segunda-feira, 2 de maio de 2016

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Resenha: Capitão América: Guerra Civil

Capitão América - Guerra Civil - Pôster nacionalTítulo Original: Captain America: Civil War

Título Nacional: Capitão América: Guerra Civil

Direção: Anthony Russo, Joe Russo

Gênero: Ação, aventura, thriller

Duração: 2h28min

Estreia: 28 de abril de 2016

 

 

 

 

Capitão América: Guerra Civil é tão sério quanto Capitão América 2: O Soldado Invernal, mas não só isso. Ele também é mais engraçado porque tem mais personagens cômicos, é mais dramático em várias tramas que se desenvolvem, e mais sombrio em alguns momentos. É tudo o que os irmãos Russo tinham prometido, e que deu certo porque foi feito de uma forma muito bem amarrada, com sentido e não exagerada.

O filme já começa com uma cena de ação que dá início à discussão sobre a ameaça dos heróis, e ao mesmo tempo Tony começa a pensar diferente sobre a responsabilidade deles com os atos que praticam pelo mundo.

As cenas de ação são ótimas, apesar que em alguns momentos elas parecem artificiais, dando para perceber que são bonecos ao invés de atores. Senti mais isso nas lutas do Pantera Negra.

Falando em Pantera Negra, ele foi bem introduzido no filme. O filme não só estabelece que ele é príncipe de Wakanda e sua posição em relação ao Tratado de Sokóvia, mas também fala da sua cultura, mostra sua personalidade, suas habilidades, sua coragem, e a riqueza do seu país. Ele é bem desenvolvido, e é bom acompanhar a sua evolução no filme. Ele ficou bem estabelecido no Universo Cinematográfico Marvel, deixando o público pronto para o seu filme solo, que estreia em 2018.

SPOILER: E aquela cena pós-crédito que foi gravada no Brasil? Seria ótimo se o filme do Pantera Negra fosse gravado por aqui né? (Apesar que não seria Brasil e sim Wakanda, mas...)

O Homem-Aranha, por outro lado, não foi tão bem introduzido assim. A sua participação é pequena, e só dá um gostinho do que esperar dessa nova encarnação do personagem, interpretada por Tom Holland, e que terá seu filme solo no ano que vem. Mas as suas cenas de ação são boas porque mostra a sua força e a sua flexibilidade. Ele é engraçado, mas não porque gosta de contar piadas (como o Homem-Aranha de Andrew Garfield, que só para constar, eu gosto), e sim porque esse é o jeito natural dele. É mostrado que ele é um adolescente comum, que é nerd de verdade e que é fã dos heróis. Ele reage como um adolescente qualquer reagiria, e isso é legal. Em seu pouco tempo de aparição deu para perceber tudo isso, e já deixar claro que esse será o Homem-Aranha da Marvel, diferente dos outros dois. Mas também acho exagero dizer que ele é o melhor Homem-Aranha dos cinemas, ou que ele estava surpreendente e perfeito. O tempo dele foi tão pouco que não dá para tirar esse tipo de conclusão. Isso é algo que tem que ser feito depois da estreia do seu filme solo. Não gostei da dublagem dele. Também não gostei das partes pretas do uniforme. Espero que em seu filme solo ele ganhe um novo uniforme.

Sobre a relação de Tony com Peter, o filme deixa claro que Tony lhe viu apenas como uma arma, como uma estratégia para tentar vencer o Capitão América. Você percebe que ele está sendo usado. Mas, como já sabemos que o Homem de Ferro estará no filme do Homem-Aranha, imagino que pelo menos essa relação entre os dois será desenvolvida e que Tony continuará investindo nele.

A Viúva Negra é ótima. Na cena inicial do filme e nas que seguem ela está muito bem, mas infelizmente depois é deixada de lado. O foco fica em Capitão América e sua equipe, e no Homem de Ferro, por isso os outros personagens aparecem menos. Quando soube de que lado ela ia ficar, me decepcionei, por causa do desenvolvimento da sua amizade com Steve em Capitão América 2, mas o filme mostra mais à fundo sua posição, e eu gostei de como ficou, porque, diferente dos demais heróis, ela não foi inflexível, e não levou nada para o lado pessoal. Ela ficou numa posição admirável. Pena que a partir de certo momento ela deixa de aparecer, e ninguém sabe o que aconteceu com ela.

Capitão América - Guerra Civil (2)

O Gavião Arqueiro aparece muito pouco, tem poucas cenas de ação, e suas lutas não são das melhores. Falcão cumpre bem o seu papel assim como no filme anterior. É mostrado que ele não é só um cara com asas, mas que é muito útil e importante para Steve e para o filme. Bucky, o Soldado Invernal, tem um grande destaque no filme, e além do Tratado de Sokóvia, o motivo da guerra gira em torno dele. Foi uma história muito bem desenvolvida, que põe um fim ao gancho deixado no final de Capitão América 2, e ao mesmo tempo inicia outro.

Homem-Formiga está engraçado e teve sua personalidade e poderes bem aproveitados, principalmente quando ele ficava pequeno.

Visão teve a sua oportunidade de ser desenvolvido, já que em Vingadores: Era de Ultron não deu para mostrar tudo o que ele era capaz. Aqui ele mostra mais suas habilidades, seus poderes e sua força. Ele se mostra um herói muito poderoso e que não precisa fazer um grande esforço para fazer acontecer. Ao mesmo tempo é estabelecido um início de romance dele com Wanda, que não chega a ser concretizado, mas que você sente que existe algo entre os dois.

Sobre Wanda, a Feiticeira Escarlate, ela tem uma participação e importância no filme maior do que a que eu imaginava. Ela também é uma personagem poderosa, e que pode fazer muita coisa, mesmo que ainda esteja aprendendo a lidar com seus poderes (apesar que você já percebe uma evolução dela desde Vingadores: Era de Ultron).

Tony Stark está mais grave aqui. Ele ainda é o mesmo, mas dada as circunstâncias, ele está mais sério. Gostei disso. E finalmente foi mencionado o porquê de dele ter explodido todas as suas armaduras em Homem de Ferro 3 e depois ter aparecido de novo em Vingadores: Era de Ultron, que ignorou totalmente esse fato do seu último filme solo. A cena que mostra Robert Downey Jr. como Tony mais novo através de computação gráfica ficou muito boa.

SPOILER: não sei porque ele e Pepper deram um tempo. Isso é algo que não foi bem explicado. Apenas é sugerido que foi porque ele não deixou de ser o Homem de Ferro.

A discordância entre ele e Steve começa pelo Tratado de Sokóvia, mas isso é algo mais simples, apenas uma questão de assinar ou não o tratado, concordar ou não com ele. Mas depois essa discordância virou uma questão pessoal para os dois lados, o que intensificou a briga. Isso ficou muito bom porque nos quadrinhos toda a guerra acontece só por causa do Ato de Registro dos Heróis, o que no filme não seria tão convincente. O interessante não é ver amizades serem desfeitas por causa de uma lei, da qual o grupo desobediente não só discorda, como também fica provocando as autoridades por continuarem com suas atividades de heróis (como acontece nos quadrinhos), e sim notar que quando se trata de questões pessoais, íntimas e importantes para cada personagem, essa amizade pode acabar (e é isso o que o filme mostra). É algo mais profundo do que os quadrinhos. É mais sério porque mexe com o sentimento dos personagens.

SPOILER: por isso imagino que se não fosse por Bucky, Steve teria aposentado o escudo, por não concordar com o Tratado de Sokóvia. Ele tinha discordado de uma forma pacífica, mas voltou a entrar em ação para proteger seu amigo.Quando Tony percebeu que estava cometendo um erro em perseguir Bucky, ele voltou a ficar de bem com Steve por um momento, até ele também ter seu motivo pessoal para recomeçar a briga.

Capitão América - Guerra Civil

E já que falei de quadrinhos, não espere que o filme seja fiel a eles. Já está na cara desde que este filme foi anunciado, que seria impossível adaptar a saga como ela é nos quadrinhos para o cinema, a começar com a quantidade de personagens. Mas mesmo assim eu ainda via gente comentando na internet que no filme tinha que ter o Homem-Aranha tirando sua máscara e revelando sua identidade. Essas pessoas não entendem que o Homem-Aranha da Guerra Civil dos quadrinhos e o Homem-Aranha que está sendo introduzido no MCU são diferentes. Eles têm idades diferentes e vivem momentos diferentes das suas vidas. O Homem-Aranha de Tom Holland está surgindo agora e não faria sentido se ele tirasse sua máscara, ou se tivesse a mesma importância que tem nos quadrinhos. O que foi aproveitado dos quadrinhos foi só o conceito de Guerra Civil: Homem de Ferro e Capitão América um contra o outro por causa de uma lei, que surgiu como consequência de atos dos super-heróis. Todo o resto é diferente, o que não quer dizer ruim (até porque, como dá para perceber, tem coisas dos quadrinhos que não funcionam nos filmes). O filme é ótimo e se encaixa bem no MCU.

O filme começa com Ossos Cruzados sendo o vilão. A sua participação é tão rápida, que é um desperdício. Ele poderia ter sido o vilão principal e ter feito tudo o que Zemo fez, apesar que isso seria modificar demais o personagem, mas que não faria diferença, porque foi exatamente isso o que eles fizeram com Zemo. Essa modificação de Zemo foi, aliás, uma das principais reclamações dos fãs de quadrinhos. Como nunca vi o Barão Zemo dos quadrinhos não posso criticar, mas gostei de como ele está no filme. Ele é o vilão do tipo controlador, assim como Lex Luthor em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, mas não tão bom e tão bem desenvolvido quanto aquele.

Por fim, Capitão América: Guerra Civil consegue ser sério (às vezes muito sério, porque o que está acontecendo é uma briga entre amigos), tem dramas fortes, em alguns momentos é sombrio, lhe deixa tenso em vários momentos, e ainda consegue ser engraçado. Mas a sua principal característica não é ser engraçado ou ter piadas e personagens cômicos, e sim ter esse ambiente de seriedade, mas conseguir ser um filme leve e que lhe diverte, diferente de Batman vs Superman, que abusa de elementos sombrios, cenas escuras, vilão e falas monstruosas para mostrar como ele é “sombrio e realista”, mas que termina lhe deixando com uma sensação ruim depois de assistir. Como eu disse na resenha do filme, para ser sério não é preciso abusar disso tudo, e a Marvel provou mais uma vez que é possível fazer um filme sério e divertido, que você fique com uma boa sensação quando o filme acaba, e não com uma má.

Nota: