terça-feira, 20 de dezembro de 2016

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Resenha: Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One - Uma História Star Wars - Pôster nacionalTítulo Original: Rogue One: A Star Wars Story

Título Nacional: Rogue One: Uma História Star Wars

Direção: Gareth Edwards

Gênero: Ação, aventura, ficção científica

Duração: 2h14min

Estreia: 15 de dezembro de 2016

 

 

 

 

 

Rogue One: Uma História Star Wars é o filme mais diferente de Star Wars. Ele deixa de lado a fantasia para contar uma história de guerra. Star Wars nasceu como uma aventura nas estrelas, passando muito tempo no Espaço, contando a história da Aliança Rebelde que luta contra o Império, que quer dominar o universo e destruir planetas. Mas na trilogia original termina que as histórias ficam muito concentradas nos personagens principais e só vemos a interação deles entre si, e por isso não temos a dimensão da guerra. Às vezes até esquecemos de que toda a história de Star Wars se trata de uma guerra, de tão concentrados que ficamos na trama dos personagens e no universo criado por George Lucas. A missão de Rogue One é contar uma história de guerra, e mostrar com mais detalhes esse lado que não conhecemos ainda, ou que ignoramos com facilidade. A guerra existiu, e não foi lutada só por Luke Skywalker e sua turma, mas também por toda a base da Aliança Rebelde. E o Império não é formado só por Darth Vader, o Imperador e pelos stormtroopers, e sim por outras pessoas que ocupam cargos de chefia e que têm suas responsabilidades, e que respondem ao seu chefe, e assim sucessivamente. Tudo isso é mostrado em Rogue One, de uma forma muito clara.

Apesar dele não usar os personagens principais da primeira trilogia, o filme é um ótimo ponto de partida para quem quer assistir Star Wars mas não sabe por onde começar. A história se passa antes do Episódio 4, mas ele consegue se conectar ao Episódio 4, deixando todas as pontas, como se o Episódio 4 fosse a sequência direta desse filme, mas com novos personagens.

Rogue One tem o seu ritmo e uma certa tensão e seriedade que definem bem o seu tom mais sério, até porque se trata de uma guerra. Esse é um peso que o filme consegue passar que eu não conseguir sentir em nenhum outro filme de Star Wars, nem no Episódio 7. No Episódio 7, por exemplo, é mostrado a grandiosidade e os poderes da Primeira Ordem, mas você não sente aquilo como uma ameaça real porque o filme é um tanto clichê e previsível. Ele é o chamado “filme pipoca” ou “blockbuster”, que mostra a grandiosidade das coisas, mas está mais preocupado com a ação, com os efeitos e com os personagens serem simpáticos e terem um final feliz, do que com a história em si. Isso você não vê em Rogue One. Quer dizer, você sabe que esse é um filme que foi feito para ganhar dinheiro, mas você também percebe que houve preocupação e cuidado com os personagens e com a história. A história de John Knoll e Gary Whitta e o roteiro escrito por Chris Weitz e Tony Gilroy é realmente muito bom. O diretor Gareth Edwards conseguiu passar o tom certo ao filme, e ao mesmo tempo deixa a sua marca e identidade num filme que faz parte de uma grande franquia que já tem a sua marca e identidade. Foi essencial também a liberdade que a Lucasfilm deu ao diretor para que isso fosse possível. Se fosse na Marvel, por exemplo, a visão do diretor poderia ser influenciada pelos executivos, e você perceberia que aquele filme tentou ser algo diferente, mas ao mesmo tempo não foi porque tinha que seguir um padrão.

Um exemplo sobre como o tom interfere no resultado final é do impacto que a Estrela da Morte tem nesse filme. Para mim ela pareceu realmente ameaçadora, mais do que nos filmes da primeira trilogia, e mais do que a nova Estrela da Morte de O Despertar da Força, que mesmo sendo tão grande, e mesmo sendo maior do que a Estrela da Morte original, não conseguiu passar o seu poder, a sua grandiosidade e a sua ameaça como Rogue One fez.

O ritmo do filme é bom, mas no começo é um pouco parado. Demora um pouco até que ele engrene e se torne mais interessante.

Um destaque que eu faço é à participação feminina nesse filme. Está claro que a Disney e a Lucas Films estão atualizado Star Wars para os dias atuais, e um exemplo disso é a participação e a força da mulher na história. A personagem principal da nova trilogia é Rey, e a de Rogue One também foi uma mulher, Jyn. Mas algo que me surpreendeu é que nesse filme aparecem pilotos mulheres, e isso nunca foi visto antes nos cinemas. Se pensarmos na primeira trilogia, não tinha mulheres no filme, mas isso era até compreensível para a época em que foram feitos, onde o machismo predominava na formação da sociedade. A única personagem mulher era Leia, que mesmo sendo uma princesa, não parecia ter autoridade para nada, e era usada apenas como interesse amoroso. Já as mulheres dos novos filmes são realmente fortes e têm relevância. Isso é bom. Outra coisa legal: Jyn não tem um par romântico nesse filme. Isso é ótimo. Confesso que fiquei esperando que acontecesse algo entre ela e Cassian, mas não aconteceu, e não fez falta. Chega de usar as mulheres sempre como as carentes que precisam de um amor né?

Rogue One - Uma História Star Wars

Uma característica que gostei bastante no filme é sua trilha sonora. Ele não usa a trilha original, mas usa outra, que foi feita para esse filme, mas que é muito parecida com a original. Essa trilha só deixa ainda mais claro o que o filme representa: uma versão diferente de Star Wars, mas que faz referência ao que você já conhece, que lhe fará lembrar, e que ao mesmo tempo, faz parte daquele universo. É diferente, mas ainda é Star Wars. Aqui a Força não está tão presente, e você não vê brigas de sabres de luz, mas ainda assim percebe que está no universo de Star Wars. Você percebe isso pela trilha e pelo filme inteiro, com as naves, os stormtroopers, as armas, pelos robôs e tudo mais. Outro ponto positivo nessa trilha é que ela é usada no filme inteiro, enquanto em O Despertar da Força, a trilha original é usada poucas vezes.

O 3D é bom, como eu já esperava, principalmente nas cenas das naves. Só atrapalha um pouco as cenas mais escuras, principalmente as do início do filme, mas depois melhora.

Os personagens são bem apresentados e desenvolvidos. Você consegue entender a situação de cada um ali. O roteiro traz algumas falas e momentos clichês, mas nada que atrapalhe (O Despertar da Força foi bem mais clichê nesse ponto, e isso termina diminuindo a boa experiência do expectador com o filme). O melhor personagem na minha opinião é K2SO, o robô desse filme. Lhe achei mais inteligente e com mais personalidade do que C3PO. Ele é uma companhia mais real do que C3PO é. Ele tem uma visão mais crítica da situação, sendo mais realista (enquanto C3PO tem um jeito mais dramático e assustado). Chirrut, interpretado por Donnie Yen, também me surpreendeu. Me lembrou um pouco o Cem Olhos de Marco Polo, só que com a Força.

SPOILER: A tecnologia é usada de forma inacreditável nesse filme. A reconstituição digital através de CGI de Grand Moff Tarkin, interpretado por Peter Cushing, que está morto desde 1994, por exemplo, é imperceptível, de tão perfeito que ficou. Ele foi um personagem importante no Episódio 4 porque era o responsável pela Estrela da Morte, e por isso não poderia deixar de aparecer nesse filme. Ele não é o vilão principal, mas aparece em várias cenas, e até tem diálogos. Incrível. Tem ainda um outro personagem que é feito em CGI, mas não vou dizer quem é para não dar spoilers demais.

Grand Moff Tarkin - Peter Cushing

Gostei tanto de Rogue One e fiquei tão no clima de Star Wars depois que saí da sessão, que fiquei com vontade de ver todos os outros filmes de novo. Gostaria que os próximos filmes, principalmente os da nova trilogia, fossem assim, com essa pegada mais séria para que seja passado ao expectador a gravidade dos acontecimentos, ao invés de fazê-lo sair do cinema como se tivesse visto um filme de aventura qualquer de tão leve e superficial que o filme é.

Rogue One é tão bom que adoraria ver uma continuação, mas já sabemos que isso não acontecerá. Se lançarem um livro sobre Rogue One, seja ele o roteiro do filme ou uma continuação, eu lerei, com certeza, porque esse filme ficou muito bom.

Nota: