quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

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Resenha: Manchester À Beira Mar

Manchester à Beira Mar - Pôster nacionalTítulo Original: Manchester By the Sea

Título Nacional: Manchester À Beira Mar

Direção: Kenneth Lonergan

Gênero: Drama

Duração: 2h18min

Estreia: 19 de janeiro de 2017

 

 

 

 

 

 

Não achei Manchester À Beira Mar isso tudo. Não consegui entender como que um personagem morre e nem seu irmão e nem o seu filho parecem se importar. Por um lado isso é um ponto positivo porque quebra os clichês e não faz um drama forte sobre o acontecimento. Em qualquer filme em que um ente querido morre, a reação natural dos personagens (assim como também é a reação de muita gente na vida real) é de extrema tristeza, choro e desespero. Pelo menos aqui, Kenneth Lonergan, o diretor, quis passar um outro clima, de mais frieza, que me soou estranho, mas que apresentou algo diferente ao público.

O filme mostra o envolvimento de Joe com seu filho Patrick e seu irmão Lee no passado, mostrando que eles eram próximos. Depois da morte de Joe (isso não é spoiler, faz parte da sinopse do filme), o filme prefere focar nos problemas que começam a surgir na relação entre Lee e Patrick. Não gostei das diversas falas de discussões e brigas, em que dois personagens falam ao mesmo tempo, porque não dá para entender muita coisa. Pior é que esse tipo de cena está muito presente no filme.

Lee é estranho no seu modo de ser, não quer conversar com ninguém, e depois o filme mostra o porquê disso. É mostrado que ele tinha uma vida normal e feliz no passado, mas que um acontecimento lhe fez mudar, e hoje ele é uma pessoa séria, amarga e fria, que evita envolvimento e relações com outras pessoas. Mas mesmo assim é difícil criar um sentimento de empatia com ele. Talvez isso se dê justamente porque o filme não quer fazer como os outros filmes. Kenneth Lonergan não quis colocar Lee desesperado e deprimido. Ele não quis colocar uma trilha sonora triste e pesada para fazer as pessoas chorarem. É um ponto positivo, mas ao mesmo tempo negativo. É algo bom para o filme, mas ao mesmo tempo ruim.

As atuações são razoáveis, não surpreendendo. Lucas Hedges, que faz Patrick, tem uma boa performance. A fotografia é interessante.

Eu diria que Manchester À Beira Mar é um filme decente, mas não é essa primazia toda a ponto de ser indicado em premiações. Tem seus pontos positivos, tem a coragem de querer tratar a morte e a dor de um modo diferente e sob outra perspectiva (a de como a sua vida pode mudar para pior depois que perde alguém, e quais problemas você terá que enfrentar). Reconheço isso, mas é justamente essa sua abordagem que não gostei, e foi isso que lhe fez ser um filme meio parado e com personagens que não dá para criar uma identificação. É um filme que poderei esquecer facilmente.

Nota: