quarta-feira, 10 de agosto de 2016

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Resenha: O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias

O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias - PôsterTítulo: O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias

Direção: Cao Hamburger

Gênero: Drama

Duração: 1h45min

Estreia: 3 de novembro de 2006

 

 

 

 

 

 

 

O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias conta uma história sob o olhar de uma criança, no momento em que seus pais estão com problemas, e ele tem que ir morar com o avô. O filme se passa no ano de 1970, tendo como plano de fundo a Copa do Mundo em que o Brasil se tornou tricampeão e a ditadura militar.

Quem acompanha o Mundo Geek sabe que eu adoro ler livros em que o personagem principal é uma criança, por causa da sua visão diferente do mundo, assim como seu comportamento. Bem, isso se aplica também a filmes, mas não qualquer um. O filme tem que mostrar isso bem, mostrar com imagens e ação o que está se passando na vida do personagem, e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias consegue fazer isso muito bem. O final do filme é um bom exemplo desse olhar que eu falo. Achei ótimo!

Não gostei muito do grande destaque que é dado à Copa do Mundo, porque ela termina fugindo do tema principal, que é a separação de Mauro dos pais. Mesmo assim, como o filme aborda a vida do menino nesse momento, assim como as influências externas, não é totalmente ruim a presença da Copa. Só poderia ter sido usado um pouco menos.

A trilha sonora é bem discreta, mas, mesmo assim, o filme não fica parado, como geralmente acontece com filmes com esse tipo de trilha sonora. As cenas são curtas e prendem quem está assistindo. O que contribui muito é o filme estar sob o olhar de Mauro, o que deixa ele mais legal, já que aparece cenas dele brincando e fazendo outras coisas de criança. Se o filme estivesse sob o ponto de vista dos adultos, com certeza ele não seria tão bom.

SPOILER: Só acho que um grupo de vizinhos cuidar de uma criança que não tem parentesco nenhum e se revezar no almoço é algo que não aconteceria na vida real. Seria mais fácil a criança ser mandada para um orfanato. Mas mesmo assim, eu não vi isso atrapalhando o desempenho do filme.

Não entendi o que estava se passando com os pais de Mauro, e porque eles tiveram que “sair de férias”. Tive que pesquisar na internet para entender. A explicação é a seguinte (isso não é spoiler. Muito pelo contrário, vai lhe ajudar a entender): os pais de Mauro são militantes de esquerda, ou seja, contra a ditadura. Depois de saber essa informação os acontecimentos do início do filme fazem mais sentido.

A caracterização para a década de 70 é muito boa, tanto nas roupas dos personagens, quanto nos cenários do prédio onde vivem, dos apartamentos, dos móveis, dos carros e das ruas em si. O trabalho ficou muito bem feito, e nem dá para perceber que é um filme atual se passando num tempo passado.

Não gosto de filmes brasileiros, porque eles sempre têm palavrões, apelação, e são mal feitos de um modo geral. Como não gosto, assisto poucos. Mas com certeza esse filme é uma exceção. As expectativas que eu tinha para ele quando li sua sinopse e assisti seu trailer foram atingidas. Ele cumpre o que promete.

O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias é um filme simples, singelo e envolvente. Algumas características que esse filme tem, e que foram faladas acima, em outros filmes poderia prejudicá-los, e poderia me fazer não gostar deles. Mas no caso desse filme, mesmo assim, ele conseguiu me conquistar. Mesmo assim, esses pontos não parecem ser erros, porque uma coisa compensa a outra e o resultado sai ótimo. Cao Hamburger fez um ótimo trabalho no roteiro e na direção do filme.

Nota: