sábado, 31 de dezembro de 2016

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Resenha: The OA – 1ª temporada

The OA - Netflix - logo

Atenção: esta resenha contém spoilers. Eu tentei escrever sem, mas para essa série é praticamente impossível. Qualquer coisinha que você diz já é spoiler, então o jeito foi escrever com spoilers mesmo.

The OA é uma série muito louca. Ela cria toda uma mitologia sobre vida após a morte e outras dimensões. Desde o primeiro episódio você já percebe como ela é uma série estranha e louca. No primeiro episódio você não entende muita coisa, mas a partir do segundo começa a entender porque é quando a história de Prairie, a personagem principal, começa a ser explicada do começo. Alguns episódios tem muita tensão, o que lhe deixa com ainda mais vontade de acompanhar a série.

Os personagens principais são bem apresentados e desenvolvidos. Os amigos de Prairie depois da sua volta são apresentados como pessoas que têm seus defeitos e problemas, e essas características são acentuadas pelo roteiro e pelas atuações, para lhes fazerem ter cara de estranhos. Eles formam uma equipe estranha, que pouco tem a ver uns com os outros, mas que resolvem se unir por uma desconhecida para ajudá-la na sua missão.

Um personagem que eu gostei da forma que foi apresentado é Hap. Ele faz tudo pela ciência e não mede esforços, mas ao mesmo tempo você percebe um pouco de humanidade dele. Ele é paciente e tem um olhar de compaixão, mas mesmo assim continua o trabalho. Isso fica claro desde os primeiros episódios, e depois vem uma confirmação dele mesmo falando sobre isso com um amigo também cientista.

The OA - Netflix - 1ª temporada - Hap

Hap, o médico/cientista da série que estuda e faz os experimentos sobre EQM

As atuações são todas boas por passarem bem os dramas de cada um, e suas personalidades marcadas por seus problemas e defeitos. Alguns personagens têm mais destaque que outros, mas as atuações de todos são boas.

Apesar dessa não ser uma série inteiramente de suspense, ela lhe deixa tenso, às vezes assustado (os Movimentos parecem uma macumba com todos aqueles gestos, expressões faciais e sons) e curiosos pelo que vai vir por aí.

The OA - Netflix - 1ª temporada - Movimentos

A série se desenvolve apenas na história principal, e por isso desde seu começo vai deixando pontas que não são resolvidas. A maior ponta de todas é a do final do último episódio, que não é um final de série com pontas leves para a próxima temporada, como as outras séries fazem, e que já nos deixa curiosos o bastante para querer assistir. No caso de The OA, é um corte meio que brusco, de uma cena que poderia ser continuada, como um final de capítulo de novela, só que nesse caso teremos que esperar no mínimo 1 ano para a próxima temporada. Mas tem outras questões também que a série não fez questão de explicar, e que pelo visto, não explicará nem tão cedo (se tiver possibilidade disso acontecer). Algumas questões: por que a porta da casa das pessoas tem que ficar abertas? Por que no último episódio o pai de Prairie deixou ela sair? Por que no último episódio Afonso se vê como Homer no espelho? Por que no primeiro episódio Prairie pula da ponte (mas ela diz que não estava pulando)? Por que Prairie diz no primeiro episódio que ela nunca sumiu, e sempre esteve presente? Por que o psicólogo estava na casa de Prairie no último episódio? Acho que nem adianta ler ou criar teorias, porque elas são muitas, dada as várias possibilidades que podem acontecer numa série desse tipo. Você vai terminar perdendo muito tempo lendo essas teorias e ainda pode acabar enlouquecendo rs. Essa é uma série que dá abertura para a criação de muitas teorias, ainda mais do que Stranger Things, porque ela deixa muitas coisas em aberto.

The OA - Netflix - 1ª temporada (3)

Falando em Stranger Things, vi que algumas pessoas esperavam que The OA fosse parecida com aquela série. Bem, acho exagero fazer essa comparação. Não é porque essa é uma série que tem suspense, que ela será tão boa quanto Stranger Things (aliás, uma diferença aqui: The OA tem suspense em alguns episódios, mas de um modo geral é uma série mais de mistério do que de suspense). O que aconteceu é que essas pessoas se decepcionaram porque, apesar dessa série ter tensão, é só em alguns episódios, enquanto em Stranger Things é mais frequente. Também vi gente dizendo que a história é arrastada com os episódios longos.

O pessoal tem que entender que não podem criar expectativas sobre uma série baseada no que viram em outra série, só porque são do mesmo gênero. A temática de The OA é outra, a história é outra, não dá para comparar. Sem contar que em Stranger Things existe algo estranho acontecendo, mas o roteiro é mais bem amarrado, enquanto em The OA, é deixado muitas pontas soltas e a ideia é bem mais louca e fora do comum. Mas o que algumas pessoas veem como problemas no roteiro, que deixa furos que não consegue cobrir, eu vejo como algo que foi feito propositalmente. A ideia da série é original e existem muitas características próprias nela. Não foi algo pensado e feito de um dia para o outro. Os criadores da série disseram que passaram 3 anos pesquisando e criando tudo. Eles devem ter cuidado de todos os detalhes, mas não quiseram revelar.

Vi outras pessoas dizendo que não entenderam nada. Ou elas não prestaram atenção, ou então se perderam tentando achar explicação para os detalhes. The OA é uma série que você assiste apenas ligado na história principal. Os detalhes que não são respondidos pela série você deixa para lá, senão não conseguirá prosseguir. Esse é o estilo da série, ela tem uma identidade própria. Não é só os personagens e a história que são loucos. Não é só a ideia e o conceito de tudo que também é louco. O roteiro e a direção são diferentes, e foram feitos assim para que essa série se diferenciasse de todas as outras e tivesse a sua própria identidade. Um exemplo prático disso, é que de todas as séries Netflix que eu já vi, essa é a primeira que tem episódios com mais de 1h de duração. Mas tem um episódio que tem meia hora apenas. Até nisso, até na construção técnica dos seus episódios, ela quis ser diferente das outras.

The OA - Netflix - 1ª temporada (2)

Não achei uma excelente série, ela não me conquistou como Stranger Things, mas eu gostei mesmo assim. Ela tem suas qualidades e estou com vontade de ver a próxima temporada. Talvez você tenha achado essa resenha repetitiva no palavreado, mas é que não tenho muito o que dizer sobre essa série. Apenas quatro palavras resumem ela, e resumem muito bem: estranha, louca, misteriosa, tensa.

Nota: