quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

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Como eu escrevo resenhas de filmes

Não é só a parte técnica que define se um filme é bom ou não

Resenha

Fonte da imagem: Leitor Cabuloso

Eu sempre deixei claro aqui que não sou um crítico de filmes, desde a página “Sobre” do blog, até respondendo pessoas que me confrontam dizendo que não pareço um crítico. Este blog é apenas um espaço onde publico as minhas opiniões pessoais sobre filmes, séries, livros e quadrinhos. As minhas opiniões estão mais para as de um espectador/leitor comum do que a de um crítico especializado. Você percebe isso nas minhas resenhas, que sempre têm esse jeito informal, com linguagem na 1ª pessoa e percepções pessoais. As resenhas críticas profissionais de filmes e séries, que são tão valorizadas pelas pessoas, são mais técnicas. Eles avaliam as atuações, a fotografia, a iluminação, o uso de efeitos visuais e especiais, a ação (se tiver), a direção, a trilha sonora, dentre outros aspectos técnicos que se destacarem no filme para o bem ou para o mal.

Eles também avaliam o roteiro, mas também sob um ponto de vista técnico, e não a história em si. É por isso que alguns filmes a crítica não gostou, mas eu gostei, como Joy: O Nome do Sucesso, porque eu olho mais a história, a moral dela, a mensagem que ela deixa, do que os outros aspectos técnicos. Eu olho os aspectos técnicos também, de tanto que li as críticas profissionais, mas confesso que não entendo muito delas. Por isso quando algo técnico se destaca eu apenas digo que gostei e que é bom, mas não me arrisco em me aprofundar mais que isso, porque não tenho esse conhecimento técnico que os críticos profissionais têm. No caso de Joy: O Nome do Sucesso, eu sei que tecnicamente ele não é um filme muito bem feito porque é cheio de clichês, mas eu gostei dele porque se trata de uma história de superação. Já em outros filmes, como Interestelar ou A Chegada, a crítica gostou, mas eu não gostei (o que me fez descobrir que não gosto de filmes de ficção científica pura, porque são sempre muito parados e chatos).

Você quase nunca vê um crítico profissional analisando a história do filme. É como eu disse, ele analisa o roteiro, mas de forma técnica. Já eu olho mais para o lado da história. Se o filme tem uma mensagem para dar, eu faço uma análise disso. E a minha resenha fica focada nessa mensagem que o filme passa, nas atitudes dos personagens, nas suas justificativas, como uma forma de entendê-los ou falar dos seus erros. São várias as resenhas que escrevo dessa forma, e só vim me dar conta disso agora, quando escrevi a minha resenha de Capitão Fantástico e vi que ela tem uma estrutura bem diferente da resenha de Vinicius Machado, do Sala Sete, e de outras críticas de grandes sites conhecidos, como Omelete, AdoroCinema, etc. Até em Batman vs Superman: A Origem da Justiça e Capitão América: Guerra Civil, que são filmes de super-heróis, mas apresentam complexidade nos personagens e nas suas atitudes, eu fiz uma análise desse jeito.

É claro que eu não ignoro os aspectos técnicos, eles são importantes. O pouco que eu sei hoje e que cito nas minhas resenhas (muitas vezes só para não ficar com cara de vazio e dizer que eu falei), aprendi lendo as críticas de gente que é especializada em escrever sobre filmes, e através de algumas pesquisas também. No começo eu queria escrever como eles, mas não conseguia, porque além de não ter todo o conhecimento técnico que os críticos profissionais têm, eu ainda tinha outras impressões, e tinha minhas próprias opiniões. Então terminava escrevendo sobre aquilo que eu via no filme, aquilo que achava, aquilo que sentia em relação a ele. Por isso as minhas resenhas são marcadas de opiniões pessoais, que você pode ou não concordar. É por isso que sempre que eu vejo algo além da história, algo além do roteiro, ou seja, uma mensagem, uma moral da história, eu falo sobre ela, e eu falo sobre os personagens e suas atitudes e escolhas.

Como eu disse, não ignoro a parte técnica, mas não é só baseado nela que um filme deve ser julgado. Às vezes ele não é uma primazia na técnica, mas ainda assim é bem executado e consegue passar a ideia e o propósito do roteirista e do diretor ao espectador. Filme mal feito é o que não consegue ter uma boa história, ou que não consegue prender a atenção do espectador, ou o que tem uma boa ideia, mas foi mal executado e não consegue passar para o espectador o que queria. Filme ruim é o que não mostra ao que veio. Eu não consegui ter minha atenção fisgada em 12 Anos de Escravidão. Assisti o começo e estava achando chato, estava ficando com sono, por isso lhe achei ruim, mesmo ele sendo tão elogiado pela crítica e tendo sido premiado. Muitas pessoas comuns também gostaram dele, mas como eu sou só um espectador comum, não me sinto na obrigação, e nem me sinto envergonhado em discordar de todos os outros. Eu apenas não gostei, e essa é a minha opinião. Não quer dizer que necessariamente o filme seja ruim. O livro também é chato em muitos momentos e foi difícil manter os olhos abertos nos momentos em que ele descrevia com detalhes cada atividade que fazia como escravo.

E foi assim, que resolvi assumir de vez esse estilo, que é o meu estilo de escrever, e não tentar imitar os outros. Tem resenhas, como os do Omelete, que às vezes é tão técnica e usa uma linguagem tão formal, que você acaba de ler e não entende muita coisa do que o crítico quis dizer. Nem parece que quem escreve as críticas são os mesmos que sorriem, brincam e fazem caretas no OmeleTV. E não é só ao Omelete que me refiro. Sites como AdoroCinema (dependendo do crítico), Papo de Cinema e Cinema em Cena (de Pablo Villaça) também possuem críticas tão técnicas que passam essa mesma sensação. Alguns outros sites ou críticos escrevem de modo mais agradável de ler, mesmo com resenhas técnicas, como o caso de Vinicius Machado, Veja, Diário de Pernambuco, Folha de S. Paulo, dentre outras.

Também não estou dizendo que sempre escrevo resenhas de filmes em forma de análise da mensagem, porque depende do filme. Só faço isso quando percebo isso no filme, que geralmente são filmes que eu gosto. Digo que esse é o meu estilo de escrever, mas não estou preso a ele. Você encontrará resenhas minhas que não são assim, e focam mais na parte técnica (mesmo não se comparando com as críticas profissionais). Mas eu não sou crítico, e nem pretendo ser. Como disse, o Mundo Geek é apenas um espaço onde posto as minhas opiniões e impressões, de forma simples e direta, num olhar de espectador comum (que pode concordar ou discordar de outros espectadores comuns).