quarta-feira, 30 de março de 2016

Resenha: Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Título Original: Batman v Superman: Dawn Of Justice

Título Nacional: Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Direção: Zack Snyder

Gênero: Ação, aventura

Duração: 2h31min

Estreia: 24 de março de 2016






Batman vs Superman: A Origem da Justiça segue o mesmo estilo estabelecido em O Homem de Aço. É um filme sério, sombrio e realista. O filme começa contando a história de quando Bruce Wayne perdeu seus pais. É contada de forma mais rápida do que a feita por Nolan em Batman Begins. Tem coisas parecidas na forma que Zack Snyder contou essa história, mas também tem diferenças. A versão de Zack Snyder usou câmera lenta e com mais zoom em alguns momentos. De um modo geral gostei mais da versão de Nolan. Na continuação do filme nos é mostrado um Bruce Wayne que ainda é traumatizado e atormentado pelo que aconteceu com seus pais, sendo essa uma característica do personagem nos quadrinhos, e que você percebe que não foi trabalhada no Batman da trilogia de Nolan.

Já que estamos falando em Batman, esse Batman com Bem Affleck ficou ótimo. É um Batman que esperamos, que é forte o suficiente para ser um vigilante, que treina pesado, e não faz apenas flexões. Não gostei de algumas cenas em que aparece o Batman de saída ou fugindo, porque só é mostrado o final da cena com sua capa escapando. Essas cenas ficaram bem parecidas com os desenhos animados, mas não combinaram com o tom realista do filme.

As cenas de ação do filme são ótimas. As cenas da luta de Batman e Superman são boas, e é de se surpreender com o desempenho dos dois. Mas as melhores cenas de ação do filme inteiro são aquelas em que o Batman luta sozinho. Elas são sensacionais.

Gal Gadot faz aparições como Diana Prince no filme inteiro. Quando ela finalmente aparece como Mulher-Maravilha é incrível. Na seção em que estive as pessoas gritaram e aplaudiram quando ela apareceu. A trilha sonora que segue a cena dá o tom certo para sua primeira aparição, mostrando como ela é incrível. Ela luta muito, e as caras que ela faz é como se dissesse que sentia falta de uma boa briga faz tempo. Gal Gadot está ótima no papel, confrontando todos os que disseram que ela não seria boa por não ter corpo de Mulher-Maravilha. Alguns queriam que ela fosse mais forte e malhada, e outros, que ela tivesse mais “peito e bunda”, como diziam. As roupas que ela usou como Diana foram muito bonitas. Foram roupas femininas, delicadas, charmosas e sensuais. Não é porque ela é uma guerreira que deve se vestir de qualquer jeito, e o filme mostrou isso bem.

SPOILER: Gostei das cantadas de Bruce com Diana, acho que eles formariam um ótimo casal, pena que não foi para frente.

Lex Luthor é o verdadeiro vilão do filme. No começo você nem percebe, até ver tudo o que ele fez, já no final do filme. Ele é um vilão muito bem construído e você vai acompanhando a sua evolução. Isso é algo que todos nós sentimos falta nos filmes da Marvel, que procura o caminho mais fácil para fazer alguém se tornar um vilão. É quase sempre inveja, vingança ou um ataque ao mundo não muito justificado. Os vilões da Marvel tomam suas atitudes rapidamente e logo já estão agindo, de uma forma que você se pergunta como eles chegaram lá e porquê. E depois o heróis acabam com eles e fim de história. É divertido, é legal, mas é simples. Os únicos vilões da Marvel bem desenvolvidos e que quebram essa regra é Loki e o Soldado Invernal. Lex Luthor não usa força para atacar os heróis. Ele não tem inveja, não tem do que se vingar. Ele tem ideais, pensamentos, mas que são errados, e é baseado neles que ele age, e que ninguém atrapalhe o seu caminho! Lex é perturbado. É o tipo de vilão controlador. Jesse Eisenberg o interpretou muito bem.

Lois Lane tem um grande destaque nesse filme. Ela ainda é a mocinha que sempre precisa ser salva, e isso enjoa às vezes, mas ela é corajosa, e isso é o que a torna uma personagem aceitável, diferente de Jane Foster que é totalmente inútil nos filmes de Thor.

Sobre o Superman eu não tenho muito a dizer. Ele é basicamente o mesmo que vimos em O Homem de Aço, com a diferença de que de lá para cá ele não teve supervilões para enfrentar, e ficou atuando apenas como um herói para as pessoas em momentos catastróficos. É interessante notar que o filme teve o cuidado de mostrar que o Superman realmente está preocupado com as pessoas e com o mundo, e mesmo não tendo nenhum inimigo, ele está lá de prontidão ajudando a todos que precisam. O Superman personifica o conceito mais ideal da palavra herói, que não é só salvar o mundo de uma ameaça, e sim salvar as pessoas em momentos difíceis e em que elas precisem. Nós não vemos nenhum outro herói fazendo isso, nem da Marvel e nem da DC (por enquanto). Eles só aparecem num embate grande, e então salvam as pessoas, mas nunca só ajudam as pessoas.

A união dos universos do Superman e Batman é feito de forma perfeita, interligando os personagens dos dois universos, apesar de que existem mais personagens de O Homem de Aço o que do universo do Batman, provavelmente porque este ainda vai ser estabelecido no cinema com um filme solo. Batman vs Superman é uma continuação direta de O Homem de Aço e ao mesmo tempo um introdutório ao universo do Batman. Batman/Bruce Wayne é apresentado e desenvolvido ao mesmo tempo em que é continuada a história do Superman.

As críticas que tenho a fazer do filme fica por conta do drama pesado presente em todo o filme e pela sua longa duração. Essa é uma crítica a Zack Snyder. Ele não é um mal diretor, e fez um ótimo trabalho aqui, mas termina exagerando em alguns pontos. O filme é muito pesado, e usa uma seriedade e um drama ao extremo. É difícil de digerir. Eu não saí da sala do cinema com um clima bom. A parte final inteira é a pior, porque é feita à noite, e tudo é muito monstruoso. É possível fazer um filme sério e realista sem precisar ser tão pesado. Prova disso é Capitão América 2: O Soldado Invernal e os filmes da nova trilogia dos X-Men. Esses extremismos de Snyder não são bons, e o resultado é que o filme ao invés de entreter e divertir, termina cansado a partir de certo momento, ainda mais por ter uma longa duração. Ainda bem que nem todos os filmes do Universo da DC será feito por ele, porque assim teremos a oportunidade de ver filmes diferenciados, feitos com a visão de outros diretores. O jeito realista e sombrio pode até existir, mas nunca será a mesma coisa de um filme de Zack Snyder. Só tenho medo do que pode vir por aí em Liga da Justiça porque é ele quem vai dirigir, e acho que o fato do filme ser dividido em duas partes já é um sinal que mostra que ele quer alongar muito a história, do jeito que ele fez com O Homem de Aço, e do jeito que fez com Batman vs Superman.

O filme tem umas piadinhas que são bem sutis e boas, mas não funcionam tão bem para quebrar a seriedade.

De um modo geral o filme é ótimo. Meu problema com ele é mais na última parte do filme, da luta final, não pelas seus consequências, e sim o ato inteiro. Ficou sombrio demais, pesado demais, dramático demais. Tudo demais. Confesso que por um momento isso me fez desanimar um pouco com os filmes da DC, sobre o que pode vir por aí. Espero que nem todos os filmes sigam esse modelo, porque como já disse, é possível ser sério e realista sem precisar forçar a barra. Mas todo o resto do filme é ótimo. As cenas de ação, a relação entre os personagens, os efeitos, o vilão e seu desenvolvimento ficaram todos ótimos. Ah, e não posso me esquecer de algumas cenas específicas que têm um ótimo visual.

Nota: