sábado, 26 de dezembro de 2015

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Resenha: Star Wars: O Despertar da Força

Título Original: Star Wars: The Force Awakens

Título Nacional: Star Wars: O Despertar da Força

Direção: J.J. Abrams

Gênero: Ação, aventura, fantasia

Duração: 2h15min

Estreia: 17 de dezembro de 2015
 




Resenha livre de spoilers. :)

Star Wars: O Despertar da Força tem a mesma estrutura do Episódio IV. Você tem a Resistência que fica no lugar da Aliança Rebelde, e que luta contra a Primeira Ordem, que fica no lugar do Império. O líder da Primeira Ordem é Kylo Ren, um novo Darth Vader. Ele presta conta dos seus feitos ao Líder Supremo Snoke, que fica no lugar do Imperador. A heroína é Rey, que descobre a Força e começa a lutar ao lado da Resistência. Essa é a mesma história de Luke Skywalker. E ainda existe uma nova Estrela da Morte.

Por sorte, apesar de ter mantido a mesma estrutura do Episódio IV, o filme não é uma mera repetição com novos elementos. Ele parece igual, mas depois se mostra não tão igual. Ele tem particularidades que lhe torna único. Rey, por exemplo, apesar de ter sua “origem na Força” parecida com a de Luke, não é igual a ele. O filme não só cria e apresenta os novos personagens, como também cria uma nova história, com novos ambientes e elementos que envolvem os novos personagens. Vemos como resultado um filme bem feito, que é meio reboot e ao mesmo tempo uma sequência que soube equilibrar bem os dois pontos. Esse é um desafio ao ressuscitar uma franquia antiga, porque os roteiristas devem apresenta-la à nova geração, a ao mesmo tempo, têm que trazer elementos antigos para agradar à antiga geração e dar uma continuidade ao que foi feito. Nesse quesito, este novo filme de Star Wars se sai melhor que Jurassic World, que também criou novos personagens e novos elementos, mas se ateve muito ao que foi feito no primeiro filme, deixando a repetição perceptível. Os roteiristas Lawrence Kasdan (Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca, Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi), J.J. Abrams (Missão: Impossível 3, Lost) e Michael Arndt (Toy Story 3, Jogos Vorazes: Em Chamas) recebem o mérito desse feito em O Despertar da Força porque conduziram muito bem a história da franquia, sem deixar a desejar nem nos personagens novos e nem nos antigos; fazendo repetições do primeiro filme, mas ao mesmo tempo criando um novo cenário, com novas histórias, um novo ritmo, novos desafios, um outro conceito visual, para agradar à nova geração, que pede coisas diferentes das vistas antigamente, que tem novas necessidades e gostos.

Rey é uma ótima personagem e ela tem carisma. Vai conseguir ser protagonista dos novos filmes muito bem. Finn é engraçado e funciona muitas vezes como alívio cômico. Mas o legal de Finn foi que não usaram ele sempre para alívio cômico. Ele tem seus momentos sérios e dramáticos, porque os acontecimentos não permitem que um personagem fique sempre fazendo gracinha. Outra coisa, é que ele não é o único personagem a ser alívio cômico. Han Solo, Chewbacca, BB-8 e C3PO também são usados para isso, mas tudo com moderação. Falando em Han Solo, dos personagens antigos ele é o que mais tem destaque e o que mais aparece. Senti que Chewbacca foi melhor aproveitado do que nos filmes da trilogia original, mas não tanto quanto eu esperava. Só um pouco. A química entre Rey e Finn é muito boa, eles se dão bem juntos e garantem ótimas cenas. Eles logo lhe conquista. BB-8 é outro personagem que lhe conquista facilmente. Na verdade, ele já conquistou muita gente desde que apareceu no primeiro trailer!

Kylo Ren é um vilão que inicialmente é difícil não comparar com Darth Vader, a começar pelo seu visual. Mas no desenvolvimento do filme vemos que não é bem assim. Na verdade ele é até um vilão fraco e não surpreende muito. Esperava mais dele por ele estar no lado negro da Força. Como é mostrado nos filmes anteriores, os poderes da Força de quem está no lado negro são maiores do que quem está no lado da Luz, com exceção de algum mestre, como era o caso de Yoda.

Assistindo ao filme, a forma como Rey conhece a Força parece convincente, mas depois quando você vai analisar percebe que foi rápido demais. Do nada ela já faz uso da Força, sem nem conhecer ou ser treinada, como aconteceu com Luke. A Capitã Phasma, que foi tão divulgada e falada não diz a que veio. Ela é tratada como uma personagem qualquer com pouca importância.

Os efeitos são muitos bons, e o 3D também. Muitas cenas, principalmente as das naves, foram filmadas de um ângulo proposital, já pensando no 3D. Gostei disso, porque em Jurassic World o 3D foi decepcionante. Eles tinham muito potencial, mas o filme ficou todo em 2D. Voltando a falar de Star Wars, o filme se passa mais dentro dos planetas e no interior de locais do que nas estrelas, o que é um ponto positivo, porque na trilogia original era ruim de ver tanto preto o tempo todo.

O filme tem um ritmo muito bom, não é lento e cansativo como na trilogia original, mas também não sai atropelando tudo para dar tempo contar toda a história, como aconteceu em Vingadores: Era de Ultron.

A trilha sonora clássica está lá. Não é usada no filme inteiro, o que me fez sentir sua falta, mas ela aparece nos momentos certos.

De modo geral, é um bom filme, mas ele não mexeu comigo, sabe? Eu não sou fã de Star Wars, não gosto da trilogia antiga, e prefiro a nova. Tinha esperança que começasse a gostar da franquia a partir de agora, mas não aconteceu. Não que o filme seja ruim, eu é que não consigo simpatizar muito com ele (o que é normal: você gosta de um filme, assiste ele, acompanha suas sequências, mas não é e nem se torna fã).

Nota: