quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

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Resenha: Jessica Jones – 1ª temporada


Frases de destaque: Se não parar de lutar poderá mudar o mundo inteiro.

- (...) Meus sócios estão me forçando a sair da firma.
- Não permita.
- Como é?
- Enfrente-os.
- Por quê?
- Porque você é quem é. Um saco de merda fedida em um terninho de grife.
- Jessica.
- ...O que a torna a melhor advogada da cidade, e vai representar Justin Boden pro bono.

Jessica Jones é sombria, mas não sombria como Demolidor. É um sombrio diferente. É um sombrio um pouco mais puxado para o sobrenatural, por causa dos poderes de Jessica e de Kilgrave, o vilão. Isso é bom porque a série se encaixa bem no universo criado por Demolidor, mas tem a sua identidade própria, e em momento nenhum tenta imitar a outra série. O ambiente da série é todo sério e aterrorizante psicologicamente. O temor dos personagens não é de uma pessoa que pode destruir uma parte da cidade e matar outras pessoas, mas sim de alguém que pode causar transtornos psicológicos para a vida inteira de alguém. É algo mais profundo. Não é um sombrio de armas e lutas. É um sombrio psicológico, que envolve mortes de entes queridos, estupro, e outras loucuras. Isso é o que a série nos mostra. Além do terror psicológico, ele foca em investigação.


Muitas pessoas esperavam ver grandes lutas bem coreografadas, como em Demolidor, e por isso ficaram decepcionados com a ação da série. Mas ela nunca teve essa proposta. Como dito, ela é parecida com Demolidor no tom mais sombrio e realista, mas ao mesmo tempo é diferente e tem sua identidade própria. Jessica não é uma lutadora. Luke Cage também não. Eles não tiveram treinamento em artes marciais como Matt Murdock teve. Eles apenas têm super força, e quando necessário fazem uso dele de forma bruta, ou seja, chutando ou jogando tudo e todos com as mãos. Falando em Luke Cage, ele não é só um personagem coadjuvante que é apresentado aqui para a sua própria série. Ele é um personagem ativo, que tem sua história contada, que tem um envolvimento grande com Jessica, que participa de vários momentos importantes, e ainda tem uma conexão com a história que é apresentada.

Existem diferenças com os quadrinhos (Alias). Nos quadrinhos, por exemplo, Jessica tem como melhor amiga Carol Davenrs, que na época era a Miss Marvel (atual Capitã Marvel), e não Trish Walker. Nos quadrinhos também, Jessica é uma ex-heroína que já fez parte dos Vingadores, mas que por causa de um incidente, decide deixar a vida de heroína para ser uma detetive particular. Já na série, Jessica não é uma ex-heroína. Em alguns momentos existem referências a isso, quando são falados de seus poderes, como na parte que Trish lhe dá a ideia dela aproveitar seus poderes para ser uma heroína, lhe mostrando um uniforme igual aos dos quadrinhos. Mas isso não é algo que chegou a ser concretizado.

 À esquerda Trish dando a ideia de Jessica usar um uniforme idêntico ao usado pela personagem nos quadrinhos (à direita)

Na série essas mudanças foram feitas para que ela pudesse ser encaixada no MCU, já que as séries e os filmes estão no mesmo universo. Não faria sentido Jessica já ter sido uma heroína no passado se isso não foi mencionado em nenhum momento nos filmes. Não faria sentido Carol Danvers ser a melhor amiga de Jessica, se ela nem se quer apareceu nas telonas, e ainda nem tem uma atriz escalada. Todas as mudanças feitas na série ficaram boas, e foram boas adaptações.

A única adaptação que não gostei é sobre o poder de voo de Jessica, que não fica muito claro. Nos quadrinhos ela voa de verdade, mas na série é apenas sugerido que ela tem o poder de voar, mas como não pratica isso, só consegue dar uns saltos. Em todos os momentos em que ela dá um salto ou voo, a câmera só filma os seus pés subindo. Senti que esse tom realista da série meio que censurou as cenas de voo, como se os diretores tivessem vergonha ou medo de admitir que nesse tipo de série alguém voa (já que esse é um poder mais fantasioso), mas ao mesmo tempo não quisessem ignorar totalmente isso, já que esse é um dos poderes da personagem. Apenas uma vez é dito por outros personagens que a veem voando: “O que é isso?! Ela está voando!” , mas não é mostrado. No último episódio é mostrado uma cena que poderia ser de voo, mas preferiram fazer aquilo ficar mais parecido com um grande salto.

 Jessica e Trish

Kilgrave é um vilão amedrontador, e logo nos primeiros episódios é mostrado como ele atingiu o psicológico de Jessica até hoje. Ele é muito bem interpretado por David Tennant, que em vários momentos rouba a cena. Ele é obcecado por Jessica e no começo não dá para ter certeza do porquê. Depois é explicado o motivo.


Não sei se foi só eu, mas apesar dessa série ser bem séria, eu achei muitas falas, diálogos e cenas engraçados, e gostei disso.

Apesar de ter menos cenas de ação que Demolidor, e de alguns tipos de cenas recorrentes na série não me agradar, posso dizer que Jessica Jones me surpreendeu por sua qualidade. Não espere por uma série de super-herói comum, porque não é. Tem episódios que a ação é pouquíssima, e outros que nem ação tem. Mas também não quer dizer que não é uma série bem feita. Tudo é feito com uma qualidade incrível e que nos convence.

P.S.: de um modo geral, gostei mais de Jessica Jones do que de Demolidor. Demolidor é ótimo, mas lhe vejo apenas como uma versão para maiores de 18 de Arrow. É uma série no mesmo estilo, e com dramas parecidos. Já Jessica Jones traz um conceito novo e diferente, e foi isso que me fez gostar mais dela. Vale lembrar que essa minha opinião se refere à 1ª temporada de Demolidor. Quando estrear a 2ª posso mudar de opinião quanto a ele.

Nota: