichês.
O problema, volto a dizer, está no roteiro de Jason Fuchs. Tanto a atuação de Levi Miller é boa, quanto a visão fantasiosa de Joe Wright para a história também é. Personagens caricatos e muita cor são os elementos ideais para fisgar a atenção de uma criança. E isso fica ainda melhor quando o herói é uma criança. Se o roteiro fosse mais desenvolvido, Peter teria mais destaque e não teria o seu protagonismo roubado por outros personagens. Ele teria um drama mais aprofundado e bem trabalhado, e Levi Miller entregaria uma atuação melhor e constante, como nas suas boas cenas dramáticas.

A história de Peter Pan é clássica e uma das mais conhecidas do mundo, então por que esse filme não deu certo? Ele tem o mesmo apelo das adaptações live action da Disney, que até aqui vêm dado certo. Espero que apesar dessa bilheteria abaixo das expectativas, a Warner dê continuidade ao filme. Ele tem potencial, só precisa melhorar o roteiro, dando mais destaque a Peter, e melhorar o marketing, para que atinja as crianças de forma massiva, fazendo assim, elas se interessarem e conhecerem o personagem e sua história.

Nota: