sábado, 30 de julho de 2016

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Resenha: Stranger Things – 1ª temporada


Tenho que dizer que quando Stranger Things estreou na Netflix eu não tinha o menor interesse em assistir. Mas a série começou a fazer um grande sucesso. Se tornou o assunto mais comentado do Twitter, virou notícia em tudo o que era site de notícias de cinema e séries, e eu via elogios e mais elogios nas redes sociais. Fui pesquisar mais na internet sobre a série e vi que ela era categorizada como do gênero de terror, o que me fez ficar meio desconfiado, porque eu não gosto desse gênero. Assisti ao vídeo dos primeiros 8 minutos do primeiro episódio que a Netflix disponibilizou no YouTube e gostei. Para tirar a dúvida de uma vez por todas perguntei no Twitter se realmente a série era de terror ou só de suspense, e dois seguidores disseram que era só suspense. Então fui assistir ao primeiro episódio, e gostei. Depois fui para o segundo, e gostei também. Depois disso não parei mais.




Realmente, a categoria de terror como gênero é errada. Stranger Things é de suspense, mistério e tem alguns elementos de terror com o monstro, que lhe dá alguns sustos, mas não chega a ser terror, TERROR.

E não é que a série é boa mesmo? É uma coisa absurda de incrível que ela é. A fotografia é boa, e logo no primeiro episódio você percebe o cuidado que foi dado para a caracterização dos anos 80. Eu não sou dessa época, mas a série me fez ter vontade de ter vivido nela, porque parece que foi uma época boa de se viver (pelo menos nos Estados Unidos, porque no Brasil as coisas eram atrasadas e caras). As crianças se reuniam nas casas umas das outras e passavam horas brincando e interagindo. Hoje as crianças passam horas nos jogos eletrônicos. Não existe mais interação entre elas, é cada uma no seu mundo, e acredito que isso poderá trazer graves consequências para o futuro.

Mas voltando ao assunto, uma boa decisão tomada foi a quantidade de episódios ser de apenas 8. É pouco, e eu adoraria se tivesse os tradicionais 13 episódios das séries da Netflix, mas você percebe que a história é bem redondinha, e que em cada episódio tem a quantidade certa de aventura, ação, investigação e suspense. Você não sente falta de nada, e aos poucos a trama vai andando e as coisas vão sendo reveladas. Se tivesse mais que esses 8 episódios, poderia começar a ter enrolações nas histórias, criação de subtramas desnecessárias ou o alongamento delas. Isso iria afetar diretamente na qualidade da série como um todo. Então apesar de depois de eu ter assistido ao último episódio ficar com aquela vontade de querer mais, foi bom que foram feitos apenas 8 episódios. Essa, aliás, foi a primeira série da Netflix que assisti um episódio por dia, e por isso acabei rapidinho. Geralmente assisto um episódio por semana, como o ritmo da televisão (para render rs), mas com Stranger Things simplesmente não consegui.

As atuações são espetaculares. Não tem palavra melhor para descrever. Todas elas são excelentes, desde o elenco infantil, até o adolescente e o adulto. Esses três grupos de personagens começam cada um na sua própria investigação, e por isso eles têm a mesma importância para a trama, mas o grupo que recebe mais destaque é o das crianças. A grande maioria das pessoas fala muito bem de Millie Bobbie Brown, que faz Eleven, e eu não questiono isso, ela é ótima, mas para mim, das crianças, o personagem que tem mais participação e atitude é Mike, e a atuação de Finn Wolfhard ficou excelente. Por causa desse destaque que seu personagem tem, o ator segurou a série em vários momentos praticamente sozinho.

Finn Wolfhard faz Mike em Stranger Things

Também não dá para deixar de citar Gaten Matarazzo, que faz Dustin, que também virou queridinho por causa das suas piadas. Dustin foi usado como alívio cômico, e não ficou forçado. Ri muitas vezes com ele. Noah Schnapp, que faz Will, apareceu poucas vezes, mas mesmo assim conseguiu mostrar seu grande talento. Só as primeiras cenas do primeiro episódio já mostra isso. Ele dublou Charlie Brown em Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, O Filme. Eu nem imaginava isso, só descobri depois que acabei a série, e apesar de não ter dito isso na resenha da animação, eu gostei da dublagem de Charlie Brown, que ficou muito boa, ficou perfeita para o personagem. Depois, na série, estava lá o próprio Noah, que como disse, aparece pouco, mas consegue mostrar seu talento. Depois que descobri que o dublador e o ator eram a mesma pessoa isso fez sentido, porque mostra que o menino é realmente bom. Aliás, sobre esse elenco infantil, eu recomendo que você leia esse texto de curiosidades do UOL, que ficou bem legal.

Noah Schnapp como Will Byers. Esse casaco que ele usa me lembrou a usada por Marty McFly em De Volta Para o Futuro (mais uma das várias referências que a série faz)

Enfim, Stranger Things me surpreendeu demais, me prendeu de uma forma que não sei explicar. E que venha a 2ª temporada!


Nota: