quinta-feira, 28 de abril de 2016

Resenha: Supergirl – 1ª temporada


Supergirl começou com seu episódio piloto de forma muito rápida. Deu para perceber a pressa em ficar na mesma situação que outras séries de super-heróis que já estavam no ar há meses ou anos, como The Flash e Arrow. Foi por isso que logo no primeiro episódio já foi estabelecido quem seria a sua equipe de apoio, resolvido as primeiras intrigas, estabelecido o triângulo amoroso e revelado a identidade secreta da Supergirl para diversas pessoas. Como eu disse na resenha do episódio piloto, essa pressa toda prejudicou o episódio, mas mesmo assim ele soou convincente em seu primeiro momento.

Nos primeiros episódios o Superman foi muito citado, e isso era algo que me incomodava porque eu não queria ver ele aparecendo para roubar a cena da Supergirl, já que a série é dela. É impossível falar de Supergirl sem falar de Superman, mas essas referências têm que ser feitas moderadamente para não estragar tudo. Por sorte, isso foi entendido pela equipe da série, e o Superman passou a ser menos citado ou então a aparecer num bate-papo online com Kara, o que é legal, porque mostra que ele existe, que ele está ali e sabe de tudo o que está acontecendo, mas não precisa aparecer.

Depois, na continuação da temporada, cada episódio foi tratado como o caso da semana (o que me lembrou a 1ª temporada de The Flash). A vilã principal da temporada aparecia pouco, mas mesmo assim a série conseguiu me manter preso. Mesmo tendo um estilo feminino, por ter como público-alvo meninas adolescentes, a série não é ruim, e quem diz “essa série não é para mim” só por causa desse seu estilo está tendo preconceito. Supergirl é uma série muito boa no que se propõe a fazer. Você não deve esperar histórias sérias e tão dramáticas, nem grandes cenas de ação como vemos com o atual Superman dos cinemas, porque esse não é o objetivo da série. Ela conta a história não só da heroína, mas também de Kara como alguém que tem problemas de uma pessoa comum. É uma série fofa e a atuação de Melissa Benoist contribui muito com isso. É por causa desse jeito que a série tem que foi construída a sua identidade própria. Em muitos momentos ela é parecida com o The Flash, que tem o público parecido. Eles são parecidos em suas estruturas, na relação que os heróis têm com os outros personagens, e com algumas tramas, mas ao mesmo tempo são diferentes, porque Supergirl não tenta imitar as outras séries que já estão no ar.

Falando em The Flash, o tão esperado crossover entre as duas séries valeu apenas pelos dois estarem juntos, porque o episódio em si ficou mal feito. O Flash ficou bem inútil lá. Mas acima de tudo, esse crossover mostra o ponto alto da série, que foi projetada para ter 13 episódios, mas que devido ao seu sucesso e aceitação do público, foi alongada para 20 episódios. As características parecidas entre Supergirl e Flash fizeram os fãs das duas séries desejarem desde cedo um crossover entre eles, e assim aconteceu.


Os efeitos começaram artificiais, mas aos poucos foram melhorando e se tornando mais aceitáveis. Não só os efeitos melhoraram ao longo da série, mas também a série como um todo. Claro que existem exageros que não dão para aceitar, assim como as escapadas fáceis e preguiçosas para concluir uma subtrama, o que é ruim se você já está acostumado com o teor racional que as outras séries e filmes têm para explicar os seus acontecimentos. Muitas vezes (muitas mesmo!) a série é clichê nas suas histórias e diálogos. Essas são coisas que precisam ser melhoradas, porque por vezes ela fica um tanto boba. Mas também não vi nada disso como algo que atrapalhasse no desempenho geral da série.

Achei que o último episódio fosse ficar melhor, mas ficou fácil para a Supergirl. Ela fez algo que poderia ter feito há muito tempo, e os outros problemas se resolveram muito facilmente. Foi um final preguiçoso, mas que deixou muitas pontas para a próxima temporada.

Dá para comparar com Jessica Jones? Não, não dá para comparar as duas (no começo eu achava que daria, mas não dá), porque elas são completamente diferentes, a começar que Jessica não se considera (e não é) uma heroína propriamente dita. A personalidade das duas personagens, o estilo das duas séries, o tom delas e os temas abordados por cada uma são totalmente diferentes. São séries com objetivos diferentes. Uma quer mostrar uma super-heroína pura de forma leve, enquanto a outra quer mostrar uma mulher durona e com um passado que lhe perturba.

Por fim, apesar de seus problemas, Supergirl me impressionou pela sua forma simples e cativante de contar as histórias. É uma ótima série e cumpre o que promete. É uma série com um estilo mais delicado e feminino, o que era necessário, porque meninas também gostam de super-heróis, e esse é um público que até hoje ainda não está tão bem representado, nem no cinema e nem na TV (Supergirl é uma contribuição para isso, mas a TV ainda não chegou num ponto que podemos dizer que as heroínas estão bem representadas. Ainda faltam mais variedades. Seria bom ver uma heroína mais séria, como a Agent Carter, mas sendo uma super-heroína de verdade, dos quadrinhos.)

Nota: