sábado, 29 de abril de 2017

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Resenha: Os 13 Porquês (livro)

Os 13 Porquês - Jay Asher - CapaTítulo: Os 13 Porquês

Autor: Jay Asher

Editora: Ática

Número de páginas: 256

Ano: 2009

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Inicialmente não achei Os 13 Porquês isso tudo. Era um bom livro, mas as primeiras gravações não tinham sido tão boas e convincentes. Mas tudo começa a melhorar aos poucos, até chegar ao ponto que as histórias lhe deixam de boca aberta. Os dramas vão ficando mais profundos e vamos compreendo mais Hannah. Isso acontece ainda no começo, antes da metade do livro. Também não me lembro de ter lido um livro do tamanho deste tão rápido. Acabei rapidinho, em apenas 4 dias!

Os 13 Porquês conta a história de Hannah, que antes de cometer suicídio (isso não é spoiler!) deixa gravado 13 fitas com histórias que contribuíram para essa sua decisão. As fitas são endereçadas às pessoas que fazem parte das histórias contadas, que depois de escutarem devem passar adiante para a próxima pessoa da lista.

O livro é muito bom, muito bom mesmo. Enquanto eu lia, ficava surpreendido com as descobertas, acho que tanto quanto Clay ficava (com a diferença de que suas emoções estão sendo diretamente afetadas pelo que ele escuta, já que ele tinha ligação com Hannah). A sensação é de estar lendo o diário de Hannah porque ela conta tudo o que se passou com ela. Ela conta os seus segredos e os segredos das pessoas à sua volta. Algumas histórias são surpreendentes, e outras você só consegue compreender se se colocar no lugar de Hannah e tentar entender seus sentimentos diante de tudo o que estava acontecendo. No fim de tudo você percebe que Hannah cometeu suicídio não pelos motivos em si, mas por toda a pressão que ela sentia devido aos fatos ocorridos. Ocorreram coisas sérias na vida de Hannah, e outros acontecimentos podemos até não considerar tão sérios assim, mas a verdade é que cada um tem uma forma de reagir aos mesmos eventos, e por isso devemos ficar atentos com quem estamos lidando, para não magoar ninguém. Como o livro mostra, o resultado pode ser bem ruim. Hannah tirou a vida porque não aguentava mais ser chamada do que não era, ser tratada de forma diferente, ser ignorada e não ter nenhum amigo de verdade com quem contar. Às vezes ela não se abria (como aconteceu no caso Clay), mas porque ela já estava cheia de problemas, já tinha passado por muita coisa e tinha medo de se aproximar de pessoas novas e ter uma nova decepção. Eu entendo isso, é uma forma automática de se proteger contra futuros problemas baseado nos problemas que você já teve no passado. O livro também mostra que é importante procurar ajuda profissional. Às vezes você tenta procurar ajuda com pessoas conhecidas, mas elas não sabem lhe ajudar porque não estão preparadas para isso, como aconteceu com Hannah. É necessário que essa pessoa que esteja passando por tantos problemas na sua vida, que se sente sob pressão o tempo todo, e que não tem amigos com quem contar, procure ajuda médica. Primeiro, antes de tudo, você deve reconhecer que está passando por problemas e ter vontade de acabar com eles. Depois você deve procurar a ajuda de um psicólogo e se abrir para que ele possa lhe ajudar. Se Hannah tivesse feito isso, talvez não tivesse cometido suicídio.

Mas a mensagem mais importante do livro, não é só o de procurar ajuda, e sim de sabermos que não podemos agir do jeito que quisermos com as pessoas, e que não devemos ignorá-las, porque isso pode prejudicá-las psicologicamente, o que sempre (SEMPRE!) é ruim.

Chegando ao final deu para ter uma ideia melhor de que não foi necessário grandes motivos no fim de tudo, mas apenas o acúmulo deles, mesmo que pequenos. Também deu para entender o comportamento de uma pessoa depressiva. O livro sugere em seu final, através da atitude de Clay, que ao identificar uma pessoa com sintomas depressivas, que se aproxime dela, para evitar o pior. Isso é o que devemos fazer, mas de forma sincera, para que realmente possamos ajudar aos outros.

A narração do livro é feita por Clay, um garoto que foi apaixonado por Hannah e recebe as fitas. A narração das gravações de Hannah e a narração das sensações e lembranças de Clay acontecem ao mesmo tempo, de forma entrelaçada. Nunca tinha lido um livro assim. É diferente, e dá um aspecto original ao livro de Jay Asher. Por causa dessa característica você tem que ler atentamente, para não se confundir e misturar as narrações. Em alguns momentos a narração paralela de Clay atrapalha um pouco, como quando ele diz para onde está andando ao mesmo tempo em que ouve as gravações, mas às vezes é de grande ajuda, porque ele complementa a narração de Hannah e em vários momentos é o responsável por deixar um tom de suspense na história, por só ir revelando as coisas aos poucos. Especialmente nos últimos capítulos, onde dá para ver o quanto Clay se importava com Hannah, e o quanto ele consegue ver Hannah se afundando cada vez mais no seu estado depressivo pré-suicida, mas dessa vez devido aos seus próprios erros. Nesses momentos dá para entender os dois lados. Mas não existe o lado certo e o errado. Existe apenas o lado mais fraco, que precisa de ajuda.

Nota: