quarta-feira, 6 de julho de 2016

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Resenha: Demolidor – 2ª temporada

Demolidor - 2ª temporada

Atenção: esta resenha contém spoilers!

A segunda temporada de Demolidor começou muito bem. Desde o primeiro episódio tendo o Justiceiro como vilão, percebi um salto na qualidade dos episódios em relação a temporada anterior. As cenas de ação e a urgência da trama estavam muito bem feitas. Ao longo da temporada o Justiceiro foi tendo sua personalidade moldada ao de anti-herói. É fácil confundi-lo com um vilão, já que ele mata várias pessoas por motivos próprios, mas dá para perceber que ele é um anti-herói quando ele deixa passar todas as oportunidades de matar o Demolidor. O motivo disso é que ele se identifica com o Demolidor no trabalho de vigilante e na tentativa de combater o crime da cidade, mesmo que não concorde com os métodos do outro e use os seus próprios. Mas se o Demolidor estava lhe incomodando tanto, eles deveriam ter virado inimigos. Matt também reconhece Frank como um vigilante quando perde a oportunidade de lhe prender pela 2ª vez, e tenta trabalhar com ele. Essa é uma evolução gradual e que não é forçada. O personagem é apresentado mostrando todos os seus problemas e motivações, e então vamos lhe compreendendo mais e lhe diferenciando de um vilão comum.

O ótimo desempenho do Justiceiro na série foi a porta de entrada para uma série solo dele. Na verdade, isso já era algo que algumas pessoas da Netflix já queriam desde a 1ª temporada de Demolidor. Era só questão de tempo para acontecer. Justiceiro não é só apresentado na série, ele participa dela como um dos principais personagens dessa temporada, assim como foi feito com Luke Cage em Jessica Jones. Essa é uma ótima estratégia que a Netflix vem usando em suas produções com a Marvel, porque já deixa o personagem estabelecido para a sua série. Frank Castle acabou em Demolidor com sua história definida e deixando margem para continuação. Já quero ver ele lutando com o Rei do Crime (e lhe matando, quem sabe? Talvez seja o único jeito mesmo de detê-lo).

Alguns episódios (uns 2 ou 3) tiveram uma filmagem muito parecida com a de um jogo. Ficou estranha e artificial.

Mas, apesar de todos esses pontos positivos com o ótimo arco do Justiceiro, o problema da temporada está em Elektra. Ela muda tudo na série e desestabiliza Matt. Seus amigos, Foggy e Karen, que sempre estiveram ao seu lado começam a ser abandonados. Matt começa a ter problemas com eles, principalmente com Foggy, para priorizar suas atividades de vigilante, que foi muito influenciado pela presença de Elektra. Chega a ser irritante o modo como Matt muda e passa a tratar seus amigos.

Existe diferença entre a forma de pensar e trabalhar de Matt e Elektra, mas mesmo assim eles trabalham juntos. Mesmo assim, tudo parece sob controle, até o último episódio e a revelação de que Matt ama Elektra. Provavelmente esse é um sentimento que ele tinha e estava tentando esconder de si mesmo durante parte dessa temporada, mas enfim confessou, porque apesar de serem diferentes, Elektra é a única que compreende Matt. Quando você pensa que não tinha como piorar as coisas, elas pioram. Provavelmente pelo que acontece nesse último episódio que Matt revelou sua identidade secreta a Karen, outra paixão, na tentativa de que ela também o compreenda. Vamos ver qual vai ser a sua reação na próxima temporada.

Mas como disse, não gostei desse arco de Elektra, por causa da forma que ela mexe com Matt. Primeiro foi manipulação, depois Matt fez tudo por escolha própria, mas muitas coisas da sua vida pessoal não teriam acontecido se ela não estivesse por perto.

As lutas de Elektra são boas, mas não tão boas quanto as de Demolidor e Justiceiro. A série mostra ela como uma arma viva, mas ela perde uma luta com várias pessoas ao mesmo tempo se estiver sozinha.

E de um modo geral, essa temporada de Demolidor foi ótima. Se mantém no mesmo nível que a anterior. O seu ponto positivo é o arco do Justiceiro, e o negativo é o arco de Elektra. Também não gostei de terem introduzido elementos sobrenaturais. Foi pouca coisa, mas mesmo assim. Tudo bem que a série está no mesmo universo dos filmes, que é o universo onde alienígenas invadem a Terra, onde pessoas voam, e onde um deus vem até aqui. Tudo bem que Demolidor um dia irá se encontrar com Jessica Jones e Luke Cage, que já têm algo de fantasioso, e com Punho de Ferro, que tem um universo místico, mas em sua série solo ele tem (ou deveria ter) um foco diferente. Será que não dá para fazer uma série que seja sempre realista, sem pender para o lado do misticismo e do sobrenatural? Foi o mesmo caminho que Arrow seguiu. Até a 2ª temporada estava bom, mas depois da 3ª desandou. Não estou dizendo que isso vai acontecer com Demolidor, mas que é preciso ter cuidado na forma que se conduz uma série como essa.

Nota: